segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Funeral do Papa Pio XII


Pio XII, (em italiano: Pio XII, em latim: Pius PP. XII); O.P., nascido Eugenio Maria Giuseppe Giovanni Pacelli; (Roma, 2 de março de 1876 — Castelgandolfo, 9 de outubro de 1958) foi eleito Papa no dia 2 de março de 1939 até a data da sua morte. 

Funeral do Papa Pio XII

"Um lugar no paraíso"



"Um lugar no paraíso" ( Der veruntreute Himmel ) é um filme de 1958, dirigido por Ernst Marischka. O enredo é a história dramática de uma idosa, que, ansiosa para garantir a salvação eterna, faz seu neto ser sacerdote; mas ele a engana desperdiçando dinheiro com o que não devia. Descobrindo a verdade, ela parte, infeliz, para Roma, onde tem sorte de morrer logo depois de ver o Papa e receber sua benção.

No filme - com o elenco de Viktor De Kowa, Vilma Degischer, Hans Holt e Annie Rosar - "de alguma forma participa" Pio XII. As imagens da bênção do Papa, de fato, são imagens autênticas de uma verdadeira audiência na Basílica de São Pedro para as férias da Páscoa. Como se lê nos créditos do título do longa-metragem, foi o Papa quem autorizou o uso dessas imagens, bem como outras imagens dentro dos Palácios Apostólicos.

É uma verdadeira "pérola", embutida em um filme talvez esquecido, mas certamente interessante. As imagens em cores mostram um Pio XII em perfeita forma, embora já seja antigo - que visivelmente ama o contato com as pessoas, de modo a parar a sedia gestatoria para cumprimentar e abençoar uma criança. Incrivelmente sereno é também o sorriso do Papa, nunca menos, e sempre mantendo a sua ternura e confiança na paternidade.

Estamos confiantes de que esses poucos minutos de vídeo podem efetivamente contribuir para entregar ao espectador a imagem real de Eugenio Pacelli, às vezes traído por narrativas oficiais e retratos de festa. Estamos felizes em anunciá-lo, no aniversário da morte do Papa. A paternidade que seu sorriso infunde nessas imagens não deixará de aumentar a confiança em sua oração por nós do céu.




Fonte: Papa Pio XII - Sito ufficiale della Causa di Canonizzazione

São Giovanni Leonardi, Confessor

09/10 Segunda-feira
Festa de Terceira Classe
Paramentos Brancos
Bottega Lucchese, S. Giovanni Leonardi, XVIII-XIX sec., museo diocesano, Lucca

São Giovanni Leonardi (São João Leonardo), nasceu em Diecimo, perto de Lucca, Itália, no ano de 1541, foi o sétimo filho de Tiago e Joana Lippi. Ainda muito jovem, Giovanni Leonardi do mandado a Lucca para aprender a arte de farmacêutico. Aos vinte e seis anos deixou a farmácia, e sob a guia de Bernardini, empreendeu os estudos eclesiásticos e na Epifania de 1571 pôde celebrar a primeira Santa Missa. Na Igreja de São Giovanni della Magione, que lhe foi confiada pelo bispo, realizou a sua grande aspiração, fundando uma escola para o ensino da doutrina cristã.

Viveu dez anos num providencial exílio romano. Aí teve a oportunidade de estreitar amizade com São Filipe Néri, com o douto cardeal Barônio e com São José Calasans, e de fazer-se apreciar pelo Papa, que lhe confiou várias missões delicadas. Esteve em Nola, em Nápoles, em Montevergine, onde era necessária a mediação de homem sábio e caridoso para levar aos antigos mosteiros a disciplina e o primitivo espirito religioso.

Em 1574 fundou a Ordem dos Clérigos Regulares da Mãe de Deus. Reuniu em torno de sia um grupo de sacerdotes dedicados à propagação da fé no meio dos não crentes confirmação pelo Papa Gregório XIII. Homem de Deus, e por todos como tal era havido, Giovanni Leonardi era consultado por muitos bispos, em negócios intrincados; o próprio Papa nomeou-o seu delegado em missões difíceis, e para reformar famílias religiosas. A São José Calazans prestou enormes serviços na conservação da Congregação que se achava no ponto de se dissolver. Também no hospital do Espírito Santo em Saxônia e às Religiosas oblatas de Santa Francisca Romana prestou grande auxílio.. Por este motivo é tido como o inspirador da Propaganda Fidei, ou Obra da Propaganda da Fé, atuante até nossos dias no âmbito da Santa Sé. Em 1614 a Ordem recebeu a denominação definitiva de Clérigos Regulares da Mãe de Deus, com sede junto à Igreja de Santa Maria da Rosa. O grande apóstolo do século da Reforma pagou com muitas tribulações a coragem de pregar e de sustentar, de todos os modos, a necessidade de volta à genuína prática do Evangelho, numa epóca de decadência geral dos costumes. Ao lado de São Filipe Néri, São José de Calesanz, São Camilo de Léllis, São Giovanni Leonardi é uma das figuras marcantes da nossa Igreja do século XVI.

Restos mortais de São João Leonardo, na Chiesa di Santa Maria in Portico in Campitelli

São Giovanni Leonardi morreu no dia 08 de Outubro de 1609, em Roma. Foi beatificado pelo Papa Pio IX no ano de 1861, tendo a solene canonização pelo Papa Pio XI, no dia da Páscoa, aos 17 de Abril do ano de 1938.


Leitura da Epístola

II Coríntios 4, 1-6 e 15       

1.Por isso não desanimamos deste ministério que nos foi conferido por misericórdia. 2.Afastamos de nós todo procedimento fingido e vergonhoso. Não andamos com astúcia, nem falsificamos a palavra de Deus. Pela manifestação da verdade nós nos recomendamos à consciência de todos os homens, diante de Deus.3.Se o nosso Evangelho ainda estiver encoberto, está encoberto para aqueles que se perdem,4.para os incrédulos, cujas inteligências o deus deste mundo obcecou a tal ponto que não percebem a luz do Evangelho, onde resplandece a glória de Cristo, que é a imagem de Deus.5.De fato, não nos pregamos, a nós mesmos, mas a Jesus Cristo, o Senhor. Quanto a nós, consideramo-nos servos vossos por amor de Jesus.6.Porque Deus que disse: Das trevas brilhe a luz, é também aquele que fez brilhar a sua luz em nossos corações, para que irradiássemos o conhecimento do esplendor de Deus, que se reflete na face de Cristo. 15.E tudo isso se faz por vossa causa, para que a graça se torne copiosa entre muitos e redunde o sentimento de gratidão, para glória de Deus.16.É por isso que não desfalecemos. Ainda que exteriormente se desconjunte nosso homem exterior, nosso interior renova-se de dia para dia.17.    A nossa presente tribulação, momentânea e ligeira, nos proporciona um peso eterno de glória incomensurável. Porque não miramos as coisas que se vêem, mas sim as que não se vêem . Pois as coisas que se vêem são temporais e as que não se vêem são eternas.

Sequência do Santo Evangelho

São Lucas 10, 1-9                                                          

1.Depois disso, designou o Senhor ainda setenta e dois outros discípulos e mandou-os, dois a dois, adiante de si, por todas as cidades e lugares para onde ele tinha de ir.2.Disse-lhes: Grande é a messe, mas poucos são os operários. Rogai ao Senhor da messe que mande operários para a sua messe.3.Ide; eis que vos envio como cordeiros entre lobos.4.Não leveis bolsa nem mochila, nem calçado e a ninguém saudeis pelo caminho.5.    Em toda casa em que entrardes, dizei primeiro: Paz a esta casa!6.Se ali houver algum homem pacífico, repousará sobre ele a vossa paz; mas, se não houver, ela tornará para vós.7.Permanecei na mesma casa, comei e bebei do que eles tiverem, pois o operário é digno do seu salário. Não andeis de casa em casa.8.Em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei o que se vos servir. 9.Curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: O Reino de Deus está próximo.



Fonte: Escravas de Maria
Ilustração I: Retirado do site Scuola Ecclesia Mater
Ilustração II: Wikipédia 

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Profecia de São Francisco de Assis


"Um homem, não escolhido canonicamente, será levado ao Pontificado ... Naqueles dias, Jesus Cristo não lhes enviará um verdadeiro Pastor, mas um Destruidor"


Pouco antes de morrer em 1226, São Francisco de Assis reuniu os membros do seu pedido e advertiu-lhes de grandes tribulações que aconteceriam na Igreja no futuro, dizendo:

  1. Ajam bravamente, meus irmãos; Tomem coragem e confie no Senhor. O tempo se aproxima rapidamente em que haverá grandes provações e aflições; Perplexidades e dissensões, tanto espirituais como temporais, abundam; A caridade de muitos ficará fria, e a maldade dos ímpios aumentará.
  2. Os demônios terão um poder incomum, a pureza imaculada da nossa Ordem e dos outros estarão muito obscurecidas de que haverá muito poucos cristãos que obedecerão ao verdadeiro Soberano Pontífice e à Igreja Romana com corações leais e caridade perfeita. No momento desta tribulação, um homem, não canonicamente eleito, será levado ao Pontificado, que, por sua astúcia, procurará atrair muitos para o erro e a morte.
  3. Então os escândalos serão multiplicados, nossa Ordem será dividida e muitos outros serão inteiramente destruídos, porque consentirão em erro ao invés de se oporem a ele.
  4. Haverá tanta diversidade de opiniões e cismas entre as pessoas, o religioso e o clero, que, exceto aqueles dias foram encurtados, de acordo com as palavras do Evangelho, até os eleitos seriam levados ao erro, se não fossem especialmente guiados, Em meio a uma grande confusão, pela imensa misericórdia de Deus.
  5. Então, nossa Regra e estilo de vida se oporão violentamente por alguns, e provações terríveis virão sobre nós. Aqueles que são encontrados fiéis receberão a coroa da vida; Mas ai daqueles que, confiando apenas na sua Ordem, cairão na tepidez, pois não poderão apoiar as tentações permitidas para provar os eleitos.
  6. Aqueles que preservam seu fervor e aderem à virtude com amor e zelo pela verdade sofrerão ferimentos e perseguições como rebeldes e cismáticos; Para os seus perseguidores, exortados pelos espíritos malignos, dirão que estão prestando um ótimo serviço a Deus destruindo homens tão pestilentos da face da terra. Mas o Senhor será o refúgio dos aflitos, e salvará todos os que neguem nele. E, para serem como a sua Cabeça [Jesus Cristo], estes, os eleitos, agirão com confiança, e por sua morte comprarão para si a vida eterna; Optando por obedecer a Deus em vez do homem, eles não temerão nada, e eles preferem perecer [fisicamente] ao invés de consentir na falsidade e na perfídia.
  7. Alguns pregadores manterão o silêncio sobre a verdade, e outros o pisarão no pé e negarão isso. A santidade da vida será ridicularizada mesmo por aqueles que professam externamente, pois naqueles dias Jesus Cristo não lhes enviará um verdadeiro Pastor, mas um destruidor.

(Works of the Seraphic Father St. Francis Of Assisi [London: R. Washbourne, 1882], pp. 248-250).


Para verificar por si mesmo que essas palavras foram transcritas com precisão a partir de sua fonte, estamos fornecendo imagens digitalizadas das páginas a partir das quais foram tiradas:

Folha de rosto


Página 248


Página 249


Página 250


Além disso, o livro que contém esta profecia está disponível em PDF para download. Clique aqui para fazer o download. Se você quiser comprar uma cópia de bolso, clique aqui.

Claramente, essas palavras proféticas de São Francisco nunca foram mais relevantes do que hoje. Existem rumores de que São Francisco também disse que o falso papa que ele estava alertando teria o seu próprio nome ("Francisco"), mas não conseguimos verificar essa informação ou encontrar uma fonte para isso.

Embora não devamos buscar profecias, revelações ou aparições especiais, nem torná-las a base para a nossa posição teológica, compartilhamos essa profecia com os nossos leitores para tranquilizá-los de que nossos tempos, embora extraordinários, foram conhecidos e preditos por vários santos.

São Francisco de Assis, rogai por nós.




domingo, 20 de agosto de 2017

Catecismo Anticomunista

Catecismo Anticomunista

D. Geraldo de Proença Sigaud

I. O QUE É O COMUNISMO E O QUE ELE ENSINA

1 Que é o comunismo?
           O comunismo e uma seita internacional, que segue a doutrina de Karl Marx, e trabalha para destruir a sociedade humana baseada na, lei de Deus e no Evangelho, bem como para instaurar o reino de Satanás neste mundo, implantando um Estado ímpio e revolucionário, e organizando a vida dos homens de sorte que se esqueçam de Deus e da eternidade.

2 Qual é a doutrina que a seita comunista ensina?
            A seita comunista ensina a doutrina do mais completo materialismo.

3 Que ensina o materialismo comunista a, respeito de Deus?
            O materialismo comunista ensina que Deus não existe, e que só existe a matéria.

4 Contenta-se a seita comunista em ensinar que não há Deus e que só existe a matéria?
           A seita comunista dá grande importância a um materialismo prático, em que o homem cogita se Deus existe ou não, mas procede, pensa e organiza sua vida sem se incomodar com Deus nem se lembrar dEle. Assim; aos poucos chega também ao materialismo teórico.
           O comunista verdadeiro é materialista teórico e prático, para poder levar seus prosélitos ao caminho aludido.

5 Que pensa a seita comunista a respeito da alma?
            Para a seita comunista o homem é só matéria, e a alma não existe.

6 Que pensa a seita comunista a respeito da eternidade?
            Para a seita comunista o homem desaparece totalmente após a morte. Não há Céu nem inferno, não há felicidade nem castigo depois desta vida.

7 Que pensa a seita comunista a respeito da natureza humana?
            Para a seita comunista o homem é um simples animal; embora mais evoluído do que o boi e o macaco, não passa de animal.

8 Qual e a primeira conseqüência prática desta doutrina?
            A primeira conseqüência prática deste materialismo é que o homem deve procurar sua felicidade somente nesta terra, e no gozo dos prazeres que a vida terrena oferece.

9 O homem, segundo pendi de Deus e da sua lei?
            Não. Uma vez que só há mataria, o homem não depende de Deus, que não existe; ele é supremo senhor de si mesmo.

A postura na Missa


Diz o Concílio de Trento: "Se somos, forçosamente, obrigados a confessar que os fiéis não podem exercer obra mais Santa nem mais divina do que este Mistério terrível, no qual a Hóstia vivificadora, que nos reconciliou com 

Deus Pai, é, todos os dias, imolada pelos sacerdotes, parece bastante claro que devemos ter muito cuidado para fazer esta ação com grande pureza de coração e com a maior devoção exterior possível". 

Os primeiros cristãos nos deram admiráveis exemplos a este respeito. Segundo o testemunho de S. João Crisóstomo, ao entrar na Igreja, beijavam, humildemente, o assoalho e guardavam, durante a Santa Missa, tal recolhimento que se julgava estar em lugar deserto. 

Era de observar o preceito da liturgia de S. Tiago: "Todos devem se conservar no silêncio, no temor, no medo e no esquecimento das coisas terrestres, quando o Rei dos reis, Nosso Senhor Jesus Cristo, vem imolar-se e dar-se em alimento aos fiéis". 

São Martinho conformou-se, exatamente, com esta recomendação. Nunca se sentava na igreja; de joelhos, ou em pé, orava com ar compenetrado de um santo assombro. Quando lhe perguntavam pela razão desta atitude, costumava dizer: "Como não temeria, visto que me acho em presença do Senhor?". 

Ora, se o próprio Jesus expulsou, a chicote, os profanadores do templo, como tratará os cristãos audaciosos? 

Sobre conversas vãs durante a Missa

Não é proibido responder a uma pergunta útil nem dizer uma palavra necessária; é proibido, conversar coisas inúteis, fazer observações sobre o próximo, saudar-se mutuamente, como se estivesse na rua, e outras coisas semelhantes que impedem seguir, atentamente, a Santa Missa. 

Jesus Cristo nos preveniu: "Os homens darão conta, no dia do Juízo, de toda palavra ociosa" (Mt. 12, 36). Ora, haverá palavras mais inúteis do que as proferidas durante o tremendo Mistério do Altar? 

São Crisóstomo opina que os que falam e riem, durante a Santa Missa, merecem ser fulminados na Igreja. Com esta ameaça, o santo Doutor aponta também os que, por direito e dever, deveriam impedir as irreverências: os pais que não repreendem nem corrigem os filhos dissipados; os mestres e amos que não vigiam a atitude de seus alunos e criados. 

A melhor posição durante a Missa

São Paulo nos convida, quando diz que, "ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e nos infernos" (Fl. 2, 10). Com mais razão ainda, devemos guardar esta atitude durante a presença real do divino Salvador, isto é, desde a elevação até a Comunhão. 

Muitas pessoas, homens sobretudo, têm o mau costume de ficar em pé durante toda Missa; apenas inclinam-se à consagração para levantar-se logo depois, como se Jesus não estivesse presente. 

Quem não puder permanecer de joelhos durante toda a Missa, poderia ficar em pé até o momento da consagração e depois da Comunhão. A presença real de Nosso Senhor torna também inconveniente o costume de muitas pessoas de sentarem-se, sem motivo de força maior, imediatamente depois da elevação. Se estivessem na presença dos grandes da terra, em alguma reunião mundana, a força não lhes faltaria, mesmo para tomar atitudes muito mais penosas do que a de estar de joelhos! 

A modéstia dentro e fora da Igreja

As senhoras e moças que vão à Missa vestidas à última moda, às vezes bastante indecente para lugar tão santo. Estas pessoas não medem a imensa dívida que contraem para com Deus. O luxo é como um archote que acende desejos ilícitos até no coração dos justos; que fogo não acenderá nos levianos e impuros! As pessoas adornadas com tanto cuidado são sempre perigosas: desviam do altar a atenção dos homens e são a causa de distrações e pensamentos criminosos. Quem prepara o veneno comete um pecado mortal, mesmo que não o tome aquele a quem é destinado; o mesmo acontece com estas pessoas: pecam pelo único fato de expor os outros à tentação. Sua falta é ainda mais escandalosa, quando assim se apresentam na Santa Missa. Como responderão por suas vítimas no dia do Juízo? Acrescenta a isso que são uma ocasião de pecado para outras senhoras, a quem servem de figurinos de imitação. 

Será, porém, na hora da morte, principalmente, que experimentarás quanto o Senhor é bom para os que honram os sagrados Mistérios do Altar, ao passo que os indiferentes e tíbios meditarão, num amargo, mas inútil arrependimento, o prejuízo que fizeram a seus interesses eternos. 

Por fim o que diziam os Santos sobre a Santa Missa

"Fica sabendo, ó cristão, que mais se merece participar devotamente de uma só Missa, do que distribuir todas as riquezas aos pobres e peregrinar toda a Terra." (São Bernardo)

"Eis o meio mais adequado para assistir com fruto a Santa Missa: consiste em irdes à igreja como se fôsseis ao Calvário, e de vos comportardes diante do altar como o faríeis diante do Trono de Deus, em companhia dos santos anjos. Vede, por conseguinte, que modéstia, que respeito, que recolhimento são necessários para receber o fruto e as graças que Deus costuma conceder àqueles que honram, com sua piedosa atitude, mistérios tão santos." (São Leonardo de Porto Maurício)

"Como nós devemos ouvir a Santa Missa?. - Como a assistiam a Santa Virgem Maria e as Santas mulheres. Como São João assistiu ao Sacrifício Eucarístico e ao Sacrificio sangrento da cruz." (São Pio de Pietrelcina) 


sexta-feira, 11 de agosto de 2017

«Roma perderá a Fé e tornar-se-á a sede do Anticristo»

A Abominação:

A profanação de Fátima

Artigo baseado numa palestra proferida pelo Padre Paul Kramer, B.Ph., S.T.B., M. Div., S.T.L.(Cand.), provavelmente nos primeiros anos do pontificado do Papa Bento XVI.



A Liturgia da Igreja comemora a dedicação da Basílica de S. João de Latrão, a catedral do sucessor do Apóstolo S. Pedro, e da Basílica de S. Pedro, no Vaticano, onde está o túmulo de S. Pedro, o primeiro Vigário de Jesus Cristo. Estes monumentos são uma lembrança visível da promessa que Nosso Senhor fez pessoalmente a S. Pedro: a de que as “portas do inferno” não prevaleceriam contra a Igreja. É por isso que a Igreja Católica é infalível (ou seja, não pode errar) e da mesma maneira é indefectível, o que quer dizer que nunca pode afastar-se das verdades divinamente reveladas e transformar-se numa religião falsa.

A Igreja Católica será perseguida

Como Católicos, professamos a nossa Fé em que a Santa Igreja Católica se manterá fiel até ao fim do mundo, altura em que Cristo virá de novo para julgar os vivos e os mortos.

Todavia, a Igreja será forçada à clandestinidade por perseguições violentas: na Mensagem de Fátima profetiza-se uma perseguição sangrenta da Igreja. Quando isso acontecer, a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica será obrigada a refugiar-se de novo nas catacumbas, como sucedeu com a Igreja dos primeiros cristãos, ao tempo das perseguições das autoridades romanas.

A Igreja falsificada

Nessa época de falsidades há-de parecer que a Igreja apostatou, quando uma igreja falsificada — denominada católica, mas que, na verdade, é uma falsa seita ecumênica de inspiração maçônica — dará a impressão de tomar o lugar da “antiga” Igreja.

Será este o aspecto mais horrível da Grande Tribulação: a aparente destruição do Catolicismo tradicional e sua ‘substituição’ pela nova “Igreja Católica” ecumênica, monstruosidade pan-religiosa e pan-cristã.

É esta a ‘Grande Apostasia’ — profetizada nas Sagradas Escrituras e no Terceiro Segredo de Fátima — que, neste momento, começa já a tomar forma e a desenvolver-se: a “Casa de Deus” está a ser profanada, violada e desconsagrada, tanto pela heresia ‘cristã’ como pela idolatria pagã. A profanação da Igreja de Deus é a grande abominação profetizada nas Sagradas Escrituras.

Tremendo é este lugar

É com estas palavras que a Liturgia comemora a consagração de uma igreja: “terribilis est locus iste” (tremendo é este lugar). O Templo do Senhor, o Seu Santuário, é um lugar tremendo — que, no verdadeiro sentido da palavra, inspira temor, porque ali somos levados a compreender e a sentir o temor de Deus.

A 9 de Novembro é a Festa da dedicação da Basílica de S. João de Latrão, a igreja do Salvador, que foi durante séculos a Sé Catedral do Romano Pontífice, Bispo de Roma e Papa da Igreja Universal. A 18 de Novembro é a Festa da dedicação da Basílica de S. Pedro, no Vaticano. E assim, comemorando a dedicação destas duas antigas igrejas, a Liturgia da Igreja invoca as palavras «terribilis est locus iste» ‘tremendo é este lugar’; porque a Igreja é “a Casa de Deus e a Porta do Céu”, tal como a Sagrada Liturgia nos ensina ao refletir sobre a natureza celestial e a santificação desse Lugar Sagrado: “a Casa de Deus e a Porta do Céu”.

Portanto, este é um lugar sagrado, diferente dos outros; assim, quando uma igreja é dedicada, fica consagrada a Deus e separada de tudo o que é mundano, de tudo o que é profano, de tudo o que é pagão, de tudo o que é falso, herético ou apóstata. Nos tempos antigos, durante a Cristianização do Império Romano, os templos que tinham sido construídos para os falsos deuses, em vez de serem destruídos, eram remodelados para serem locais apropriados para a presença de Deus. Eram santificados: em primeiro lugar, sendo exorcizados dos seus demônios e dedicados ao serviço de Deus; e, em seguida, sendo santificados pela própria presença de Nosso Senhor Jesus Cristo, Aquele que é o Deus incarnado que desce a nós no Santíssimo Sacramento, e que confere, a esse Lugar sagrado, o maior grau de santificação e de glorificação de Deus.

A glorificação de Deus é um dos temas mais predominantes do Antigo Testamento, porque a glória de Deus é manifestar a Sua Glória e santificar o Seu Nome na Terra, para que a Humanidade participe na Sua santidade e na Sua vida divina. Assim, Deus manifesta a Sua glória e santifica tudo o que é separado das restantes coisas, a fim de ser sagrado e dedicado ao serviço de Deus para santificação dos homens.

Todos os demônios devem ser expulsos

Quando Deus toma posse do Seu Templo sagrado, todos os falsos deuses devem ser expulsos. Foi por isso que, quando os espanhóis chegaram ao México, destruíram os ídolos e puseram em seu lugar a imagem da Santíssima Virgem e do Menino Jesus. Cortez e os seus homens derrubaram e destruiram todos os ídolos diante de uma multidão de pagãos e idólatras enraivecidos sem que estes — ao que parece por intervenção divina — lhes fizessem mal.

O poder de Deus manifestou-se através dos Seus instrumentos humanos ao longo de toda a História da Igreja Católica e da Cristianização das nações. Foi esta a ordem que Jesus Cristo deu aos Seus Apóstolos, quando estava para subir ao Céu, dizendo: «Ide e fazei discípulos de todas as nações, baptizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, ensinando-lhes todas as coisas que Eu vos ensinei. Quem acreditar e for baptizado, será salvo; e quem não acreditar será condenado. E eis que estarei convosco para sempre, até ao fim do mundo.» (Mt. 28:19-20; Mc. 16:15-16).

O Concílio Maçônico – Dom Antonio de Castro Mayer

Artigo de Dom Antonio de Castro Mayer publicado pelo Mosteiro da Santa Cruz:

Monitor Campista, 10/03/1985
Heri et Hodie, nº 59, novembro de 1988
Em 8 de dezembro de 1869 abriu-se em Roma o 1º Concílio do Vaticano. No mesmo dia, Ricciardi, deputado da Sabóia, inaugurava em Nápoles o “Anticoncílio Maçônico”, ao qual aderiram maçons de toda Europa. Destacam-se Victor Hugo, Edgard Quinet, Michelet e notadamente Giuseppe Garibaldi, o homem da destruição do poder temporal dos Papas. Pio IX tencionava firmar a Fé do povo católico contra o Racionalismo e o Naturalismo, implantados pela Revolução Francesa. A Maçonaria pretendia obviar a obra de Pio IX. Ricciardi sintetiza a tarefa do Concílio Maçônico nesta frase: “à cegueira e à mentira representadas pela Igreja Católica, particularmente o Papado, fazia-se uma declaração de guerra perpétua em nome do sagrado princípio da liberdade de consciência”.
Dia 16 de dezembro de 1869 o Concílio maçônico publicava suas resoluções: autonomia do Estado face à Religião, abolição da Religião de Estado, neutralidade religiosa do Ensino, independência da Moral diante da Religião.
A revista italiana católica “Chiesa viva” em seu número de novembro de 1984 dá o seguinte balanço, ao relacionar o anticoncílio maçônico de 1869 e o 2º Concílio do Vaticano, realizado menos de um século depois:
“A quem considera, entre os documentos do Vaticano II, o parágrafo 75 da constituição “Gaudium et spes” e de modo particular, a declaração “Dignitatis humanae” sobre a Liberdade Religiosa, não pode não perceber que este concílio acolhe todos os mais importantes princípios do “Anticoncílio” de 1869, do qual, em conseqüência, queira-se ou não, vem a constituir-se a continuação ideal, na oposição ao Vaticano I e ao Sílabo”.
E mais uma vez se registra que o Vaticano II está no centro da Crise da Igreja.


Fonte: Fratres In Unum 

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A Anti-Igreja

por Dom Antônio de Castro Mayer

"Quando foram distribuídos, entre os padres Conciliares, os primeiros esquemas do Segundo Concílio do Vaticano, interpelaram-me: "V.Sa. acha que, para isso, seria preciso reunir um concílio?" A razão da pergunta é que os esquemas não apresentavam nenhuma novidade.
De fato, a realidade do Segundo Concílio do Vaticano não era o que aparecia. E sim, seus subterrâneos. 
Sob uma aparência tradicional, assegurada pela presença dos Srs. Cardeais Ottaviani, Bacci, Ruffini, Brawne e outros, operava o Cardeal Bea, porta-voz das Bnai-Brth judias e demais moçônicos, convencidos de que era momento de ultimar a obra de destruição da Igreja Católica, implodindo-a sobre si mesma.
Estruturou-se, assim, um concílio sui-generis, sem discussão: os oradores sucediam-se ininterruptamente, uns aos outros, vazando na assembléia o de que nutriam seus espíritos. Não havia nexo entre as várias intervenções. Quem as quisesse contestar, deveria inscrever-se na lista dos postulantes da palavra, e aguardar a sua vez, que poderia ocorrer vários dias depois. 
De maneira que, no Segundo Concílio do Vaticano, quem fazia tudo eram as comissões. E com tal sobranceria que, logo de início, a mesa da presidência jogou fora os esquemas propostos pela comissão preparatória, autorizada pela Santa Sé, ou seja, pelo Papa, a quem, aliás, como chefe supremo da Igreja e Vigário de Jesus Cristo, assiste o direito de propor a matéria a ser tratada nos concílios e a maneira de como fazê-lo. 
Eis que o Segundo Concílio do Vaticano constitui-se numa anti-Igreja. 
Dogma fundamental da Igreja Católica é sua necessidade para a salvação. Não tem os homens liberdade de escolher sua religião, sua Igreja, conforme seu agrado, ou permissão. Sob pena de condenação eterna, devem ingressar na Igreja Católica Romana. Ora, o Vaticano II, neste ponto, fixa, como doutrina inconteste, precisamente o contrário: todo homem tem liberdade visceral de aderir à religião de sua preferência.
Posta esta antítese, neste ponto básico, necessariamente, sobre ele vão se construir edifícios antitéticos. Por isso, dizemos que o Vaticano II, sem restrição, só por este fato, desliga-se da verdadeira Igreja de Cristo.
Ninguém pode, ao mesmo tempo ser católico e subscrever tudo quanto estabeleceu o Concílio Vaticano II. Diríamos que a melhor maneira de abandonar a Igreja de Cristo, Católica Apostólica Romana, é aceitar, sem reservas o que ensinou e propôs o Concílio Vaticano II. Ele é a anti-Igreja."


Jornal Heri et Hodie (de Campos), nº 33 - setembro de 1986.
Cfr. Monitor Campista, 17/08/86)


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Missa Tridentina: elitismo?

Publicado por: avgvstv, em Missa Tridentina em Belo Horizonte, 05-08-2010

Já ouvi de um parente que “essa Missa é para elite”. Outro dia, quando mostrava algumas fotos da liturgia tradicional para um grupo de estudioso afirmei que a tradição católica não é elitista, que entre os freqüentadores da Missa Tridentina no Brasil encontramos de doutores a semi-analfabetos, ricos e pobres. Um franciscano me interpelou falando que não era assim. Reclamava que era coisa de elite porque tudo seria muito caro: “olha como são caras essas velas, como são caros esses paramentos.”

Não me ocorreu uma boa resposta na hora, apenas concordei que são relativamente caros. (Mas nem tanto… custam menos do que certos luxos, além disso, o fato dos paramentos serem caros não prova que todos os freqüentadores da Missa tenham dinheiro… ir a uma Missa no Vaticano ou na Saint-Chapelle não aumenta a conta bancária de ninguém). Depois uma pessoa que estava lá me falou: “podem até ser caros, mas foram pagos por pessoas que querem dar o melhor para Deus!”

Em todo caso, gostaria apenas de mostrar as fotos da Missa pontifical celebrada por Dom Gregory Ochiagha, Bispo emérito de Orlu, Nigéria. Não me parece que quem foi ver a Missa tenha muito dinheiro, nem o local é rico, não passa de uma cobertura de amianto. Além disso, bom seria lembrar que a Missa tradicional foi rezada por séculos em todos os lugares e para todas as pessoas, nas capelas de palácios e nos altares improvisados nas guerras, em ricas basílicas e em pobre santuários, para reis e príncipes e para lavadeiras e pedreiros. Não é uma Missa “para elite”, é o que sempre foi, uma Missa para todos os católicos. Eis as fotos:

Dom Gregory Obinna Ochiagha vai ao altar


Elevação da Eucaristia


Fila para a Comunhão


Primeira Comunhão


Comungantes


Na hora da comunhão


Despedida

terça-feira, 8 de agosto de 2017

O grito lancinante de uma alma

Este texto que estou postando é muito interessante e de grande valia para nós, cristãos. É de interesse de todo cristão católico procurar saber aquilo que leva ao Céu e também, especialmente, o que deixa de levar.

Coloquei o texto na íntegra, pois a edição que eu tenho do texto não tem direitos autorais, então suponho que posso divulgá-lo sem problemas.

==*=*=*==

O autor da presente publicação, no original alemão, prefere conservar no anonimato, tanto a si como os demais personagens do acontecimento.

O escrito, entretanto, corre em prósperas edições, pelas mãos de leitores sempre mais numerosos. Não se pode lê-lo com indiferença ou só por curiosidade. Aos poucos a gente se vê, pessoalmente empenhado em uma valorização reflexa, a um tempo de juízo e de sentimento.

==*=*=*==

Clara era uma moça, falecida ainda jovem, em um Convento da Alemanha. Entre os papéis que deixou, encontrou-se o seguinte manuscrito que publicamos, na íntegra, em versão portuguesa.

Os grifos e anotações são nossos. 

O grito lancinante de uma alma


==*=*=*== 
NIHIL OBSTAT

Sancti Pauli, 1-6-1967 
Sac. Joannes Roatta SSR

IMPRIMATUR 

Sancti Pauli, 9-6-1967 
Mons. Lafayette
Vig. Geral 
==*=*=*==

MANUSCRITO:

Eu tinha uma amiga. Isto é, entramos em contato, por causa do escritório, onde trabalhávamos uma ao lado da outra, em uma firma comercial.

Mais tarde Anita se casou e nunca mais a vi. Afinal, reinava entre nós duas, desde o começo, mais cortesia do que propriamente amizade. Por isso mesmo, pouco senti sua ausência, quando ela, após seu casamento, foi morar em um quarteirão de vilas…, muito longe de minha casa.

Quando no outono de 1937, passava minhas férias às margens do lago de Garda, escreveu-me minha mãe, pelos fins da segunda semana de setembro: “veja, Anita N. morreu! Foi vítima de um acidente de automóvel. Foi sepultada ontem em Waldfriedholf, cemitério do bosque”.

Esta notícia me espantou. Sabia que Anita nunca fora muito religiosa. Estaria preparada, quando Deus, assim de improviso, a chamou?

Na manhã seguinte, assisti a santa missa por ela, na capela particular da pensão das freiras, onde estava hospedada, rezei fervorosamente pela paz de sua alma e até ofereci a Comunhão nesta intenção.

Mas, o dia todo senti um certo mal-estar que pela tarde aumentou ainda mais. Adormeci inquieta. Enfim, fui acordada por um violento bater à minha porta. Acendi a luz. O relógio, sobre o criado, marcava meia-noite e dez. Não vi ninguém. Nenhum barulho se ouvia pela casa. Somente o das ondas do lago de Garda que se quebravam monótonas contra a murada do jardim da pensão. De vento, não se ouvia nem um sopro. E no entanto, ao acordar tinha acreditado perceber, além das batidas da porta, um rumor de vento semelhante àquele que se produzia quando meu chefe de escritório, aborrecido, me passava, de mau jeito, alguma carta.

Refleti por um instante se devia levantar-me. “Tudo histórias…, disse resolutamente a mim mesma. — É a tua imaginação excitada depois daquele caso de morte”. Virei-me para o outro lado, rezei alguns “Pater” pelas almas do purgatório e procurei dormir…

Mas, senti-me irresistivelmente invadida por uma sensibilidade interior que se tornava sempre mais lúcida e nítida, enquanto ao redor de mim a profundidade da noite desvanecia em uma transparência indefinível que dava a mim mesma e a todas as coisas circunstantes, um contorno sem espaço, fora do comum.

Levantei-me alucinada e resolvi, mais depressa do que costumava, descer para a capela da casa, como todas as manhãs. Ao abrir a porta do quarto, tropecei em um maço de folhas soltas de papel de carta. Apanhá-las, reconhecer a caligrafia de Anita e dar um grito foi tudo a mesma coisa.

Tremendo, segurava as folhas na mão. Compreendia que em tal estado de espírito não seria capaz de rezar nem sequer um “Pai Nosso” e além disso, subiu-me um sufocamento asfixiante.

Não encontrei melhor recurso que sair ao ar livre. Arrumei um pouco o cabelo, joguei a carta na bolsa e saí de casa. Subi por um trilho que, além da estrada principal (a famosa Gardesana), vai em direção ao monte, entre oliveiras, jardins de residências e moitas de louros.

A manhã surgia luminosa. Outras vezes, a cada cem passos, eu me extasiava diante do magnífico panorama que dali se abre sobre o lago e sobre a ilha do Garda, bela como de fada.

O insondável azul da água me recreava sempre. Contemplava admirada o cinzento monte Baldo, que, do outro lado, se eleva lentamente, desde 64 até mais de 2.200 metros acima do nível do mar. Entretanto, agora, não tinha nenhum interesse por nada disso. Após um quarto de hora de caminho, me deixei cair, mecanicamente sobre um banco que se apóia entre dois ciprestes, onde, ainda no dia anterior, tinha lido, com tanto prazer, a “Jungfer Therese”, de Federer.[1]

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

A saudação angélica


por Santo Tomás de Aquino, Doutor Angélico.
PRÓLOGO

1. — A saudação angélica é dividida em três partes: A primeira, composta pelo Anjo: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo, bendita és tu entre as mulheres. (Lc 1, 28).

A segunda é obra de Isabel, mãe de João Batista, que disse: Bendito é o fruto do teu ventre.

A terceira parte, a Igreja acrescentou: Maria

O Anjo não disse: Ave Maria e sim, Ave, Cheia de graça. Mas este nome de Maria, efetivamente, se harmoniza com as palavras do Anjo, como veremos mais adiante.

Ave

2. — Na antiguidade, a aparição dos Anjos aos homens era um acontecimento de grande importância e os homens sentiam-se extremamente honrados em poder testemunhar sua veneração aos Anjos.
A Sagrada Escritura louva Abraão por ter dado hospitalidade aos Anjos e por tê-los reverenciado.

Mas um Anjo se inclinar diante de uma criatura humana, nunca se tinha ouvido dizer antes que o Anjo tivesse saudado à Santíssima Virgem, reverenciando-a e dizendo: Ave.

3. — Sé na antiguidade o homem reverenciava o Anjo e o Anjo não reverenciava o homem, é porque o Anjo é maior que o homem e o é por três diferentes razões:

Primeiramente, o Anjo é superior ao homem por sua natureza espiritual.

Está escrito: Dos seres espirituais Deus fez seus Anjos. (Sl 103).

4. — O homem tem uma natureza corrutível e por isso Abraão dizia a Deus: (Gn 18, 27) Falarei a meu Senhor, eu que sou cinza e pó.

Não convém que a criatura espiritual e incorruptível renda homenagem à criatura corruptível.

Em segundo lugar, o Anjo ultrapassa o homem por sua familiaridade com Deus.

Com efeito, o Anjo pertence à família de Deus, mantendo-se a seus pés. Milhares de milhares de Anjos o serviam, e dez milhares de centenas de milhares mantinham-se em sua presença, está escrito em Daniel (7, 10).

Mas o homem é quase estranho a Deus, como um exilado longe de sua face pelo pecado, como diz o Salmista: (54, 8) Fugindo, afastei-me de Deus.

Convém, pois, ao homem honrar o Anjo por causa de sua proximidade com a majestade divina e de sua intimidade com ela.

Em terceiro lugar, o Anjo foi elevado acima do homem, pela plenitude do esplendor da graça divina que possui. Os Anjos participam da própria luz divina em mais perfeita plenitude. Pode-se enumerar os soldados de Deus, diz Jó (25, 3) e haverá algum sobre quem não se levante a sua luz? Por isso os Anjos aparecem sempre luminosos. Mas os homens participam também desta luz, porém com parcimônia e como num claro-escuro.

Por conseguinte, não convinha ao Anjo inclinar-se diante do homem, até, o dia em que apareceu urna criatura humana que sobrepujava os Anjos por sua plenitude de graças (cf n° 5 a 10), por sua familiaridade com Deus (cf. n° 10) e por sua dignidade.

Esta criatura humana foi a bem-aventurada Virgem Maria. Para reconhecer esta superioridade, o Anjo lhe testemunhou sua veneração por esta palavra: Ave.