segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Profecia de São Francisco de Assis


"Um homem, não escolhido canonicamente, será levado ao Pontificado ... Naqueles dias, Jesus Cristo não lhes enviará um verdadeiro Pastor, mas um Destruidor"


Pouco antes de morrer em 1226, São Francisco de Assis reuniu os membros do seu pedido e advertiu-lhes de grandes tribulações que aconteceriam na Igreja no futuro, dizendo:

  1. Ajam bravamente, meus irmãos; Tomem coragem e confie no Senhor. O tempo se aproxima rapidamente em que haverá grandes provações e aflições; Perplexidades e dissensões, tanto espirituais como temporais, abundam; A caridade de muitos ficará fria, e a maldade dos ímpios aumentará.
  2. Os demônios terão um poder incomum, a pureza imaculada da nossa Ordem e dos outros estarão muito obscurecidas de que haverá muito poucos cristãos que obedecerão ao verdadeiro Soberano Pontífice e à Igreja Romana com corações leais e caridade perfeita. No momento desta tribulação, um homem, não canonicamente eleito, será levado ao Pontificado, que, por sua astúcia, procurará atrair muitos para o erro e a morte.
  3. Então os escândalos serão multiplicados, nossa Ordem será dividida e muitos outros serão inteiramente destruídos, porque consentirão em erro ao invés de se oporem a ele.
  4. Haverá tanta diversidade de opiniões e cismas entre as pessoas, o religioso e o clero, que, exceto aqueles dias foram encurtados, de acordo com as palavras do Evangelho, até os eleitos seriam levados ao erro, se não fossem especialmente guiados, Em meio a uma grande confusão, pela imensa misericórdia de Deus.
  5. Então, nossa Regra e estilo de vida se oporão violentamente por alguns, e provações terríveis virão sobre nós. Aqueles que são encontrados fiéis receberão a coroa da vida; Mas ai daqueles que, confiando apenas na sua Ordem, cairão na tepidez, pois não poderão apoiar as tentações permitidas para provar os eleitos.
  6. Aqueles que preservam seu fervor e aderem à virtude com amor e zelo pela verdade sofrerão ferimentos e perseguições como rebeldes e cismáticos; Para os seus perseguidores, exortados pelos espíritos malignos, dirão que estão prestando um ótimo serviço a Deus destruindo homens tão pestilentos da face da terra. Mas o Senhor será o refúgio dos aflitos, e salvará todos os que neguem nele. E, para serem como a sua Cabeça [Jesus Cristo], estes, os eleitos, agirão com confiança, e por sua morte comprarão para si a vida eterna; Optando por obedecer a Deus em vez do homem, eles não temerão nada, e eles preferem perecer [fisicamente] ao invés de consentir na falsidade e na perfídia.
  7. Alguns pregadores manterão o silêncio sobre a verdade, e outros o pisarão no pé e negarão isso. A santidade da vida será ridicularizada mesmo por aqueles que professam externamente, pois naqueles dias Jesus Cristo não lhes enviará um verdadeiro Pastor, mas um destruidor.

(Works of the Seraphic Father St. Francis Of Assisi [London: R. Washbourne, 1882], pp. 248-250).


Para verificar por si mesmo que essas palavras foram transcritas com precisão a partir de sua fonte, estamos fornecendo imagens digitalizadas das páginas a partir das quais foram tiradas:

Folha de rosto


Página 248


Página 249


Página 250


Além disso, o livro que contém esta profecia está disponível em PDF para download. Clique aqui para fazer o download. Se você quiser comprar uma cópia de bolso, clique aqui.

Claramente, essas palavras proféticas de São Francisco nunca foram mais relevantes do que hoje. Existem rumores de que São Francisco também disse que o falso papa que ele estava alertando teria o seu próprio nome ("Francisco"), mas não conseguimos verificar essa informação ou encontrar uma fonte para isso.

Embora não devamos buscar profecias, revelações ou aparições especiais, nem torná-las a base para a nossa posição teológica, compartilhamos essa profecia com os nossos leitores para tranquilizá-los de que nossos tempos, embora extraordinários, foram conhecidos e preditos por vários santos.

São Francisco de Assis, rogai por nós.




domingo, 20 de agosto de 2017

Catecismo Anticomunista

Catecismo Anticomunista

D. Geraldo de Proença Sigaud

I. O QUE É O COMUNISMO E O QUE ELE ENSINA

1 Que é o comunismo?
           O comunismo e uma seita internacional, que segue a doutrina de Karl Marx, e trabalha para destruir a sociedade humana baseada na, lei de Deus e no Evangelho, bem como para instaurar o reino de Satanás neste mundo, implantando um Estado ímpio e revolucionário, e organizando a vida dos homens de sorte que se esqueçam de Deus e da eternidade.

2 Qual é a doutrina que a seita comunista ensina?
            A seita comunista ensina a doutrina do mais completo materialismo.

3 Que ensina o materialismo comunista a, respeito de Deus?
            O materialismo comunista ensina que Deus não existe, e que só existe a matéria.

4 Contenta-se a seita comunista em ensinar que não há Deus e que só existe a matéria?
           A seita comunista dá grande importância a um materialismo prático, em que o homem cogita se Deus existe ou não, mas procede, pensa e organiza sua vida sem se incomodar com Deus nem se lembrar dEle. Assim; aos poucos chega também ao materialismo teórico.
           O comunista verdadeiro é materialista teórico e prático, para poder levar seus prosélitos ao caminho aludido.

5 Que pensa a seita comunista a respeito da alma?
            Para a seita comunista o homem é só matéria, e a alma não existe.

6 Que pensa a seita comunista a respeito da eternidade?
            Para a seita comunista o homem desaparece totalmente após a morte. Não há Céu nem inferno, não há felicidade nem castigo depois desta vida.

7 Que pensa a seita comunista a respeito da natureza humana?
            Para a seita comunista o homem é um simples animal; embora mais evoluído do que o boi e o macaco, não passa de animal.

8 Qual e a primeira conseqüência prática desta doutrina?
            A primeira conseqüência prática deste materialismo é que o homem deve procurar sua felicidade somente nesta terra, e no gozo dos prazeres que a vida terrena oferece.

9 O homem, segundo pendi de Deus e da sua lei?
            Não. Uma vez que só há mataria, o homem não depende de Deus, que não existe; ele é supremo senhor de si mesmo.

A postura na Missa


Diz o Concílio de Trento: "Se somos, forçosamente, obrigados a confessar que os fiéis não podem exercer obra mais Santa nem mais divina do que este Mistério terrível, no qual a Hóstia vivificadora, que nos reconciliou com 

Deus Pai, é, todos os dias, imolada pelos sacerdotes, parece bastante claro que devemos ter muito cuidado para fazer esta ação com grande pureza de coração e com a maior devoção exterior possível". 

Os primeiros cristãos nos deram admiráveis exemplos a este respeito. Segundo o testemunho de S. João Crisóstomo, ao entrar na Igreja, beijavam, humildemente, o assoalho e guardavam, durante a Santa Missa, tal recolhimento que se julgava estar em lugar deserto. 

Era de observar o preceito da liturgia de S. Tiago: "Todos devem se conservar no silêncio, no temor, no medo e no esquecimento das coisas terrestres, quando o Rei dos reis, Nosso Senhor Jesus Cristo, vem imolar-se e dar-se em alimento aos fiéis". 

São Martinho conformou-se, exatamente, com esta recomendação. Nunca se sentava na igreja; de joelhos, ou em pé, orava com ar compenetrado de um santo assombro. Quando lhe perguntavam pela razão desta atitude, costumava dizer: "Como não temeria, visto que me acho em presença do Senhor?". 

Ora, se o próprio Jesus expulsou, a chicote, os profanadores do templo, como tratará os cristãos audaciosos? 

Sobre conversas vãs durante a Missa

Não é proibido responder a uma pergunta útil nem dizer uma palavra necessária; é proibido, conversar coisas inúteis, fazer observações sobre o próximo, saudar-se mutuamente, como se estivesse na rua, e outras coisas semelhantes que impedem seguir, atentamente, a Santa Missa. 

Jesus Cristo nos preveniu: "Os homens darão conta, no dia do Juízo, de toda palavra ociosa" (Mt. 12, 36). Ora, haverá palavras mais inúteis do que as proferidas durante o tremendo Mistério do Altar? 

São Crisóstomo opina que os que falam e riem, durante a Santa Missa, merecem ser fulminados na Igreja. Com esta ameaça, o santo Doutor aponta também os que, por direito e dever, deveriam impedir as irreverências: os pais que não repreendem nem corrigem os filhos dissipados; os mestres e amos que não vigiam a atitude de seus alunos e criados. 

A melhor posição durante a Missa

São Paulo nos convida, quando diz que, "ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e nos infernos" (Fl. 2, 10). Com mais razão ainda, devemos guardar esta atitude durante a presença real do divino Salvador, isto é, desde a elevação até a Comunhão. 

Muitas pessoas, homens sobretudo, têm o mau costume de ficar em pé durante toda Missa; apenas inclinam-se à consagração para levantar-se logo depois, como se Jesus não estivesse presente. 

Quem não puder permanecer de joelhos durante toda a Missa, poderia ficar em pé até o momento da consagração e depois da Comunhão. A presença real de Nosso Senhor torna também inconveniente o costume de muitas pessoas de sentarem-se, sem motivo de força maior, imediatamente depois da elevação. Se estivessem na presença dos grandes da terra, em alguma reunião mundana, a força não lhes faltaria, mesmo para tomar atitudes muito mais penosas do que a de estar de joelhos! 

A modéstia dentro e fora da Igreja

As senhoras e moças que vão à Missa vestidas à última moda, às vezes bastante indecente para lugar tão santo. Estas pessoas não medem a imensa dívida que contraem para com Deus. O luxo é como um archote que acende desejos ilícitos até no coração dos justos; que fogo não acenderá nos levianos e impuros! As pessoas adornadas com tanto cuidado são sempre perigosas: desviam do altar a atenção dos homens e são a causa de distrações e pensamentos criminosos. Quem prepara o veneno comete um pecado mortal, mesmo que não o tome aquele a quem é destinado; o mesmo acontece com estas pessoas: pecam pelo único fato de expor os outros à tentação. Sua falta é ainda mais escandalosa, quando assim se apresentam na Santa Missa. Como responderão por suas vítimas no dia do Juízo? Acrescenta a isso que são uma ocasião de pecado para outras senhoras, a quem servem de figurinos de imitação. 

Será, porém, na hora da morte, principalmente, que experimentarás quanto o Senhor é bom para os que honram os sagrados Mistérios do Altar, ao passo que os indiferentes e tíbios meditarão, num amargo, mas inútil arrependimento, o prejuízo que fizeram a seus interesses eternos. 

Por fim o que diziam os Santos sobre a Santa Missa

"Fica sabendo, ó cristão, que mais se merece participar devotamente de uma só Missa, do que distribuir todas as riquezas aos pobres e peregrinar toda a Terra." (São Bernardo)

"Eis o meio mais adequado para assistir com fruto a Santa Missa: consiste em irdes à igreja como se fôsseis ao Calvário, e de vos comportardes diante do altar como o faríeis diante do Trono de Deus, em companhia dos santos anjos. Vede, por conseguinte, que modéstia, que respeito, que recolhimento são necessários para receber o fruto e as graças que Deus costuma conceder àqueles que honram, com sua piedosa atitude, mistérios tão santos." (São Leonardo de Porto Maurício)

"Como nós devemos ouvir a Santa Missa?. - Como a assistiam a Santa Virgem Maria e as Santas mulheres. Como São João assistiu ao Sacrifício Eucarístico e ao Sacrificio sangrento da cruz." (São Pio de Pietrelcina) 


sexta-feira, 11 de agosto de 2017

«Roma perderá a Fé e tornar-se-á a sede do Anticristo»

A Abominação:

A profanação de Fátima

Artigo baseado numa palestra proferida pelo Padre Paul Kramer, B.Ph., S.T.B., M. Div., S.T.L.(Cand.), provavelmente nos primeiros anos do pontificado do Papa Bento XVI.



A Liturgia da Igreja comemora a dedicação da Basílica de S. João de Latrão, a catedral do sucessor do Apóstolo S. Pedro, e da Basílica de S. Pedro, no Vaticano, onde está o túmulo de S. Pedro, o primeiro Vigário de Jesus Cristo. Estes monumentos são uma lembrança visível da promessa que Nosso Senhor fez pessoalmente a S. Pedro: a de que as “portas do inferno” não prevaleceriam contra a Igreja. É por isso que a Igreja Católica é infalível (ou seja, não pode errar) e da mesma maneira é indefectível, o que quer dizer que nunca pode afastar-se das verdades divinamente reveladas e transformar-se numa religião falsa.

A Igreja Católica será perseguida

Como Católicos, professamos a nossa Fé em que a Santa Igreja Católica se manterá fiel até ao fim do mundo, altura em que Cristo virá de novo para julgar os vivos e os mortos.

Todavia, a Igreja será forçada à clandestinidade por perseguições violentas: na Mensagem de Fátima profetiza-se uma perseguição sangrenta da Igreja. Quando isso acontecer, a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica será obrigada a refugiar-se de novo nas catacumbas, como sucedeu com a Igreja dos primeiros cristãos, ao tempo das perseguições das autoridades romanas.

A Igreja falsificada

Nessa época de falsidades há-de parecer que a Igreja apostatou, quando uma igreja falsificada — denominada católica, mas que, na verdade, é uma falsa seita ecumênica de inspiração maçônica — dará a impressão de tomar o lugar da “antiga” Igreja.

Será este o aspecto mais horrível da Grande Tribulação: a aparente destruição do Catolicismo tradicional e sua ‘substituição’ pela nova “Igreja Católica” ecumênica, monstruosidade pan-religiosa e pan-cristã.

É esta a ‘Grande Apostasia’ — profetizada nas Sagradas Escrituras e no Terceiro Segredo de Fátima — que, neste momento, começa já a tomar forma e a desenvolver-se: a “Casa de Deus” está a ser profanada, violada e desconsagrada, tanto pela heresia ‘cristã’ como pela idolatria pagã. A profanação da Igreja de Deus é a grande abominação profetizada nas Sagradas Escrituras.

Tremendo é este lugar

É com estas palavras que a Liturgia comemora a consagração de uma igreja: “terribilis est locus iste” (tremendo é este lugar). O Templo do Senhor, o Seu Santuário, é um lugar tremendo — que, no verdadeiro sentido da palavra, inspira temor, porque ali somos levados a compreender e a sentir o temor de Deus.

A 9 de Novembro é a Festa da dedicação da Basílica de S. João de Latrão, a igreja do Salvador, que foi durante séculos a Sé Catedral do Romano Pontífice, Bispo de Roma e Papa da Igreja Universal. A 18 de Novembro é a Festa da dedicação da Basílica de S. Pedro, no Vaticano. E assim, comemorando a dedicação destas duas antigas igrejas, a Liturgia da Igreja invoca as palavras «terribilis est locus iste» ‘tremendo é este lugar’; porque a Igreja é “a Casa de Deus e a Porta do Céu”, tal como a Sagrada Liturgia nos ensina ao refletir sobre a natureza celestial e a santificação desse Lugar Sagrado: “a Casa de Deus e a Porta do Céu”.

Portanto, este é um lugar sagrado, diferente dos outros; assim, quando uma igreja é dedicada, fica consagrada a Deus e separada de tudo o que é mundano, de tudo o que é profano, de tudo o que é pagão, de tudo o que é falso, herético ou apóstata. Nos tempos antigos, durante a Cristianização do Império Romano, os templos que tinham sido construídos para os falsos deuses, em vez de serem destruídos, eram remodelados para serem locais apropriados para a presença de Deus. Eram santificados: em primeiro lugar, sendo exorcizados dos seus demônios e dedicados ao serviço de Deus; e, em seguida, sendo santificados pela própria presença de Nosso Senhor Jesus Cristo, Aquele que é o Deus incarnado que desce a nós no Santíssimo Sacramento, e que confere, a esse Lugar sagrado, o maior grau de santificação e de glorificação de Deus.

A glorificação de Deus é um dos temas mais predominantes do Antigo Testamento, porque a glória de Deus é manifestar a Sua Glória e santificar o Seu Nome na Terra, para que a Humanidade participe na Sua santidade e na Sua vida divina. Assim, Deus manifesta a Sua glória e santifica tudo o que é separado das restantes coisas, a fim de ser sagrado e dedicado ao serviço de Deus para santificação dos homens.

Todos os demônios devem ser expulsos

Quando Deus toma posse do Seu Templo sagrado, todos os falsos deuses devem ser expulsos. Foi por isso que, quando os espanhóis chegaram ao México, destruíram os ídolos e puseram em seu lugar a imagem da Santíssima Virgem e do Menino Jesus. Cortez e os seus homens derrubaram e destruiram todos os ídolos diante de uma multidão de pagãos e idólatras enraivecidos sem que estes — ao que parece por intervenção divina — lhes fizessem mal.

O poder de Deus manifestou-se através dos Seus instrumentos humanos ao longo de toda a História da Igreja Católica e da Cristianização das nações. Foi esta a ordem que Jesus Cristo deu aos Seus Apóstolos, quando estava para subir ao Céu, dizendo: «Ide e fazei discípulos de todas as nações, baptizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, ensinando-lhes todas as coisas que Eu vos ensinei. Quem acreditar e for baptizado, será salvo; e quem não acreditar será condenado. E eis que estarei convosco para sempre, até ao fim do mundo.» (Mt. 28:19-20; Mc. 16:15-16).

O Concílio Maçônico – Dom Antonio de Castro Mayer

Artigo de Dom Antonio de Castro Mayer publicado pelo Mosteiro da Santa Cruz:

Monitor Campista, 10/03/1985
Heri et Hodie, nº 59, novembro de 1988
Em 8 de dezembro de 1869 abriu-se em Roma o 1º Concílio do Vaticano. No mesmo dia, Ricciardi, deputado da Sabóia, inaugurava em Nápoles o “Anticoncílio Maçônico”, ao qual aderiram maçons de toda Europa. Destacam-se Victor Hugo, Edgard Quinet, Michelet e notadamente Giuseppe Garibaldi, o homem da destruição do poder temporal dos Papas. Pio IX tencionava firmar a Fé do povo católico contra o Racionalismo e o Naturalismo, implantados pela Revolução Francesa. A Maçonaria pretendia obviar a obra de Pio IX. Ricciardi sintetiza a tarefa do Concílio Maçônico nesta frase: “à cegueira e à mentira representadas pela Igreja Católica, particularmente o Papado, fazia-se uma declaração de guerra perpétua em nome do sagrado princípio da liberdade de consciência”.
Dia 16 de dezembro de 1869 o Concílio maçônico publicava suas resoluções: autonomia do Estado face à Religião, abolição da Religião de Estado, neutralidade religiosa do Ensino, independência da Moral diante da Religião.
A revista italiana católica “Chiesa viva” em seu número de novembro de 1984 dá o seguinte balanço, ao relacionar o anticoncílio maçônico de 1869 e o 2º Concílio do Vaticano, realizado menos de um século depois:
“A quem considera, entre os documentos do Vaticano II, o parágrafo 75 da constituição “Gaudium et spes” e de modo particular, a declaração “Dignitatis humanae” sobre a Liberdade Religiosa, não pode não perceber que este concílio acolhe todos os mais importantes princípios do “Anticoncílio” de 1869, do qual, em conseqüência, queira-se ou não, vem a constituir-se a continuação ideal, na oposição ao Vaticano I e ao Sílabo”.
E mais uma vez se registra que o Vaticano II está no centro da Crise da Igreja.


Fonte: Fratres In Unum 

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A Anti-Igreja

por Dom Antônio de Castro Mayer

"Quando foram distribuídos, entre os padres Conciliares, os primeiros esquemas do Segundo Concílio do Vaticano, interpelaram-me: "V.Sa. acha que, para isso, seria preciso reunir um concílio?" A razão da pergunta é que os esquemas não apresentavam nenhuma novidade.
De fato, a realidade do Segundo Concílio do Vaticano não era o que aparecia. E sim, seus subterrâneos. 
Sob uma aparência tradicional, assegurada pela presença dos Srs. Cardeais Ottaviani, Bacci, Ruffini, Brawne e outros, operava o Cardeal Bea, porta-voz das Bnai-Brth judias e demais moçônicos, convencidos de que era momento de ultimar a obra de destruição da Igreja Católica, implodindo-a sobre si mesma.
Estruturou-se, assim, um concílio sui-generis, sem discussão: os oradores sucediam-se ininterruptamente, uns aos outros, vazando na assembléia o de que nutriam seus espíritos. Não havia nexo entre as várias intervenções. Quem as quisesse contestar, deveria inscrever-se na lista dos postulantes da palavra, e aguardar a sua vez, que poderia ocorrer vários dias depois. 
De maneira que, no Segundo Concílio do Vaticano, quem fazia tudo eram as comissões. E com tal sobranceria que, logo de início, a mesa da presidência jogou fora os esquemas propostos pela comissão preparatória, autorizada pela Santa Sé, ou seja, pelo Papa, a quem, aliás, como chefe supremo da Igreja e Vigário de Jesus Cristo, assiste o direito de propor a matéria a ser tratada nos concílios e a maneira de como fazê-lo. 
Eis que o Segundo Concílio do Vaticano constitui-se numa anti-Igreja. 
Dogma fundamental da Igreja Católica é sua necessidade para a salvação. Não tem os homens liberdade de escolher sua religião, sua Igreja, conforme seu agrado, ou permissão. Sob pena de condenação eterna, devem ingressar na Igreja Católica Romana. Ora, o Vaticano II, neste ponto, fixa, como doutrina inconteste, precisamente o contrário: todo homem tem liberdade visceral de aderir à religião de sua preferência.
Posta esta antítese, neste ponto básico, necessariamente, sobre ele vão se construir edifícios antitéticos. Por isso, dizemos que o Vaticano II, sem restrição, só por este fato, desliga-se da verdadeira Igreja de Cristo.
Ninguém pode, ao mesmo tempo ser católico e subscrever tudo quanto estabeleceu o Concílio Vaticano II. Diríamos que a melhor maneira de abandonar a Igreja de Cristo, Católica Apostólica Romana, é aceitar, sem reservas o que ensinou e propôs o Concílio Vaticano II. Ele é a anti-Igreja."


Jornal Heri et Hodie (de Campos), nº 33 - setembro de 1986.
Cfr. Monitor Campista, 17/08/86)


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Missa Tridentina: elitismo?

Publicado por: avgvstv, em Missa Tridentina em Belo Horizonte, 05-08-2010

Já ouvi de um parente que “essa Missa é para elite”. Outro dia, quando mostrava algumas fotos da liturgia tradicional para um grupo de estudioso afirmei que a tradição católica não é elitista, que entre os freqüentadores da Missa Tridentina no Brasil encontramos de doutores a semi-analfabetos, ricos e pobres. Um franciscano me interpelou falando que não era assim. Reclamava que era coisa de elite porque tudo seria muito caro: “olha como são caras essas velas, como são caros esses paramentos.”

Não me ocorreu uma boa resposta na hora, apenas concordei que são relativamente caros. (Mas nem tanto… custam menos do que certos luxos, além disso, o fato dos paramentos serem caros não prova que todos os freqüentadores da Missa tenham dinheiro… ir a uma Missa no Vaticano ou na Saint-Chapelle não aumenta a conta bancária de ninguém). Depois uma pessoa que estava lá me falou: “podem até ser caros, mas foram pagos por pessoas que querem dar o melhor para Deus!”

Em todo caso, gostaria apenas de mostrar as fotos da Missa pontifical celebrada por Dom Gregory Ochiagha, Bispo emérito de Orlu, Nigéria. Não me parece que quem foi ver a Missa tenha muito dinheiro, nem o local é rico, não passa de uma cobertura de amianto. Além disso, bom seria lembrar que a Missa tradicional foi rezada por séculos em todos os lugares e para todas as pessoas, nas capelas de palácios e nos altares improvisados nas guerras, em ricas basílicas e em pobre santuários, para reis e príncipes e para lavadeiras e pedreiros. Não é uma Missa “para elite”, é o que sempre foi, uma Missa para todos os católicos. Eis as fotos:

Dom Gregory Obinna Ochiagha vai ao altar


Elevação da Eucaristia


Fila para a Comunhão


Primeira Comunhão


Comungantes


Na hora da comunhão


Despedida

terça-feira, 8 de agosto de 2017

O grito lancinante de uma alma

Este texto que estou postando é muito interessante e de grande valia para nós, cristãos. É de interesse de todo cristão católico procurar saber aquilo que leva ao Céu e também, especialmente, o que deixa de levar.

Coloquei o texto na íntegra, pois a edição que eu tenho do texto não tem direitos autorais, então suponho que posso divulgá-lo sem problemas.

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O autor da presente publicação, no original alemão, prefere conservar no anonimato, tanto a si como os demais personagens do acontecimento.

O escrito, entretanto, corre em prósperas edições, pelas mãos de leitores sempre mais numerosos. Não se pode lê-lo com indiferença ou só por curiosidade. Aos poucos a gente se vê, pessoalmente empenhado em uma valorização reflexa, a um tempo de juízo e de sentimento.

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Clara era uma moça, falecida ainda jovem, em um Convento da Alemanha. Entre os papéis que deixou, encontrou-se o seguinte manuscrito que publicamos, na íntegra, em versão portuguesa.

Os grifos e anotações são nossos. 

O grito lancinante de uma alma


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NIHIL OBSTAT

Sancti Pauli, 1-6-1967 
Sac. Joannes Roatta SSR

IMPRIMATUR 

Sancti Pauli, 9-6-1967 
Mons. Lafayette
Vig. Geral 
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MANUSCRITO:

Eu tinha uma amiga. Isto é, entramos em contato, por causa do escritório, onde trabalhávamos uma ao lado da outra, em uma firma comercial.

Mais tarde Anita se casou e nunca mais a vi. Afinal, reinava entre nós duas, desde o começo, mais cortesia do que propriamente amizade. Por isso mesmo, pouco senti sua ausência, quando ela, após seu casamento, foi morar em um quarteirão de vilas…, muito longe de minha casa.

Quando no outono de 1937, passava minhas férias às margens do lago de Garda, escreveu-me minha mãe, pelos fins da segunda semana de setembro: “veja, Anita N. morreu! Foi vítima de um acidente de automóvel. Foi sepultada ontem em Waldfriedholf, cemitério do bosque”.

Esta notícia me espantou. Sabia que Anita nunca fora muito religiosa. Estaria preparada, quando Deus, assim de improviso, a chamou?

Na manhã seguinte, assisti a santa missa por ela, na capela particular da pensão das freiras, onde estava hospedada, rezei fervorosamente pela paz de sua alma e até ofereci a Comunhão nesta intenção.

Mas, o dia todo senti um certo mal-estar que pela tarde aumentou ainda mais. Adormeci inquieta. Enfim, fui acordada por um violento bater à minha porta. Acendi a luz. O relógio, sobre o criado, marcava meia-noite e dez. Não vi ninguém. Nenhum barulho se ouvia pela casa. Somente o das ondas do lago de Garda que se quebravam monótonas contra a murada do jardim da pensão. De vento, não se ouvia nem um sopro. E no entanto, ao acordar tinha acreditado perceber, além das batidas da porta, um rumor de vento semelhante àquele que se produzia quando meu chefe de escritório, aborrecido, me passava, de mau jeito, alguma carta.

Refleti por um instante se devia levantar-me. “Tudo histórias…, disse resolutamente a mim mesma. — É a tua imaginação excitada depois daquele caso de morte”. Virei-me para o outro lado, rezei alguns “Pater” pelas almas do purgatório e procurei dormir…

Mas, senti-me irresistivelmente invadida por uma sensibilidade interior que se tornava sempre mais lúcida e nítida, enquanto ao redor de mim a profundidade da noite desvanecia em uma transparência indefinível que dava a mim mesma e a todas as coisas circunstantes, um contorno sem espaço, fora do comum.

Levantei-me alucinada e resolvi, mais depressa do que costumava, descer para a capela da casa, como todas as manhãs. Ao abrir a porta do quarto, tropecei em um maço de folhas soltas de papel de carta. Apanhá-las, reconhecer a caligrafia de Anita e dar um grito foi tudo a mesma coisa.

Tremendo, segurava as folhas na mão. Compreendia que em tal estado de espírito não seria capaz de rezar nem sequer um “Pai Nosso” e além disso, subiu-me um sufocamento asfixiante.

Não encontrei melhor recurso que sair ao ar livre. Arrumei um pouco o cabelo, joguei a carta na bolsa e saí de casa. Subi por um trilho que, além da estrada principal (a famosa Gardesana), vai em direção ao monte, entre oliveiras, jardins de residências e moitas de louros.

A manhã surgia luminosa. Outras vezes, a cada cem passos, eu me extasiava diante do magnífico panorama que dali se abre sobre o lago e sobre a ilha do Garda, bela como de fada.

O insondável azul da água me recreava sempre. Contemplava admirada o cinzento monte Baldo, que, do outro lado, se eleva lentamente, desde 64 até mais de 2.200 metros acima do nível do mar. Entretanto, agora, não tinha nenhum interesse por nada disso. Após um quarto de hora de caminho, me deixei cair, mecanicamente sobre um banco que se apóia entre dois ciprestes, onde, ainda no dia anterior, tinha lido, com tanto prazer, a “Jungfer Therese”, de Federer.[1]

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

A saudação angélica


por Santo Tomás de Aquino, Doutor Angélico.
PRÓLOGO

1. — A saudação angélica é dividida em três partes: A primeira, composta pelo Anjo: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo, bendita és tu entre as mulheres. (Lc 1, 28).

A segunda é obra de Isabel, mãe de João Batista, que disse: Bendito é o fruto do teu ventre.

A terceira parte, a Igreja acrescentou: Maria

O Anjo não disse: Ave Maria e sim, Ave, Cheia de graça. Mas este nome de Maria, efetivamente, se harmoniza com as palavras do Anjo, como veremos mais adiante.

Ave

2. — Na antiguidade, a aparição dos Anjos aos homens era um acontecimento de grande importância e os homens sentiam-se extremamente honrados em poder testemunhar sua veneração aos Anjos.
A Sagrada Escritura louva Abraão por ter dado hospitalidade aos Anjos e por tê-los reverenciado.

Mas um Anjo se inclinar diante de uma criatura humana, nunca se tinha ouvido dizer antes que o Anjo tivesse saudado à Santíssima Virgem, reverenciando-a e dizendo: Ave.

3. — Sé na antiguidade o homem reverenciava o Anjo e o Anjo não reverenciava o homem, é porque o Anjo é maior que o homem e o é por três diferentes razões:

Primeiramente, o Anjo é superior ao homem por sua natureza espiritual.

Está escrito: Dos seres espirituais Deus fez seus Anjos. (Sl 103).

4. — O homem tem uma natureza corrutível e por isso Abraão dizia a Deus: (Gn 18, 27) Falarei a meu Senhor, eu que sou cinza e pó.

Não convém que a criatura espiritual e incorruptível renda homenagem à criatura corruptível.

Em segundo lugar, o Anjo ultrapassa o homem por sua familiaridade com Deus.

Com efeito, o Anjo pertence à família de Deus, mantendo-se a seus pés. Milhares de milhares de Anjos o serviam, e dez milhares de centenas de milhares mantinham-se em sua presença, está escrito em Daniel (7, 10).

Mas o homem é quase estranho a Deus, como um exilado longe de sua face pelo pecado, como diz o Salmista: (54, 8) Fugindo, afastei-me de Deus.

Convém, pois, ao homem honrar o Anjo por causa de sua proximidade com a majestade divina e de sua intimidade com ela.

Em terceiro lugar, o Anjo foi elevado acima do homem, pela plenitude do esplendor da graça divina que possui. Os Anjos participam da própria luz divina em mais perfeita plenitude. Pode-se enumerar os soldados de Deus, diz Jó (25, 3) e haverá algum sobre quem não se levante a sua luz? Por isso os Anjos aparecem sempre luminosos. Mas os homens participam também desta luz, porém com parcimônia e como num claro-escuro.

Por conseguinte, não convinha ao Anjo inclinar-se diante do homem, até, o dia em que apareceu urna criatura humana que sobrepujava os Anjos por sua plenitude de graças (cf n° 5 a 10), por sua familiaridade com Deus (cf. n° 10) e por sua dignidade.

Esta criatura humana foi a bem-aventurada Virgem Maria. Para reconhecer esta superioridade, o Anjo lhe testemunhou sua veneração por esta palavra: Ave.

domingo, 6 de agosto de 2017

Missão dominicana no Brasil – agosto e setembro de 2017


Haverá conferências/sermões sobre diferentes assuntos : segundo a organização, a cada etapa poderemos celebrar a Missa com sermão, assegurar as confissões e fazer uma exposição (ou mais, de acordo com o tempo disposto).

  • Fr. Agostinho: sobre a Ordem Terceira dos Pregadores (dominicana) e a espiritualidade dominicana;

  • Fr. Luiz Beltrão: sobre o Rosário e a Confraria do Rosário ;

  • Fr. Reginaldo (sacerdote): sobre os sacramentos da Eucaristia e da Penitência – as células doutrinais – a arte apologética – a devoção ao Sagrado Coração e ao Imaculado Coração de Maria – a entronização do Sagrado Coração nas famílias, obra de salvação social.


17 a 20 de agosto: no Mosteiro da Santa Cruz (ver a programação no final)

19: dia de retiro para os fiéis do Mosteiro. Centenário da 4ª aparição de Nossa Senhora em Fátima.

20: conferência sobre a Ordem Terceira dominicana com apresentação de slides sobre o convento de Avrillé antes da missa; imposição do escapulário da Ordem Terceira ao Renato durante a santa missa, sermão.

22: em São Paulo ; missa, sermão, conferência(s). Festa do Imaculado Coração de Maria

23: em Santo André-SP ; missa, sermão, conferência(s).

24 a 25: em Curitiba-PR : missa, sermão, conferências.

26: em Foz do Iguaçu-PR (aqui estará apenas Fr. Reginaldo) ; missa, sermão, (conferência?)

26 a 27: em Maringá-PR, Sábado, os frades (não sacerdotes) estarão sozinhos : conferências, terço…


  • Domingo: missa sermão, conferência(s).


28 a 30: no Convento das Escravas de Maria, em Campo Grande-MS ; missa, sermão e conferências e, talvez, um dia de retiro (a critério das irmãs).

31 a 2 de setembro: em Contagem-MG ; missas, sermões, conferências. 1ª sexta-feira e 1º sábado do mês.

3: em Monlevade-MG ; missa, sermão, conferência

4: em Ipatinga-MG ; missa, sermão, conferência

5 a 6: em Teixeira de Freitas-BA ; missa, sermão, conferência(s)

6 a 9: em Vitória-ES ; (ver a programação no final)

quinta-feira 7 : dia de retiro

sexta-feira 8 : peregrinação

sábado 9: partida para Candeias, à tarde.

10 a 15: em Candeias-BA, no Mosteiro do Pe. Jahir. Domingo 10 : missa, sermão, conferência(s).

Aqui o próprio Pe. Jahir poderá organizar a missão, solicitando conferências, retiro, etc. bem como sugerindo os assuntos por tratar.

15 de setembro: retorno para o Convento de Avrillé

Dia 19 de agosto: dia de retiro para os fiéis do Mosteiro da Santa Cruz


  • 9h30 Acolhida.
  • 9h45 Instrução : a devoção ao Imaculado Coração de Maria
  • 10H30 Missa. Sermão sobre a entronização do Sagrado Coração nas famílias, obra de salvação social.
  • 12h Almoço.
  • Possíveis confissões.
  • 14h Via-sacra
  • 15h Instrução : como rezar o Rosário
  • 15h50 Pausa.
  • 16h Instrução : a devoção ao Sagrado Coração.
  • 17h Adoração e Benção do Ssmo. Sacramento com o terço meditado. Possíveis confissões. Fim às 18h.

O retiro em Vitória seguirá o mesmo esquema que no Mosteiro da Sta Cruz, porém com outros assuntos, pois no ano passado alguns dos temas desta programação já foram ali tratados. O Padre normalmente falará sobre as células doutrinais.

O retiro no Convento das Escravas de Maria, se elas o quiserem, será o mesmo que no Mosteiro da Sta Cruz, adaptando-se aos horários da comunidade, tendo por assunto das 3 instruções : o sacramento da Eucaristia ; o sacramento da Penitência e a devoção ao Sagrado Coração Jesus e ao Imaculado Coração de Maria.


Fonte: Mosteiro da Santa Cruz

O suicídio de Lutero


Martinho Lutero
(*10-11-1483 † 18-02-1546)
Étienne Couvert

Em 20 de maio de 1505, Lutero iniciara seus estudos de Direito na Universidade de Erfurt. Pouco tempo depois, porém, uma desgraça ocorreu. Tendo encontrado seu amigo Jerônimo Buntz, desentenderam-se, travaram um duelo e Lutero acabou por matar seu companheiro. Em junho daquele mesmo ano, preocupado com as consequências da morte, Martinho buscou seu protetor e amigo, João Braun, vigário colegial em Eisenach, para lhe pedir conselho. Este o estimulou a tornar-se religioso, a fim de evitar as consequências judiciais do caso. Lutero acatou a sugestão e em 17 de julho de 1505 entrou para o convento dos Eremitas de Santo Agostinho, em Erfurt. Beneficiou-se assim do direito de asilo, então reconhecido pela justiça civil. Seu primeiro tratado, redigido por ele mesmo, intitula-se: “Sobre aqueles que se refugiam nas igrejas, muito útil para os juízes seculares e para os reitores de uma igreja e os prelados de mosteiros”. (“De his qui ad ecclesiam confugiunt tam judicibus secularibus quam Ecclesiae Rectoribus et Monasterioum Praelatis perutilis”). A obra foi publicada anonimamente em 1517, e depois em 1520 com o nome de Lutero. Nela, é lembrado que quem mata sem ter sido inimigo, por erro ou sem premeditação, não é culpado segundo a lei de Moisés.

Em seu mosteiro, porém, Lutero não encontrou paz de espírito. Sua vocação, bastante questionável, foi resultado mais de medo que de um chamado divino ou amor à oração e à solidão.

Devido a seu temperamento hereditário, em acréscimo à sua educação familiar, Martinho era dotado de um caráter violento e explosivo, de tipo primário, que no primeiro impulso age sem refletir, além de uma alma escrupulosa que depois de ter agido, rumina bastante sobre o erro ou a falta cometida desnecessariamente e que podia ter sido evitada com um pouco de reflexão. É um tipo de humanidade bastante comum neste mundo e que não deveria, de modo algum, provocar uma angústia suicida.

Uma morte cometida durante uma rixa, certamente mais acidental que premeditada, não deveria jamais provocar essa crise, que não fez senão acentuar-se ao longo de sua existência, até o suicídio final. A isso é preciso acrescentar outro fator.

Roland Dalbiez, psicanalista freudiano, recentemente publicou um estudo sobre “A angústia de Lutero”, no qual defende uma tese bastante estranha. Ele atribui a Lutero “uma neurose de angústia gravíssima, tão grave que é razoável questionar se não foi a do estado limite entre a fronteira da neurose de uma parte, e o raptus suicida ou o automatismo teleológico anti-suicida de outra parte. Ele não escolheu nem uma nem outra dessas soluções; a solução à qual foi conduzido, sai de seu inconsciente e impõe-se a ele de modo necessitante...”. Destacamos as expressões que tendem a negar a liberdade humana nesse texto de um psicanalista, o que está plenamente de acordo com o pensamento de Freud.

Para escapar da voz de sua consciência, para abafar a angústia que ali nascia, Lutero retomou uma tese, atribuída falsamente a Santo Agostinho, sobre a justificação somente pela fé, sem as obras, graças ao sacrifício do Cristo que tomou para si os pecados dos homens. Eis o texto de Lutero:

“É preciso olhar o Cristo em quem, quando vires que teus pecados estão ligados, estarás seguro em face dos pecados, da morte e do inferno. Com efeito, dirás: meus pecados não são meus, porque não estão em mim, mas em outro, a saber, no Cristo, portanto não poderão me prejudicar. É preciso, de fato, um esforço extremo para poder compreender essas coisas pela fé e nelas crer a ponto de dizer: pequei e não pequei, a fim de que a consciência seja vencida, essa dominadora poderosíssima que amiúde conduziu os homens ao desespero, à faca ou à corda. (Est autem maximus labor posse haec ita fide apprehendere et credere ut dicas: peccavi et non peccavi, ut sic vincatur conscientia, potentissima domina quae saepe ad desperationem, ad glaudium et ad laqueum homines adigit). É conhecido o exemplo do homem, que, tentado por sua consciência, dizia: não pequei. Com efeito, a consciência só pode estar tranquila quando afasta os pecados da sua vista. É mister, assim, que tua vista os afaste, de tal modo que vejas não o que fizeste, não a tua vida, não a tua consciência, mas o Cristo...” (In Esaiam prophetam scholia, cap. 53.)

Por esse texto, Dalbiez pretende demonstrar que Lutero tentou fugir de sua angústia graças ao que ele chama um “automatismo teleológico anti-suicida“. Apesar de termos relido esse texto, nele não encontramos nada de automático, mas um raciocínio muito ardiloso; uma recusa da verdade que, todavia, salta aos olhos: eu pequei, mas não quero reconhecê-lo. É preciso um esforço extremo, um “maximus labor” para afirmar o contrário do que sabemos muito bem ser verdadeiro. É uma maneira de atolar-se na mentira, e, apesar da autossugestão para considerar-se puro de toda falta ou erro, a consciência permanece a mesma, tal como o olho que Caim enxergava no fundo do túmulo que ele mesmo havia cavado. Fixada em nosso espírito, essa consciência não é outra coisa senão a voz do bom senso e da razão. Ademais, Dalbiez reconhece que “sua adesão à doutrina da justificação somente pela fé não o tranquilizou totalmente; em certo sentido, pode-se dizer que ele nunca conseguiu aderir a ela completamente”. Destacamos os advérbios “totalmente” e “completamente”. Eles mostram bem as dificuldades da tese freudiana.

Se Lutero fabricou seu próprio sistema religioso e moral, ele sabia bem que é uma mentira, e que não poderia aderir inteiramente a ele. É a atitude de um menino que, corado, diz à mãe: “Não fui eu!”, preocupadíssimo em saber se sua mentira irá “colar”.

Esse ódio contra a consciência não pode ser de origem divina nem humana; supõe uma tentação demoníaca. Satã sabe muito bem que erguendo uma alma contra a voz racional de sua consciência, torna-se mestre dela. Dalbiez prossegue: “É preciso lutar incessantemente contra ela (a consciência), pois ela ameaça sempre encurralar ao desespero, empurrar o homem a cortar sua garganta ou se enforcar”. A ameaça não vem da consciência, mas de uma atitude de recusa contra o seu ditame: “A todo pecado misericórdia. Uma falta confessada está já perdoada”. A paz de consciência se segue ao reconhecimento da falta. Mas quem se nega a ser culpado deixa-se cair num orgulho absurdo. De modo que a falta não confessada, portanto não perdoada, persegue-nos implacavelmente, torna-se uma ideia fixa, depois uma fonte de neurose, não restando senão o suicídio para escapar à visão da consciência, isto é, escapar de Deus. Chama-se isso uma fuga antecipada.

sábado, 5 de agosto de 2017

Boas recordações de D. Mayer

Dom Antônio de Castro Mayer 
(*20-06-1904 † 26-04-1991)


Por Pe. João Batista de A. Prado Ferraz Costa
Capela Santa Maria das Vitórias | Anápolis - GO
Quarta-feira Santa | 19-4-2011


Conheci D. Mayer lá por volta de 1979, em São Paulo, na sede do conselho nacional da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade. Um amigo convidou-me para ir lá conhecê-lo a ele e ao Dr. Plínio Correa de Oliveira. Foi um encontro brevíssimo. Mas ficou-me uma boa impressão.

Passados alguns anos, um parente longínquo meu, o saudoso Dr. José Benedicto Pacheco Salles, convidou-me para ir à igreja de Santa Generosa, no bairro do Paraíso, assistir a uma missa de D. Mayer. Fiquei surpreso porque ele se recordou de mim e do encontro rápido que tínhamos tido. A partir de então, comecei a ter um contato assíduo com D. Mayer, que vinha com freqüência a São Paulo e se hospedava naquela paróquia regida por seu sobrinho, o cônego José Payne.

Era uma alegria assistir à sua missa celebrada em um altar tradicional situado no coro da igreja. Sempre se reunia um pequeno grupo de católicos da tradição, núcleo inicial desse movimento que se expandiu muito esses últimos anos em São Paulo.

Após a missa, diversas vezes fui convidado a tomar o café da manhã em sua companhia, porque queria pedir-lhe algum esclarecimento sobre minha vocação sacerdotal. Lembro-me de que ele me pediu que escrevesse uma carta  a um padre de Campos responsável pela vocações sacerdotais.

Em todas essas ocasiões D. Mayer sempre se mostrou um homem bem humorado, alegre e sereno.  Sua conversação não se limitava ao assunto que em geral predomina nas reuniões de católicos tradicionalistas, a crise na Igreja e no mundo contemporâneo. Ele nos brindava com suas memórias da antiga São Paulo dos tempos da República Velha.

Brasão de Dom Antônio de Castro Mayer

D. Mayer era um sacerdote formado em uma época em que não só Igreja florescia sob o influxo da luta de São Pio X contra o modernismo, mas também  sociedade paulistana rejuvenescia espiritualmente por obra do grande arcebispo D. Duarte Leopoldo e Silva. As famílias católicas  tinham a sua disposição bons colégios católicos e paróquias bem dirigidas por padres sérios e vida espiritual sólida. E D. Mayer deu uma grande contribuição  para tal rejuvenescimento como professor de sociologia na Faculdade Sedes Sapientiae. Conheci uma senhora que foi sua aluna e me disse que grande professor tinha sido ele. A meu ver, foi o período áureo do catolicismo em São Paulo, e talvez em todo o Brasil. Com efeito, o Brasil crescia graças à cafeicultura, uma riqueza que propiciava industrialização e  a ascensão social de classes mais modestas dentro de uma sociedade marcada profundamente pelos valores católicos. Hoje o Brasil cresce e a sociedade desmorona!

Lembro-me de que uma vez D. Mayer emitiu sua opinião sobre a decadência da sociedade brasileira. Disse que a Proclamação da República tinha sido um golpe contra nossas raízes culturais católicas, mas que a Revolução de 1930, guindando ao poder Getúlio Vargas, tinha aberto as portas do Brasil para o populismo esquerdista e a luta de classes.

Depois, fui convidado a ir a Campos e cheguei a ficar hospedado em sua casa algumas vezes. Desse período ficou a melhor lembrança de um bispo muito pio. Quando falava das coisas de Deus, as expressões que lhe assomavam aos lábios, vindas do fundo do coração, eram sempre Deus Nosso Senhor, Maria Santíssima e nossa santa religião. Bem diferente da maneira como muitos, até padres, pronunciam o nome santo de Deus. Edificava-nos só por sua grande devoção a Nossa Senhora, mas também pela maneira como tratava os padres e como por esses era amado e reverenciado. Nos dias de hoje isso é coisa rara. Tornou-se comum, infelizmente, um relacionamento frio e cheio de desconfiança entre o ordinário e o presbitério. A hierarquia festeja o povo de Deus e despreza o clero.

Desde então comecei a ler seus artigos e cartas pastorais. Em seus escritos é digno de nota tanto o seu rigor teológico, sua precisão de conceitos, quanto seu estilo castiço, sua linguagem elegante que lembra um Carlos de Laet, a quem ele muito admirava. Se hoje em dia no Brasil houvesse uma crítica literária idônea, D. Antonio de Castro Mayer certamente teria seu nome consagrado como um bom autor da literatura brasileira contemporânea. Não me consta que nenhum outro bispo tenha escrito tão bem como ele. Lia os artigos de D. Lucas Moreira Neves no jornal O Estado de São Paulo e, francamente, D. Mayer sempre me pareceu muito superior pelo conteúdo e pela forma. Se D. Pestana nos tivesse legado cartas pastorais, talvez pudesse ombrear com D. Mayer em nobreza de estilo e acuidade de espírito teológico. Infelizmente partiu desta terra deixando saudades dos seus belos sermões, mas privando-nos de uma obra de grande qualidade que poderia ter produzido. Realmente, foi uma pena, porque, se tivesse sido um articulista dos grandes jornais, como aqueles bispos que nos anos oitenta escreviam no Jornal do Brasil contra a teologia da libertação, sem dúvida D. Pestana se teria distinguido como o melhor deles pelo vigor e inteligência. Mas se tomou a resolução de nada escrever devia ter suas razões que não cabe discutir.

Como mencionei D. Pestana, aproveito para dizer que ele varias vezes elogiou D. Mayer como teólogo e professor de filosofia. Disse-me que D. Mayer tinha um método muito interessante para o ensino da sã filosofia: principiava suas lições  pela refutação dos erros de Kant, conduzindo assim seus alunos a compreender bem o realismo moderado de Santo Tomás de Aquino. D. Pestana demonstrou-me igualmente, em várias ocasiões, certa compreensão pela atitude tomada por D. Lefebvre e D. Mayer em 1988. Sem nunca ter dito abertamente que apoiava as consagrações episcopais,  disse-me que D. Lefebvre tinha com razão visto que as tratativas com o cardeal Ratzinger estavam fadadas ao fracasso devido à pressão contrária do episcopado progressista da Europa. E mostrou-me uma carta dirigida ao papa João Paulo II em que lhe dizia que a disposição do motu proprio Ecclesia Dei que pedia aos bispos que liberassem a missa de São Pio V para os católicos tradicionalistas significava na verdade entregá-los às feras.

Desejaria finalizar essas recordações dando meu testemunho sobre a participação de D. Mayer nas consagrações episcopais de Ecône em 1988. Acompanhei de perto o desenrolar dos acontecimentos de então e posso dizer que ele agiu com toda serenidade e convicção de que era a vontade de Deus. Após a consagração episcopal, houve um padre muito estranho e caviloso que o procurou para tentar achacar-lhe uma retratação. D. Mayer o repeliu com toda energia. Como ele mesmo disse, a excomunhão injusta não o deixava indiferente, porque, embora inválida, denotava o estado lamentável da parte humana da Igreja, que, por um lado, congraça no CONIC com as seitas e, por outro, rechaça seus próprios filhos.

Que Deus Nosso Senhor o recompense por sua luta juntamente com D. Lefebvre e D. Pestana, que, também, à sua maneira, conforme lhe permitiram as circunstâncias calamitosas da Igreja pós-conciliar, lutou contra os erros modernos. Três bispos fiéis, devotíssimos de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, que confiaram plenamente nas promessas de Maria Santíssima: Por fim, meu Imaculado coração triunfará.