domingo, 5 de fevereiro de 2017

Santa Águeda, Virgem e Mártir.

05/02 Domingo depois da Epifania
Festa de Segunda Classe
Paramentos Verdes 


Santa Ágata é uma das mais gloriosas heroínas da Santa Igreja e cuja intercessão é invocada diariamente, no Cânon da santa Missa. Natural da Sicília, pertenceu a uma das famílias mais nobres do país. De pouca idade ainda, Ágata consagrou-se à Deus, pelo voto da castidade. O governador Quintiano, tendo tido notícia a formosura e grande riqueza de Ágata, acusada do crime de pertencer à religião cristã, mandou-lhe ordem de prisão. Ágata, vendo-se nas mãos dos perseguidores, exclamou: “Jesus Cristo, Senhor de todas as coisas, vós vedes o meu coração e lhe conheceis o desejo. Tomai posse de mim e de tudo que me pertence. Sois o Pastor, meu Deus; sou vossa ovelha. Fazei que seja digna de vencer o demônio”. 

Levada à presença do governador, este achando-a de extraordinária beleza, ficou tomado de violenta paixão pela nobre cristã, à qual se atreveu importunar com propostas indecorosas. Ágata, indignada, rejeitou-lhe as impertinências desavergonhadas e declarou preferir morrer a macular o nome de cristã. Quintiano aparentemente desistiu do plano diabólico, mas para conseguir os seus maldosos fins, mandou entregar a donzela a  Afrodisia, mulher de péssima fama, na esperança de, na convivência com esta pessoa, Ágata se tornar mais acessível. Enganou-se. Afrodisia nada conseguiu e depois de um trabalho inútil de trinta dias, pediu a Quintino que tirasse Ágata de sua casa.

Começou então o martírio da nobre siciliana. Tendo-a citado perante o tribunal, apostrofou-a com estas palavras: “Não te envergonhas de rebaixar-te à escravidão do cristianismo, quando pertences a nobre família?” – Ágata respondeu-lhe:
“A servidão de Cristo é liberdade e está acima de todas as riquezas dos reis”. 

A resposta a esta declaração foram bofetadas, tão barbaramente aplicadas, que causaram forte epistaxe. Depois desta e de outras brutalidades a santa Mártir foi metida no cárcere, com graves ameaças de ser sujeita a torturas maiores, se não resolvesse a abandonar a religião de Jesus Cristo. 

O dia seguinte trouxe a realização dessas iniquidades. O tirano ordenou que a donzela fosse esticada sobre a catasta, os membros lhe foram desconjuntados e o corpo todo queimado com chapas de cobre em brasa, e os seios atormentados com torqueses de ferro e depois cortados. Referindo-se a esta última brutalidade, Ágata disse ao juiz: “Não te envergonhas de mutilar na mulher, o que tua mãe te deu para te aleitar?”

Após esta tortura crudelíssima, Ágata foi levada novamente ao cárcere, entregue às suas dores, sem que lhe fosse administrado o mínimo tratamento. Deus, porém, que confunde os planos dos homens, veio em auxílio de sua pobre serva.

Durante a noite lhe apareceu um venerável ancião, que se dizia mandado por Jesus Cristo, para trazer-lhe alívio e curá-la. O ancião, que era o Apóstolo São Pedro, elogiou-lhe a firmeza e animou-a a continuar impávida no caminho da vitória. A visão desapareceu e Ágata com muita admiração viu-se completamente restabelecida. Cheia de gratidão, entoou cânticos, louvando a misericórdia e bondade de Deus. Os guardas, ouvindo-a cantar, abriram a porta do cárcere e vendo a Mártir completamente curada, fugiram cheios de pavor. As companheiras de prisão de Ágata aconselharam-na que fugisse, aproveitando ocasião tão propícia para isto. Ela, porém, disse: “Deus me livre de abandonar a arena antes de ter segura em minha mão a palma da vitória”.

Passados quatro dias, foi novamente apresentada ao juiz. Este não pode deixar de se mostrar admirado, vendo-a completamente restabelecida. Ágata disse-lhe: “Vê e reconhece a onipotência de Deus, a quem adoro. Foi Ele quem me curou as feridas e me restituiu os seios. Como podes, pois exigir de mim que o abandone? – Não – não poderá haver tortura, por mais cruel que seja, que me faça separar-me do meu Deus”. O juiz não mais se conteve. Deu ordem para que Ágata, fosse rolada sobre cacos de vidros e brasas. No mesmo momento a cidade foi abalada por um forte tremor de terra. Uma parede, bem perto de Quintiano, desabou e sepultou dois de seus amigos. O povo, diante disto, não mais se conteve e em altas vozes exigiu a libertação da Mártir, dizendo: “Eis o castigo que veio, por causa do martírio da nobre donzela. Larga a tua inocente vítima, juiz perverso e sem coração!”. Ágata voltou ao cárcere e lá chegada, de pé, os braços abertos, orou a Deus nestes termos: “Senhor, que desde a infância me protegestes, extinguistes em mim o amor ao mundo e me destes a graça de sofrer o martírio, ouvi as preces da vossa serva fiel e aceitai a minha alma”. Deus ouviu a voz de sua filha e recebeu-a em sua glória no ano 252.

Passado um ano depois da morte da Santa, a cidade de Catarina assistiu apavorada, uma erupção do Etna. O povo, em sua indizível aflição, quando viu as ondas da lava incandescia ameaçar a cidade, correu ao túmulo da Santa, tomou o véu que cobria o seu rosto e estendeu-o contra a torrente de fogo. Imediatamente o perigo estava afastado.



Quinto Domingo depois da Epifania

Leitura da Epístola de São Paulo

Colossenses 3, 12-17
12 Portanto, como eleitos de Deus, santos e queridos, revesti-vos de entranhada misericórdia, de bondade, humildade, doçura, paciência. 13 Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, toda vez que tiverdes queixa contra outrem. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai também vós. 14 Mas, acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. 15 Triunfe em vossos corações a paz de Cristo, para a qual fostes chamados a fim de formar um único corpo. E sede agradecidos. 16 A palavra de Cristo permaneça entre vós em toda a sua riqueza, de sorte que com toda a sabedoria vos possais instruir e exortar mutuamente. Sob a inspiração da graça cantai a Deus de todo o coração salmos, hinos e cânticos espirituais. 17 Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai. 

Sequência do Santo Evangelho 

São Mateus 18,1-5
24 Jesus propôs-lhes outra parábola: O Reino dos céus é semelhante a um homem que tinha semeado boa semente em seu campo. 25 Na hora, porém, em que os homens repousavam, veio o seu inimigo, semeou joio no meio do trigo e partiu. 26 O trigo cresceu e deu fruto, mas apareceu também o joio. 27 Os servidores do pai de família vieram e disseram-lhe: - Senhor, não semeaste bom trigo em teu campo? Donde vem, pois, o joio? 28 Disse-lhes ele: - Foi um inimigo que fez isto! Replicaram-lhe: - Queres que vamos e o arranquemos? 29 - Não, disse ele; arrancando o joio, arriscais a tirar também o trigo. 30 Deixai-os crescer juntos até a colheita. No tempo da colheita, direi aos ceifadores: arrancai primeiro o joio e atai-o em feixes para o queimar. Recolhei depois o trigo no meu celeiro.



Fonte: Escravas de Maria (Santa Águeda e Liturgia do dia)
Ilustração: Retirada do blog Cruz da Terra Santa

sábado, 4 de fevereiro de 2017

A DEVOÇÃO DOS PRIMEIROS SÁBADOS

A Magnifica Promessa dos 
Cinco Primeiros Sábados

"A quem abraçar esta devoção, Eu prometo a salvação."
... Nossa Senhora de Fátima, no dia 13 de Junho de 1917


 Por que os cinco Sábados?

São cinco os Primeiros Sábados (segundo revelou Jesus), por serem cinco as espécies de ofensas e blasfêmias proferidas contra o Imaculado Coração de Maria.

Esta pergunta, levantada por muitos, também a fez a Irmã Lúcia a Nosso Senhor, que assim lhe respondeu: "Minha filha, o motivo é simples: são cinco as espécies de ofensas e blasfêmias proferidas contra o Imaculado Coração de Maria: 

1. As blasfêmias contra a Imaculada Conceição;
2. Contra a sua virgindade;
3. Contra a maternidade divina, recusando, ao mesmo tempo, recebê-La como Mãe dos homens;
4. Os que procuram publicamente infundir, nos corações das crianças, a indiferença, o desprezo, e até o ódio para com esta Imaculada Mãe; 
5. Os que A ultrajam diretamente nas Suas sagradas imagens". 
 (Cfr. Memórias e Cartas da Irmã Lúcia, Porto, 1973).

Comunhão Reparadora nos Primeiros Sábados
  
A salvação das almas, de todas as almas – "principalmente as que mais precisarem" –, arrebatando-as a todas do fogo do inferno que as ameaça é, portanto, em última análise, a intenção principal da prática dos Primeiros Sábados do mês. Foi essa mesma intenção que Nossa Senhora já tinha indicado no dia 19 de Agosto de 1917, quando recomendou aos pastorinhos a urgência de rezarem e fazerem sacrifícios: 
"Rezai, rezai muito; e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o Inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas".

Na Aparição do dia 13 de Julho anunciou Nossa Senhora em Fátima: 
“Para impedir a guerra virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a Comunhão reparadora nos Primeiros Sábados”.

Esta última devoção veio pedi-la, aparecendo à Irmã Lúcia a 10 de Dezembro de 1925, em Pontevedra, Espanha. Disse então: 
“Olha, minha filha, o meu coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos me cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, procura consolar-me e diz que prometo assistir na hora da morte, com todas as graças necessárias para a salvação, a todos os que, no Primeiro Sábado de cinco meses seguidos, se confessarem, receberem a Sagrada Comunhão, rezarem um terço e me fizerem companhia durante quinze minutos, meditando nos 15 mistérios do Rosário com o fim de me desagravar”.

Nossa Senhora mostrou o seu Coração rodeado de espinhos, que significam os nossos pecados. Pediu que fizéssemos atos de desagravo para Lhos tirar, com a devoção reparadora dos cinco Primeiros Sábados. Em recompensa, promete-nos "todas as graças necessárias para a salvação”.

Jesus nos dois anos seguintes, 15 de Fevereiro de 1926 e 17 de Dezembro de 1927, insiste para que se propague esta devoção. 

A Irmã Lúcia escreveu: 
“Da prática da devoção dos Primeiros Sábados, unida à consagração ao Imaculado Coração de Maria, depende a guerra ou a paz do mundo”.



CONDIÇÕES

As condições para ganhar o privilégio dos Primeiros Sábados são quatro:

1. Confissão
Para cada Primeiro Sábado é precisa uma confissão com intenção reparadora. Pode fazer-se em qualquer dia, antes ou depois do Primeiro Sábado, contanto que se receba a Comunhão em estado de graça.

A vidente perguntou:
“Meu Jesus, e as que se esquecerem de formular essa intenção?
 Jesus respondeu:
"Podem-na formular logo na confissão seguinte, aproveitando a primeira ocasião que tiverem para se confessar."

As outras três condições devem cumprir-se no próprio Primeiro Sábado, a não ser que algum sacerdote, por justos motivos, conceda que se possam fazer no domingo a seguir.

2. Comunhão Reparadora

3. Terço

4. Meditação 
Durante 15 minutos, de um só mistério, de vários ou de todos. Também vale uma meditação ou explicação de 3 minutos antes de cada um dos 5 mistérios do terço que se está a rezar.

Em todas estas quatro práticas deve-se ter a intenção de desagravar o Imaculado Coração de Maria.

A devoção dos 5 Primeiros Sábados foi aprovada pelo Bispo de Leiria a 13 de Setembro de 1939, em Fátima.



ATO DE CONSAGRAÇÃO E DESAGRAVO


Virgem Santíssima e Mãe nossa querida, ao mostrardes o vosso Coração cercado de espinhos, símbolo das blasfêmias e ingratidões com que os homens ingratos pagam as finezas do vosso amor, pedistes que Vos consolássemos e desagravássemos.

Ao ouvir as vossas amargas queixas, desejamos desagravar o vosso doloroso e Imaculado Coração que a maldade dos homens fere com os duros espinhos dos seus pecados.

Dum modo especial Vos queremos desagravar das injúrias sacrilegamente proferidas contra a vossa Conceição Imaculada e Santa Virgindade. Muitos, Senhora, negam que sejais Mãe de Deus e nem Vos querem aceitar como terna Mãe dos homens. Outros, não Vos podendo ultrajar diretamente, descarregam nas vossas sagradas imagens a sua cólera satânica. Nem faltam também aqueles que procuram infundir nos corações das crianças inocentes, indiferença, desprezo e até ódio contra Vós.
Virgem Santíssima, aqui prostrados aos vossos pés, nós Vos mostramos a pena que sentimos por todas estas ofensas e prometemos reparar com os nossos sacrifícios, comunhões e orações tantas ofensas destes vossos filhos ingratos.

Reconhecendo que também nós, nem sempre correspondemos às vossas predileções, nem Vos honrámos e amámos como Mãe, suplicamos para os nossos pecados misericordioso perdão.

Para todos quantos são vossos filhos e particularmente para nós, que nos consagramos inteiramente ao vosso Coração Imaculado, seja-nos ele o refúgio durante a vida e o caminho que nos conduza até Deus. Assim seja.

Com São Pio X, a devoção dos primeiros sábados do mês foi aprovada oficialmente: 
"Todos os fiéis que, no primeiro sábado ou no primeiro domingo de doze meses seguidos, dedicarem algum tempo à oração vocal ou mental em honra da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem ganham, em cada um desses dias, uma indulgência plenária. As condições são: confissão, comunhão e oração pelas intenções do Soberano Pontífice".

Nossa Senhora à Irmã Lúcia, 13 de Julho, 1917:
"... Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz ..."
"... virei pedir a comunhão reparadora nos primeiros sábados."




Fonte: Escravas de Maria
Ilustração: Domínio Público

Santo André Corsini, Bispo e Confessor.

04/02  Sábado 
Festa de Terceira Classe
Paramentos Brancos


Nasceu no século XIV, dentro de uma família muito conhecida em Florença: a família Corsini. Nasceu no ano de 1302. Seus pais, Nicolau e Peregrina não podiam ter filhos, mas não desistiram, estavam sempre rezando nesta intenção até que veio a graça e tiveram um filho. O nome: André.

Os pais fizeram de tudo para bem formá-lo. Com apenas 15 anos, ele dava tanto trabalho e decepções para seus pais que sua mãe chegou a desabafar: “Filho, você é, de fato, aquele lobo que eu sonhava”. Ele ficou assustado, não imaginava o quanto os caminhos errados e a vida de pecado que ele estava levando, ainda tão cedo, decepcionava tanto e feria a sua mãe. Mas a mãe completou o sonho: “Este lobo entrava numa igreja e se transformava em cordeiro”. André guardou aquilo no coração e, sem a mãe saber, no outro dia, ele entrou numa igreja. Aos pés de uma imagem de Nossa Senhora ele orava, orava e a graça aconteceu. Ele retomou seus valores, começou uma caminhada de conversão e falou para o provencial carmelita que queria entrar para a vida religiosa. Não se sabe, ao certo, se foi imediatamente ou fez um caminho vocacional, o fato é que entrou para a vida religiosa na obediência às regras, na vida de oração e penitência. Ele foi crescendo nessa liberdade, que é dom de Deus para o ser humano.

Santo André ia se colocando a serviço dos doentes, dos pobres, nos trabalhos tão simples como os da cozinha. Ele também saía para mendigar para as necessidades de sua comunidade. Passou humilhação, mas sempre centrado em Cristo.

Os santos foram e continuam a ser pessoas que comunicaram Cristo para o mundo. Mas Deus tinha mais para André. Ele ordenou-se padre e como tal continuava nesse testemunho de Cristo até que Nosso Senhor o escolheu para Bispo de Fiesoli. De início, ele não aceitou e fugiu para a Cartuxa de Florença e ficou escondido; ao ponto de as pessoas não saberem onde ele estava; e escolher um outro para ser bispo, pela necessidade. Mas um anjo, uma criança, apareceu no meio do povo indicando onde ele estava escondido. Apareceu também uma outra criança para ele dizendo-lhe que ele não devia temer, porque Deus estaria com ele e a Virgem Maria estaria presente em todos os momentos. Foi por essa confiança no amor de Deus que ele assumiu o episcopado e foi um santo bispo. Até que em 1373, no dia de Natal, Nossa Senhora apareceu para ele dizendo do seu falecimento que estava próximo. No dia da Epifania do Senhor, ele entrou para o céu.

Santo André Corsini, rogai por nós!


Leitura da Epístola

Eclesiástico 44,16-20 
16 Henoc agradou a Deus e foi transportado ao paraíso, para excitar as nações à penitência. 17 Noé foi julgado justo e perfeito, e no tempo da ira tornou-se o elo de reconciliação. 18 Por isso foram deixados alguns na terra, quando veio o dilúvio. 19 Ele foi o depositário das alianças feitas com o mundo, a fim de que ninguém doravante fosse destruído por dilúvio. 20 Abraão é o pai ilustre de uma infinidade de povos. Ninguém lhe foi igual em glória: guardou a lei do Altíssimo, e fez aliança com ele. 

Sequência do Santo Evangelho

Mateus 25,14-23
14 Será também como um homem que, tendo de viajar, reuniu seus servos e lhes confiou seus bens. 15 A um deu cinco talentos; a outro, dois; e a outro, um, segundo a capacidade de cada um. Depois partiu. 16 Logo em seguida, o que recebeu cinco talentos negociou com eles; fê-los produzir, e ganhou outros cinco. 17 Do mesmo modo, o que recebeu dois, ganhou outros dois. 18 Mas, o que recebeu apenas um, foi cavar a terra e escondeu o dinheiro de seu senhor. 19 Muito tempo depois, o senhor daqueles servos voltou e pediu-lhes contas. 20 O que recebeu cinco talentos, aproximou-se e apresentou outros cinco: - Senhor, disse-lhe, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco que ganhei.' 21 Disse-lhe seu senhor: - Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor. 22 O que recebeu dois talentos, adiantou-se também e disse: - Senhor, confiaste-me dois talentos; eis aqui os dois outros que lucrei. 23 Disse-lhe seu senhor: - Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor.

Imagem: Santo André Corsini, pintado por Guido Reni

Conto de Fadas?

 Comentários Eleison
Dom Richard Williamson 
Número CDXCIX (499)
Traduzido por Leticia Fantin.


Uma moça tola pode arruinar completamente uma propriedade,
E assim pesar sobre o destino de um Reino!

Era uma vez uma moça (FSSPX) que havia sido muito bem educada por seu bom pai (Dom Lefebvre). Ele havia-a advertido sobre Dom Juan (os papas neomodernistas). Por alguns anos, a jovem foi séria e prudente, resistindo às investidas de Dom Juan. Infelizmente, um dia seu amado pai faleceu, e a jovem herdou sua fortuna. Por algum tempo ela permaneceu fiel a seus comandos. Rodeada por um grupo de outras jovens sábias (os antiliberais da FSSPX), ela continuou a administrar sua fortuna, velando pelos órfãos da propriedade de seu pai (os católicos tradicionais).

Mas o tempo passou. Ela não era mais tão jovem, e começou a sentir medo de ficar muito velha para casar. Ela estava com medo de que, fiando sua lã e trabalhando em seus bordados, logo ficaria sozinha. Pobre menina! Queria tanto ser amada, ter seus filhos legítimos (os tradicionalistas reconhecidos por Roma). Queria fazer mais que somente suas obras de caridade para com os órfãos. Ela estava cansada de sua vida. Era insultada e ridicularizada por seus vizinhos, que queriam que ela se casasse (conservadores e tradicionalistas que se submeteram a Roma).

Bem, Dom Juan já havia demonstrado repetidas vezes quão perverso era, e quanto havia arruinado e desonrado muitas boas garotas (as comunidades submetidas a Roma), mas ele era o herdeiro da maior família do Reino, com o título de Vice-rei (o Vigário de Cristo). Depois de um prolongado estudo sobre o caráter e a virtude da moça, ele decidiu usar uma tática especial para seduzi-la – apelaria a seus sentimentos mais elevados. Assim, começou a admitir que ele estava longe de ser perfeito, e até que havia cometido erros. Ele, inclusive, perguntou à jovem se poderiam encontrar-se para discutir as coisas. A jovem aproveitou a oportunidade para dizer-lhe o que pensava dele e de seus amigos (discussões de 2009-2011). E durante todo este tempo (2006-2012), ela repetiu, até mesmo em público, que o casamento estava fora de questão, a menos que ele corrigisse seus modos.

Então, Dom Juan teve uma brilhante ideia! Ele disse à garota que ela não era como as outras que havia conhecido. Disse que sua resistência teimosa havia aberto seus olhos, que somente ela poderia curar suas feridas (os desastres pós-conciliares) e fazê-lo mudar, e corrigir seus modos para o bem! A moça decidiu aconselhar-se com suas amigas. Ela reuniu-as na propriedade de seu pai (Écône, 2012). Infelizmente para ela, já estavam longe dela as jovens prudentes que seu falecido pai havia escolhido para serem suas companheiras (um bispo e padres da Resistência). Como novas amigas, ela escolhera algumas jovens tontas que estavam embriagadas com o deleite de pensar no casamento de sua amiga com o Vice-Rei. Assim, elas ajudaram a convencê-la (Capítulo Geral de 2012 e suas consequências) de que ela poderia mudar seu futuro marido, como Santa Clotilde havia transformado Clóvis. Disseram a ela que o desejo de Dom Juan de ser ajudado por ela demonstrava que ele já estava se corrigindo!

Enquanto isso, Dom Juan continuou a empresa de sedução mantendo contatos e discussões com a jovem e suas amigas mais próximas. Assim, apesar das censuras e dos repetidos avisos das jovens sábias, que agora viviam no bosque ao redor da casa na propriedade do pai, ela já havia se decidido! Ela acreditou no que Dom Juan estava lhe dizendo! Ela acreditou nos argumentos das jovens tontas! Sim, ela, e somente ela, conseguiria salvar Dom Juan de si mesmo! Como seu velho e querido pai não teria dado sua aprovação?!

Pobre jovem! Ela havia perdido seu contato com a realidade. Não podia mais ver que a natureza mesma do Vice-Rei era corrompida, e que ele estava seguro de corrompê-la também, e a todos os seus futuros filhos, e a todos os órfãos da propriedade de seu pai. E quanto às moças prudentes, elas estavam tremendo de frio no bosque ao redor da propriedade de onde haviam sido expulsas. Choraram pelo velho e bom pai, com lamentações de partir o coração. Se ao menos ele pudesse voltar! Ó Deus! Ai de nós! Mas a única resposta a seu pesaroso pranto foi o gemido do vento de inverno por entre as árvores. Era noite...

Kyrie eleison.



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Falece Alex Jones, ex-pastor pentecostal que levou sua congregação à fé católica.


FALECEU, no dia 14 de janeiro de 2017, aos 75 anos de idade, o diácono Alex Jones Jr., ex-pastor pentecostal que, depois de sua conversão à fé católica, trouxe também a maior parte de sua congregação à plena comunhão com a Igreja Católica.

Descrito por alguns como um "gigante na evangelização", Jones passou a maior parte de sua vida como pregador e pastor de duas igrejas proeminentes em Detroit, EUA: a "Sion Igreja Congregacional de Cristo" (de 1975 a 1982) e a "Maranatha Christian Church" (de 1982 a 2000), período no qual se identificava com as doutrinas sentimentalistas do pentecostalismo norte-americano, ensinando aos seus seguidores, entre outras coisas, que o Papa era o "anticristo" e que a Igreja Católica era a Babilônia descrita no Livro do Apocalipse.

Ao descobrir que a Igreja dos primeiros cristãos não era em nada parecida com as congregações evangélicas às quais ele se convertera, e em tudo idêntica à Igreja que ele rejeitava, aceitou por fim a Nosso Senhor Jesus Cristo do jeito certo, integrando a Igreja Católica.

O vídeo com o testemunho de fé pessoal de Alex Jones pode ser visto abaixo:

1/5
Legenda em português 


2/5
Legenda em português


3/5
Legenda em português


4/5 
Legenda em Espanhol


5/5 
Legenda em Espanhol


Requiem aeternam dona ei, Domine; et lux perpetua luceat ei.
Descanse em paz!


Fonte: O Fiel Católico

São Brás, Bispo e Mártir.

03/02 Sexta-feira 
Festa de Quarta Classe
Paramentos Verdes

São Brás foi um martir Bispo que viveu entre o séculos III e IV na Armênia.  

São Brás, primeiramente, foi médico, mas entrou numa crise, não profissional, pois era bom médico e prestava um ótimo serviço. Mas nenhuma profissão, por melhor que seja, consegue ocupar aquele lugar que é somente de Deus. Então, providencialmente, a graça ia se abrindo e sua vontade buscando mais Deus, foi evangelizado;sua vida sofreu uma guinada. Esta mudança não foi somente no âmbito da religião, sua busca por Nosso Senhor Jesus Cristo estava ligada ao seu profissional e muitas pessoas começaram a ser evangelizadas através da busca de santidade daquele médico. Numa outra etapa de sua vida, ele discerniu que precisava se retirar. Para ele, o retiro era permanecer no Monte Argeu, na penitência, na oração, na intercessão para que muitos encontrassem a verdadeira felicidade como ele a encontrou em Cristo e na Igreja. Mas, na verdade, o Senhor o estava preparando, porque, ao falecer o bispo de Sebaste, o povo, conhecendo a fama do santo eremita, foi buscá-lo para ser pastor. Ele, que vivia naquela constante renúncia, aceitou ser ordenado padre e depois bispo; não por gosto dele, mas por obediência. Sucessor dos apóstolos e fiel à Santa Igreja, era um homem corajoso, de oração e pastor das almas, pois cuidava dos fiéis na sua totalidade. Evangelizava com o seu testemunho.

A Santa Igreja estava perseguida pelo imperador do Oriente, Licínio, que era cunhado do imperador do Ocidente, Constantino. Por motivos políticos e por ódio, Licínio começou a perseguir os cristãos, porque sabia que Constantino era a favor do Cristianismo. O prefeito de Sebaste, dentro deste contexto e querendo agradar ao imperador, por saber da fama de santidade do bispo São Brás, enviou os soldados para o Monte Argeu, lugar que esse grande santo fez  sua casa episcopal. Dali, ele governava a Igreja, embora não ficasse apenas naquele local. 

São Brás foi preso para que renunciasse à Fé e sofreu muitas chantagens,longas flagelação,e foi suspenso em tronco, sobre o qual lhe desfibraram as carnes, com pentes de ferro.Depois, lançaram-no numa asquerosa enxovia,e submergiram-no num lago, donde aiu incólume. Por amor a Cristo e à Santa Igreja, preferiu renunciar à própria vida do que negar Fé imaculada. Em 316, foi degolado junto com dois meninos.

Conta a tradição que, ao se dirigir para o martírio, uma mãe apresentou-lhe uma criança de colo que estava morrendo engasgada por causa de uma espinha de peixe na garganta. Ele parou, olhou para o céu, orou e Nosso Senhor curou aquela criança.

Por esse motivo é padroeiro das doenças da garganta e no dia de sua celebração em 3 de fevereiro, nas cidades da Espanha e algumas da América Latina, as mães levam os filhos para benzerem a garganta.

Leitura da Epístola de São Paulo

Romanos 13, 8-10. 
Irmãos: A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, a não ser o amor recíproco; porque aquele que ama o seu próximo cumpriu toda a lei. Pois os preceitos: Não cometerás adultério, não matarás, não furtarás, não cobiçarás, e ainda outros mandamentos que existam, eles se resumem nestas palavras: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. A caridade não pratica o mal contra o próximo. Portanto, a caridade é o pleno cumprimento da lei.

Sequência do Santo Evangelho

São Mateus 8, 23-27. 
Naquele tempo: Subiu ele a uma barca com seus discípulos. De repente, desencadeou-se sobre o mar uma tempestade tão grande, que as ondas cobriam a barca. Ele, no entanto, dormia. Os discípulos achegaram-se a ele e o acordaram, dizendo: Senhor, salva-nos, nós perecemos! E Jesus perguntou: Por que este medo, gente de pouca fé? Então, levantando-se, deu ordens aos ventos e ao mar, e fez-se uma grande calmaria. Admirados, diziam: Quem é este homem a quem até os ventos e o mar obedecem?


Ilustração: Domínio Público 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

A Mais Antiga Oração Dirigida A Maria Datada Do Ano 250 d.C

A verdade dos fatos testifica que a intercessão dos santos é crida desde as épocas mais remotas da Igreja.

Apresentamos então aos leitores a mais antiga oração dirigida a Virgem Maria que é preservada até os dias de hoje (fato que não é muito novo):


Manuscrito:

"ΥΠΟ ΤΗΝ ΣΗΝ ΕΥΣΠΛΑΓΧΝΙΑΝ  ΚΑΤΑΦΕΥΓΟΜΕΝ ΘΕΟΤΟΚΕ. ΤΑΣ ΗΜΩΝ ΙΚΕΣΙΑΣ ΜΗ ΠΑΡΙΔΗΣ ΕΝ ΠΕΡΙΣΤΑΣΕΙ, ΑΛΛ' ΕΚ ΚΙΝΔΥΝΩΝ ΛΥΤΡΩΣΑΙ ΗΜΑΣ, ΜΟΝΗ ΑΓΝΗ, ΜΟΝΗ ΕΥΛΟΓΗΜΕΝΗ.”

Tradução:

"Debaixo de tua misericórdia nós nos refugiamos ó Mãe de Deus, nossas preces não desprezes nas nossas necessidades, mas dos perigos livra-nos. Única pura, Única abençoada."


Este hino foi encontrado em uma Igreja Ortodoxa Copta na liturgia do Natal no terceiro século. Ele é escrito em grego e é datado de cerca de 250 d.C.  É usado na liturgia copta até hoje, assim como na Bizantina, ambrosiana, e nas liturgias romanas. Era parte de costume sulpiciano que todas as classes terminassem com uma recitação desta oração. Hoje está oração é conhecida como “Sub Tuum Praesidium” que é recitada nas completas.

Este manuscrito do século III está na Universidade de Manchester na Inglaterra, universidade de origem protestante, portanto, acima de suspeitas,  e pode ser visto na Biblioteca Online desta universidade.


BIBLIOGRAFIA

Matthewes-Green, Frederica (2007). The Lost Gospel of Mary: The Mother of Jesus in Three Ancient Texts. Brewster MA: Paraclete Press. pp. 85–87


Os pais da Igreja e o sacramento da penitência (Confissão auricular)

Uma clara análise histórica e bíblica do Sacramento da Reconciliação.


1. INTRODUÇÃO

A penitência é “um sacramento da nova lei instituída por Jesus Cristo de que é outorgado o perdão pelos pecados cometidos logo depois do batismo através da absolvição do sacerdote àqueles que com verdadeiro arrependimento confessam seus pecados e prometem dar satisfação pelos mesmos. É chamado de sacramento e não de uma simples função ou cerimônia por que é um sinal interno instituído por Cristo para conceder graça a alma. Como sinal externo compreende as ações do penitente ao apresentar-se ao sacerdote e confessar seus pecados, e as ações do sacerdote ao pronunciar a absolvição e aplicar o perdão” (Enciclopédia Católica).

É importante notar que: “A confissão não é realizada no secreto do coração do penitente tão pouco a um leigo como amigo e advogado, tampouco a um representante de autoridade humana, mas somente a um sacerdote devidamente ordenado com a jurisdição necessária e com o poder das chaves, isto é o poder de perdoar os pecados que Cristo outorgou a sua Igreja”. (Encíclopédia Católica).

A finalidade do presente estudo consiste em se aprofundar na base bíblica e histórica do sacramento, analisar a luz desta evidência os erros introduzidos pela “reforma” protestante, assim como as distorções históricas que se propagam nas denominações surgidas desta, ao ponto de se chegar a converter em uma história alternativa completamente diferente da real.

2. O FUNDAMENTO BÍBLICO

O poder que a Igreja tem para conceder em nome de Deus o perdão dos pecados provém do mesmo Cristo que conferiu esse poder a seus apóstolos pois:

“Disse-lhes outra vez: A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós. Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (João 20, 21-23).

Também disse Jesus a Pedro:

“Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mateus 16, 19).

E disse mais Jesus aos apóstolos:

“Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu” (Mateus 18, 18).

O significado de "ligar" e "desligar" não se limita a autoridade de definir o que é lícito e que não é a respeito da doutrina, mas também o poder de conceder o perdão de pecados, já que o poder outorgado aqui não é limitado: “tudo que ligares”, “tudo que desligares”, poder que por sua vez é confirmado explicitamente por Cristo ao permitir perdoar ou reter os pecados.

2.1 A EVIDÊNCIA DA RECONCILIAÇÃO NO ANTIGO TESTAMENTO

A realidade sacramental da Igreja é precedida na história por seu modelo profético, a Lei Mosaica. Na Lei Mosaica vemos (Levítico capítulos 4 e 5) que Deus exigia um sacrifício cerimonial pelos pecados cometidos pelo povo, isto é, pelos fiéis. O sacrifício se realizava no tabernáculo, (em seguida no templo) e diante dos sacerdotes, o qual em si é uma admissão pública pelo pecado. O exercício destas cerimônias não só era público, mas ainda ensinava aos pecadores a inevitável consequência do pecado: a morte. O animal que se sacrificava morria no lugar do pecador. O modo de execução de tais sacrifícios, é equivalente ao sacramento da reconciliação que não se poder negar que nele tanto o sacerdote quando o fiel tem um participação claramente definida.

“Se for alguém do povo quem pecou involuntariamente, cometendo uma ação proibida por um mandamento do Senhor, tornando-se assim culpado, trará para sua oferta uma cabra sem defeito, pela falta cometida, logo que tiver tomado consciência de seu pecado. Porá a mão sobre a cabeça da vítima oferecida pelo pecado e a imolará no lugar onde se imolam os holocaustos. Em seguida, o sacerdote, com o dedo, tomará o sangue da vítima, e pô-lo-á sobre os cornos do altar dos holocaustos, derramando o resto ao pé do altar. Tirará toda a gordura, como se fez no sacrifício pacífico, e a queimará no altar, como agradável odor ao Senhor. É assim que o sacerdote fará a expiação por esse homem, e ele será perdoado. Se for um cordeiro que oferecer em sacrifício pelo pecado, oferecerá uma fêmea sem defeito. Porá a mão sobre a cabeça da vítima oferecida pelo pecado e a imolará em sacrifício de expiação no lugar onde se imolam os holocaustos. Em seguida, com o dedo, tomará o sacerdote o sangue da vítima oferecida pelo pecado, e o porá sobre os cornos do altar dos holocaustos, derramando o resto do sangue ao pé do altar. Tirará toda a gordura como se tirou a do cordeiro do sacrifício pacífico, e a queimará no altar, entre os sacrifícios feitos pelo fogo ao Senhor. É assim que o sacerdote fará a expiação pelo pecado cometido por esse homem, e ele será perdoado” (Levítico 4, 27-35).

2.2 OBJEÇÕES PROTESTANTES

Existem inúmeras objeções por parte das diferentes denominações protestantes a respeito do Sacramento da Penitência. O protestantismo em geral declara que não é necessária a intervenção humana para que Deus perdoe o pecado e que este deve ser confessado em privado somente a Deus.
Um exemplo disso é o Manual Prático para a Obra do Evangelismo Pessoal em que se afirma:

“Não encontramos nas Santas Escrituras nenhuma só linha em que se ordene ao cristão confessar seus pecados diante de um homem” (Manual Práctico para la Obra del Evangelismo Personal, pub. Iglesia de Dios - Israelita -).

Outro exemplo desse tipo de declaração temos nos comentários de um dos mais aficionados apologistas protestantes da internet, que escreve com mais entusiasmo do que sabedoria:

“Jesus Cristo admitiu implicitamente que o único que perdoa os pecados é Deus (Marcos 2, 7 e Lucas 5, 21). E o mesmo apóstolo João afirma que Deus é fiel e justo para perdoar os pecados – se confessarmos nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar nossos pecados, e limpar-nos de toda maldade – (I João 1, 8-9). Nem neste texto, nem em nenhum outro a Escritura está registrado que algum apóstolo atuou como confessor ou absolveu os pecados de algum cristão” (A confissão auricular, Daniel Sapia).

Este tipo de objeção comete o erro de confundir quem concede o perdão (Deus), com o meio que Deus utiliza para administra-lo (o sacerdote). O texto citado não entra em contradição com a confissão do pecado ante o sacerdote ou ante a Igreja, senão que o deixa o deixa implícito, pois se parte de algo que já se sabia – que a Igreja recebeu o poder de perdoar pecados – para se dar a entender que Deus é fiel e justo para perdoar a quem reconhece suas faltas. Isto se faz mais claro se se analisar o contexto inteiro. O versículo anterior diz: “mas se dissermos a que não temos pecado, nós enganamos a nós mesmos” e o versículo seguinte completa: “Mas se reconhecermos nossos pecados, fiel e justo ele é para nos perdoar”. O contexto é em si uma exortação ao reconhecimento das próprias faltas (ao invés de negá-las) e nunca uma recusa ou aval para confessarmos nossos pecados diretamente a Deus.

Também é incorreto afirmar que Cristo admitiu que só Deus perdoa os pecados. A Escritura ensina que Ele também tem a capacidade de Fazê-lo, sem entrar em polêmica sobre sua divindade:

“Ora, para que saibais que o filho do homem tem na terra o poder de perdoar os pecados” (Mateus 9, 6).

Dessa maneira, fica provado através de um milagre físico (o sinal externo da cura do paralítico) o que é um verdadeiro milagre espiritual (a realidade interna do perdão do pecado). Assim, na conclusão deste ensinamento, é-nos declarado:

“Vendo isto, a multidão encheu-se de medo e glorificou a Deus por ter dado tal poder aos homens” (Mateus 9, 8).

É óbvio que isto não se refere a uma sanidade física, que era a prova tangível de um milagre muito mais poderoso: o milagre da cura espiritual do enfermo através do perdão dos seus pecados. E enquanto esse milagre da saúde física, nesse contexto, se fizesse única vontade reconhecida por Cristo na ocasião de apenas curar (mesmo assim, coisa que não se admite) – sem nenhuma realidade implícita além, isto tampouco teria por que impedir que Cristo posteriormente pudesse transmitir esse poder a seus apóstolos, tal como é finalmente testificado nas Escrituras.

Também não é verdade que nenhum apóstolo ou qualquer outro agiu como um confessor, ou que não há nenhuma menção nas Escrituras de qualquer homem confessar os pecados. Há referências bíblicas explícitas que a chegam demolir por completo essas reivindicações, mostrando que os pecadores arrependidos não se limitaram à confissão interior. O Evangelho de São Marcos narra como aqueles que vieram a João Batista para ser batizado confessavam seus pecados:

“Pessoas de Jerusalém, de toda a Judeia e de toda a circunvizinhança do Jordão vinham a ele. Confessavam seus pecados e eram batizados por ele nas águas do Jordão” (Mateus 3, 5-6).

O mesmo se afirma daqueles que, ao se converter, vinham aos apóstolos:

“Muitos dos que haviam crido vinham confessar e declarar suas práticas” (Atos 19, 18).

Existem evidências também de que o pecador não somente devia confessar seus pecados a Deus, mas também a Igreja:

“Confessai os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros para serdes curados. A oração do justo tem grande eficácia”(Tiago 5, 16).

Apesar de não vermos nesses textos uma confissão auricular tal como a conhecemos hoje, podemos ver dois fatos principais: (a) Cristo deu aos apóstolos o poder de perdoar os pecados, e que (b) o pecador não se limitou à confissão interior. Como poderiam os Apóstolos perdoar pecados secretos a menos que o fiel confesse?

É incorreta também a objeção de que quando na Escritura de ordena confessar os pecados se refere a pedir perdão aos irmãos que ofendemos. Se uma ofensa é um pecado, nem todos os pecados são uma ofensa ao próximo e reduzir a isto o significado do texto é desvirtuar seu significado real e completo.
Quando a Escritura fala da confissão dos pecados não se refere a pedir perdão a algum irmão por haver ofendido. Compare esta interpretação com a narrativa de São Marcos:

“E saíam para ir ter com ele toda a Judeia, toda Jerusalém, e eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados” (Marcos 1, 5).

Deveríamos interpretar que todas as pessoas da Judeia e Jerusalém haviam ofendido a João Batista? Se aplicarmos a Atos 19, 18 – “Muitos dos que haviam crido vinham confessar e declarar suas práticas” – deveríamos interpretar que todos os novos conversos haviam ofendido os apóstolos. Note que o texto aqui é particularmente claro, porque fala de confessar e declarar “suas práticas”, não suas ofensas. Recordemos também que o primeiro ofendido por nossos pecados é Deus, pois todo pecado é primeiramente uma violação da Justiça Divina.

3. FOI O CONCÍLIO LATERANO IV QUE CRIOU A CONFISSÃO AURICULAR?

Existe uma grande variedade de distorções históricas em cima do sacramento da penitência entre as seitas protestantes. Algumas vêm a confissão auricular (componente importante do sacramento) como um invento do segundo milênio. Um exemplo deste tipo de distorção é encontrado no “Manual prático para a obra do evangelismo pessoal” já citado, em que se afirma a esse respeito:

“A confissão auricular aos sacerdotes foi oficialmente estabelecida na Igreja Romana no ano de 1215. Mais tarde no Concílio de Trento em 1557, pronunciou maldições sobre todos aqueles que haviam lido na Bíblia o suficiente para rejeitar a confissão auricular.”

É importante deixar claro que as definições dogmáticas dos concílios não podem ser interpretadas como que de alguma maneira se está introduzindo uma nova doutrina. Estas definições só ocorrem quando uma verdade fundamental é questionada ou necessita ser definida claramente para o bem dos fiéis.

Mas onde os protestantes acharam no concílio Laterano IV uma instituição da confissão auricular? Transcreveremos abaixo todo o cânon 21 que trata sobre a confissão auricular para vermos se há a criação de alguma coisa:

“Todos os fiéis de ambos os sexos devem, depois de terem atingido a idade do discernimento, fielmente confessar todos os seus pecados pelo menos uma vez por ano ao seu próprio (pároco) sacerdote e realizar no melhor de sua capacidade a penitência imposta, recebendo com reverência pelo menos na Páscoa o sacramento da Eucaristia, a menos que, talvez, seguindo o conselho de seu próprio sacerdote podem, por um bom motivo se abster por um tempo da recepção dela, caso contrário eles devem ser cortados da Igreja (excomungados) durante a vida e privados de um enterro cristão na morte. Portanto, que este salutar decreto seja publicado com frequência nas igrejas, que ninguém pode encontrar no fundamento de ignorância sombra de desculpa. Mas, se alguém por um bom motivo desejaria confessar seus pecados a outro sacerdote, primeiramente, procure e obtenha a permissão de seu próprio sacerdote (pároco), pois, caso contrário ele (o outro sacerdote) não pode desligá-los ou ligá-los.

O sacerdote seja discreto e cauteloso. Que ele possa derramar vinho e azeite nas feridas de um dos feridos segundo o proceder de um médico habilidoso, cuidadosamente investigar as circunstâncias do pecador e do pecado, a partir da natureza da qual ele pode entender que tipo de conselho dar e qual o remédio aplicar, fazendo uso de experimentos diferentes para curar o doente. Todavia, exercite-o na maior precaução. Que ele não faça conhecido o pecador em qualquer grau por palavra, sinal ou outra forma, mas que ele deve precisar do mais prudente concelho, busque-o dele cautelosamente sem qualquer menção de pessoa. Aquele que se atrever a revelar um pecado confidenciado a si em tribunal de penitência, nós decretamos que ele não será apenas deposto do ofício sacerdotal, mas também relegado a um monastério de estrita observância em fazer penitência para o resto de sua vida” (Concílio Laterano, Cânon 21).

Não encontramos em nenhum lugar uma instituição da confissão da maneira disseminada pelas calúnias dos adversários da Igreja, mas somente a recomendação pastoral de que todos que atingirem a idade da razão, isto é, do discernimento façam a confissão pelo menos uma vez no ano, para o seu próprio pároco, e que tenham a permissão dele se o fizer a outro, e que qualquer sacerdote que revelar um pecado confessado seja deposto e enclausurado em um mosteiro. Este cânon não faz nada mais do que confirmar a legislação corrente na Igreja.

O concílio de Trento refutando os hereges “reformadores”, fala claramente:

“A Igreja não prescreveu através do concílio Laterano que os fiéis de Cristo deveriam confessar – uma coisa que é sabida ser um direito divino necessário e estabelecido – mas que o preceito de confessar pelos menos uma vez por ano deveria ser cumprida por todos e cada um quando chegarem a idade da razão” (Sessão XIV, c. 5).

Ou seja, o próprio concílio de Trento afirma que o artigo de Latrão não foi uma nova definição, mas apenas as regras de como se fazer a confissão que é mandamento do próprio Cristo. As bravatas começaram a surgir quando os pseudorreformadores acharam que Cristo tinha abandonado a Igreja por centenas de anos e veio, somente, restaurar a Igreja por meio deles, então começaram a negar tudo que antes era crido.

4. TESTEMUNHOS PRIMITIVOS

Purificação de Nossa Senhora

02/02 Quinta-feira
Festa de Segunda Classe 
Paramentos Brancos


A origem da devoção à Senhora das Candeias tem o seu começo na festa da Apresentação do Menino Jesus no Templo e da Purificação de Nossa Senhora, quarenta dias após o seu nascimento (sendo celebrada, portanto, no dia 2 de Fevereiro). No Templo de Jerusalém, Nosso Senhor Jesus Cristo, ainda tenra criança, foi apresentado pela primeira vez. Ali, deveriam depois passar-se outros episódios memoráveis de Sua vida. Ofereceu-se Ele, no início de sua existência terrena, a Seu divino Pai, sem a menor reserva, aceitando já os sofrimentos futuros de sua Paixão. Ao mesmo tempo, vinha Ele substituir os antigos sacrifícios de animais da lei antiga, realizados aos milhares, em certos dias, naquele local.

Nossa Senhora da Luz era tradicionalmente invocada pelos cegos (como afirma o padre Antônio Vieira no seu "Sermão do Nascimento da Mãe de Deus": "Perguntai aos cegos para que nasce esta celestial Menina, dir-vos-ão que nasce para Senhora da Luz [...]"), e tornou-se particularmente venerada em Portugal a partir do início do século XV; segundo a tradição, deve-se a um português, Pedro Martins, muito devoto de Nossa Senhora, que teria descoberto uma imagem da Mãe de Deus por entre uma estranha luz, no sítio de Carnide, no termo de Lisboa. Aí, se fundou, de imediato, um convento e Igreja a ela dedicada.A partir daí, a devoção à Senhora da Luz cresceu e, com a expansão do Império Português, também se dilatou pelas regiões colonizadas, com especial destaque para o Brasil, onde é a santa padroeira da cidade de Curitiba, capital do Paraná (Haveria uma imagem de Nossa Senhora da Luz, localizada na capela do primeiro vilarejo da região, a Vilinha, ainda às margens do Rio Atuba (Curitiba).Todas as manhãs esta imagem estava voltada para uma dada direção.Interpretando como uma vontade da Santa, foi feito um contato com o cacique dos índios tingüi, o cacique "Tindiquera".

Este teria localizado o novo local e colocado uma vara no chão, dizendo "Coré Etuba", com o significado de "muito pinhão".

Desta vara teria brotado uma frondosa árvore, sendo este o marco zero da cidade de Curitiba), Guarabira/Paraíba, Pinheiro Machado/Rio Grande do Sul, Itu/São Paulo, Indaiatuba/São Paulo e Corumbá/Mato Grosso do Sul. Em Juazeiro do Norte, no Ceará, ocorre, todos os anos, uma grande romaria em sua homenagem.

Segundo a legislação estabelecida pelo grande profeta bíblico Moisés –– a lei mosáica –– todo o primeiro filho de um casal pertencia ao Senhor. Podia, entretanto, ser resgatado mediante a oferta de certa quantia em dinheiro que era depositada no tesouro da família sacerdotal encarregada do culto no Templo, a dos levitas. Por outra lei, as mães que acabavam de dar à luz seus filhos deveriam apresentar-se no Templo de Jerusalém para um ato de purificação, mediante a oferta de um sacrifício: os ricos, um cordeiro de um ano e um pombo ou rolinha; e os pobres, dois pombos ou duas rolinhas.

Comentaristas dos textos sagrados observam que nem Jesus nem Maria estavam obrigados a esses preceitos. Pois, Jesus é Deus, infinitamente superior a qualquer lei. E Maria, tendo se conservado Virgem antes, durante e depois do parto, estava acima dessa lei comum. Entretanto, a obediência e a humildade foram sempre suas virtudes características. Por isso, submeteram-se eles, sem vacilação, a essas prescrições legais.

A maternidade da  Virgem, em tudo diferente das outras mulheres, isentava-a mui legalmente das obrigações de  uma lei,  como foi a da purificação.  Davi enche-se de vergonha, quando se lembra da sua origem:  “Em pecados minha mãe concebeu-me”.  O Anjo tinha disse à Maria Santíssima :  “O Espírito virá sobre ti , e a virtude do  Altíssimo te cobrirá com sua sombra”.  São José recebeu do céu a  comunicação consoladora: “O que dela (de Maria) nascerá, é do Espírito Santo”.  Virgem  antes,  durante e  depois do parto, seu lugar não era entre as outras filhas hebréias que no templo se apresentavam para fazer penitência e  procurar perdão do pecado. Maria, porém,  prefere obedecer à lei e parecer com a pecha comum a  todas. Além disto, sendo de origem nobre, descendente direta de Davi, oferece o sacrifício dos pobres, isto é, dois pombinhos. Que humildade!

Nesta sua humildade é acompanhada pelo Filho. Ele é Filho do  Altíssimo,  autor e Senhor das leis, não admite para si motivos que das mesmas o isentem. Ele que  quis sem motivos semelhante em tudo, exceto o pecado, sujeita-se à Lei da circuncisão, triste lembrança da grande queda dos primeiros pais no paraíso, de que resultou o pecado original. Por ocasião da apresentação de Maria Santíssima  no templo, se deu um fato que merece toda a atenção nossa. Vivia em Jerusalém um santo homem chamado Simeão, provecto em  idade, que com muito fervor anelava pela  vinda do Messias. De Deus  tinha recebido a  promessa  de  não sair desta vida sem ter visto, com os próprios  olhos,  o Salvador do mundo.

Guiado por inspiração divina, viera ao templo no momento em que os pais de Jesus entraram, em cumprimento das prescrições legais. Como os  magos conheceram o Salvador, este se fez conhecido a  Simeão, o qual o  tomou nos braços e bendisse a Deus, dizendo:  “Agora, Senhor, deixa partir o vosso servo em paz, conforme vossa palavra. Pois meus olhos viram a vossa salvação que preparacasa diante dos olhos das nações:  Luz para aclarar os gentios, e glória de Israel, vosso povo!”. São José e Maria Santíssima ficaram admirados  do que  dizia do Menino. Simeão abençoou-os e  disse a Maria, sua Mãe:  “Este Menino veio ao mundo para ruína e ressurreição de muitos em Israel e  para ser um sinal de contradição. Vós mesma  tereis a  alma varada por uma aguda espada e  assim serão patenteados os pensamentos ocultos no coração de muitos”.  – Havia também uma profetisa, de nome Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser, atraída por um movimento do Espírito Santo, a venerável profetisal, ilustre por sua piedade.Vivera 7 anos casada,  enviuvara e  já estava com 84 anos. Não deixava o templo e  servia a Deus dia e noite, jejuando e rezando. Tendo vindo ao templo na mesma ocasião, deixou-se derramar em louvores ao Senhor e falava do Menino a  todos  que esperavam a Redenção de  Israel. Cumpridas  todas as prescrições da lei, José e Maria voltaram para casa.

Os dois anciãos, representantes da sociedade antiga, unem suas vozes e celebram a afortunada vinda do Menino que vem renovar a face da terra.

Leitura da Epístola

Malaquias 3,1-4
1 Vou mandar o meu mensageiro para preparar o meu caminho. E imediatamente virá ao seu templo o Senhor que buscais, o anjo da aliança que desejais. Ei-lo que vem - diz o Senhor dos exércitos. 2 Quem estará seguro no dia de sua vinda? Quem poderá resistir quando ele aparecer? Porque ele é como o fogo do fundidor, como a lixívia dos lavadeiros. 3 Sentar-se-á para fundir e purificar a prata; purificará os filhos de Levi e os refinará, como se refinam o ouro e a prata; então eles serão para o Senhor aqueles que apresentarão as ofertas como convêm. 4 E a oblação de Judá e de Jerusalém será agradável ao Senhor, como nos dias antigos, como nos anos de outrora. 

Sequência do Santo Evangelho

Lucas 2, 22,32.
 22 Concluídos os dias da sua purificação segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentar ao Senhor, 23 conforme o que está escrito na lei do Senhor: Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor (Ex 13,2); 24 e para oferecerem o sacrifício prescrito pela lei do Senhor, um par de rolas ou dois pombinhos. 25 Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Este homem, justo e piedoso, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele. 26 Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que não morreria sem primeiro ver o Cristo do Senhor. 27 Impelido pelo Espírito Santo, foi ao templo. E tendo os pais apresentado o menino Jesus, para cumprirem a respeito dele os preceitos da lei, 28 tomou-o em seus braços e louvou a Deus nestes termos: 29 Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra. 30 Porque os meus olhos viram a vossa salvação 31 que preparastes diante de todos os povos, 32 como luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso povo de Israel.

Ilustração: Domínio Público 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Santo Inácio de Antioquia, Bispo e Mártir.

01/02 Quarta-feira
Festa de Terceira Classe
Paramentos Vermelhos


Santo Inácio de Antioquia, Bispo e Mártir (c. 107 d.C) 

No  Coliseu romano, o bispo cristão aguarda ser trucidado pelas feras, enquanto a multidão exulta em gritos de prazer com o espetáculo sangrento que vai começar. Por sua vez, no estádio, cristãos incógnitos, misturados entre os pagãos, esperam, horrorizados, que um milagre salve o religioso. Os leões estão famintos e excitados com o sangue já derramado na arena. O bispo Inácio de Antioquia, sereno, esperava sua hora pronunciando com fervor o nome do Cristo.

Graças a Santo Inácio  cristianismo floreceu mais, surgiram mais cristãos.   Era o início dos tempos que mudaram o mundo, próximo do ano 35 da era cristã quando ele nasceu. Segundo os estudiosos não era judeu e teria sido convertido pela primeira geração de cristãos, os apóstolos escolhidos pelo próprio Jesus. Cresceu e foi educado entre eles, depois Pedro nomeou no posto de bispo de Antioquia, na Síria, considerada a terceira cidade mais importante do Império Romano, depois de Roma e Alexandria no Egito. Gostava de ser chamado Inácio Nurono. Inácio deriva do grego "ignis", fogo, e Nurono era um nome que ele mesmo deu a si, significa "o portador Deus". Deste modo viveu sua existência toda, era o portador de Deus que incendiava a fé.

Foi o defensor de um ponto que só viria a ser elevado à categoria de dogma séculos mais tarde: o parto virginal da Santa Mãe de Deus. Assim escreveu aos efésios: "ao príncipe deste mundo foi ocultada a virgindade de Maria, seu parto e também a morte do Senhor".5 Aos seus caros esmirnenses também afirmava: "Crendo de igual modo que verdadeiramente nasceu da Virgem, foi batizado por João ‘para que nele se cumprisse toda a justiça.'"

Em Selêucia, um porto marítimo a 16 milhas de Antioquia, eles embarcaram em um navio e,navegou para a costa ao longo da costa sul e oeste da Ásia Menor, em vez de proceder de uma só vez para a Itália. As paralisações numerosas, porém, deu oportunidades ao santo de confirmar na Fé as várias Igrejas perto da costa da Ásia Menor. Em Esmirna, teve a alegria do encontro com seu ex-companheiro, São Policarpo discípulo, e aqui veio também o bispo Onésimo à frente de uma delegação de Éfeso, o bispo Damas com enviados de Magnésia, e Políbi, o bispo de Tralles. Um dos deputados, Burrhus, foi tão útil que Santo Inácio perguntou aos Efésios para lhe permitir ficar com ele como um companheiro. De Esmirna, o Santo escreveu quatro cartas: aos Efésios, às Igrejas de Magnésia e Tralles e aos cristãos em Roma. 

Os guardas estavam com pressa para deixar Esmirna, de modo a chegarem à Roma antes dos jogos que eram mais para as vítimas ilustres de aparência venerável e foram sempre uma grande atração no anfiteatro. Inácio alegremente concordou. Em seguida, eles navegaram para Trôade, onde aprenderam que a paz havia sido restaurada à Igreja de Antioquia. Em Trôade, ele escreveu mais três cartas: a Filadélfia, ao Smyrnaeans, e São Policarpo. 

Como o santo se aproximou de Roma, os fiéis vieram ao seu encontro, regozijando-se com a sua presença no meio deles, mas estavam de apreensivos pois porderiam perdelo em breve. Como haviam previsto, sua atuação logo chamou a atenção do imperador Trajano, que decretou sua prisão e ordenou sua morte. Como cristão, deveria ser devorado pelas feras para diversão do povo ávido de sangue. O palco seria o recém construído Coliseu. Fiéis estes estavam desejosos de tomar medidas para obter sua libertação, mas ele suplicou-lhes que não o impedissem de ir ao Senhor.Uma carta estava o seu especial pedido: "Deixai-me ser alimento das feras. Sou trigo de Deus. É necessário que eu seja triturado pelos dentes dos leões para me tornar um pão digno de Cristo". Sabendo que muitos de seus companheiros poderiam influenciar e conseguir seu perdão junto ao imperador, que o deixassem ser martirizado. Sabia que seu sangue frutificaria em novas conversões e que seu exemplo tocaria o coração dos que, mesmo já convertidos, ainda temiam assumir e propagar da verdadeira religião. Então, ajoelhando-se com os irmãos, ele orou para a Igreja, e para a caridade e unanimidade entre os fiéis.   Segundo tradição, ele chegou a Roma em 20 de dezembro, último dia dos jogos públicos e foi levado perante ao prefeito da cidade, a quem a carta do imperador foi entregue. Em devido tempo, os soldados apressaram-mo fora do anfiteatro, e somos informados de que dois leões ferozes foram soltos em cima dele, que o devorou ​​imediatamente, não deixando nada além dos ossos maiores.

Leitura da Epístola de São Paulo 

Romanos 8, 35-39 
35 Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A perseguição? A fome? A nudez? O perigo? A espada? 36 Realmente, está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte o dia inteiro; somos tratados como gado destinado ao matadouro (Sl 43,23). 37 Mas, em todas essas coisas, somos mais que vencedores pela virtude daquele que nos amou. 38 Pois estou persuadido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, 39 nem as alturas, nem os abismos, nem outra qualquer criatura nos poderá apartar do amor que Deus nos testemunha em Cristo Jesus, nosso Senhor.  

Sequência do Santo Evangelho

São João 12, 24-26
24 Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto. 25 Quem ama a sua vida, perdê-la-á; mas quem odeia a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna. 26 Se alguém me quer servir, siga-me; e, onde eu estiver, estará ali também o meu servo. Se alguém me serve, meu Pai o honrará.


Fonte: Escravas de Maria
Ilustração: Domínio Público