terça-feira, 5 de junho de 2012

Meditação de Junho: Quinto dia

Mês de Junho – Meditações


Mês dedicado ao
Sagrado Coração de Jesus

Quinto dia
 
Nobreza e excelência do Coração de Jesus

"Muitas prerrogativas tem o Sagrado Coração de Jesus, que nos dão a conhecer sua excelência nobreza.

O Sagrado Coração de Jesus é animado pela mais bela alma que Deus já tirou dos seus tesouros. Desde o primeiro momento de sua santa aliança, ela comunicou-lhe todas as riquezas da graça e da glória, e deu-lhe movimentos tão generosos, inclinações tão nobres, qualidades tão reais, quem em nenhum outro coração nada há de igual." "Nenhum existe que nos tenha amado tanto, tenha sentido nossas misérias com tanta ternura, haja concebido desígnios tão grandes e tão vantajosos para nós, e tanto se tenha regozijado com o nosso bem" (Nouet).

"Mesmo quando se vos fechassem os corações de todos os homens, não vos perturbeis, porque o Coração de Jesus vos estará sempre aberto, e ser-nos-á sempre fiel" (Lansperge).

Sim, meu bom Jesus, ainda que os inimigos de minha alma armassem suas legiões contra mim, estando oculto meu coração no Vosso, nada poderia temer; ainda que se travasse combate, minha confiança em vosso Coração far-me-ia sair vitorioso; ainda que eu estivesse com um pé no inferno, esperaria em vosso Coração.

"O Coração de Jesus é santo da santidade do próprio Deus; por isso todos os seus movimentos, suspiros, afeições, pedidos, orações, desejos, segundo a dignidade da pessoa que os opera, tornam-se de preço e valor infinitos. É justo que seja honrado com especial culto, pois assim honramos sua divina Pessoa."

"No Coração de Jesus se fundaram todos os planos de nossa salvação e pelo amor que o abrasa foram executados. A este dulcíssimo Coração devo, bem posso dizer todas as obrigações particulares, quantas devo a cada parte de seu Corpo, que trabalhou por minha salvação."

"Era o Coração de Jesus que chorava pelos seus olhos o sepulcro de Lázaro, e sobre a cidade de Jerusalém, tristes figuras do mísero estado em que estava o mundo antes de sua Paixão, e ao qual ficará reduzido na consumação dos séculos; era Ele quem publicava por sua boca as verdades evangélicas e nos ensinava o caminho do Céu; era Ele quem curava os enfermos e ressuscitava os mortos com o contato de suas mãos; era Ele quem conduzia os passos, ordenava as viagens deste bom Pastor em busca da ovelha desgarrada; foi Ele quem fez correr aquele suor de sangue de todos os poros de seu Corpo no jardim das Oliveiras, quem empalideceu e tremeu de todos os membros, quem clamou na Cruz com voz tão poderosa que abalou a terra, penetrou os céus onde foi atendido por causa da reverência que lhe é devida. Et exauditus est pro sua reverentia" (Heb, 7) (Nouet).

Que culto, que amor não devemos, pois, a este Coração, de onde nos vieram todos os bens! Ah, se se apresentasse à vossa veneração o coração de um Agostinho, de um Francisco de Sales, de um Luis Gonzaga, de uma Teresa, quais não seriam nossos transportes de fé e fervor! Eis aqui o Coração de Jesus, que excede a todos esses: ei-lo realmente presente no Sacramento de seu amor; só palpitou e ainda só palpita pela nossa felicidade... Ficarmos frios e insensíveis?

Não, Senhor, não! Eu creio, adoro e amo; aumentai-me, porém, a fé e o amor!

Santa Clara não deixava passar um só dia sem saudar o Coração de Jesus, com extraordinário cuidado e diligência; e Deus, para recompensar o fervor de sua humilde serva, nunca deixou de cumular-lhe a alma das mais puras delícias, enquanto ela se empregava neste santo exercício.

Prática

Imitai Santa Clara, e não deixeis passar um só dia sem honrar o Sagrado Coração de Jesus.

Oração jaculatória

Dormirei e descansarei em paz em vosso Coração, ó Jesus! In pace in idipsum dormiam, et requiescam. (Sl 5,9)

3 vezes:

Divino Coração de Jesus, tende piedade de nós.
Coração Imaculado de Maria, rogai por nós.


Fonte: Arquivo em PDF enviado por e-mail pelo Grupo São Domingos de Gusmão
Mês de Junho – Meditações (Mês dedicado ao Sagrado Coração de Jesus)

O Santíssimo Sacramento do Altar



Fonte: pedrocanoli
Autor: P. Francisco Spirago | Catecismo Católico Popular

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Santa Clotilde

Clovis e Clotilde, por Jean Antoine GROS, por volta de 1811, Petit Palais, Paris


Santa Clotilde, Viúva
(+ França, 545)
4 de Junho


Modelo de Rainha Católica. Instrumento da Providência para a conversão da França.

No caos provocado na Europa dos séculos IV e V pela invasão dos bárbaros e a queda do Império Romano do Ocidente, um povo começou a tomar relevo, liderado por um soberano adolescente ainda pagão, Clóvis. A conversão deste povo representaria uma grande vitória para o cristianismo, povo este que se tornaria a nação que foi denominada Filha Primogênita da Igreja, a França. O papel de uma princesa, Clotilde, como instrumento da Providência nessa obra, foi primordial.

Voto de Clovis na batalha de Tolbiac - por Paul-Joseph Blanc. Antiga Igreja de Santa Genoveva, agora profanada e transformada no "Panteão". 

O invicto Clovis encontra-se face aos poderosos alamanos no campo de batalha situado na planície de Tolbiac. De repente vê seu exército recuar aos poucos em tal pânico que, na fuga, uns guerreiros atropelam os outros. Desesperado, o monarca pagão começa a clamar aos seus deuses, pedindo-lhes ajuda. Em vão. Lembra-se então de Clotilde. Caindo de joelhos, eleva seus olhos ao Céu, e brada com toda a alma: “Ó Jesus Cristo, Deus de Clotilde. Se me concederdes vencer esses inimigos, eu crerei em Vós e serei batizado em vosso nome”. Daí nasceu a França católica, a tantos títulos glória da Santa Igreja.

Quem era essa Clotilde, cujo Deus era tão poderoso? É o que veremos neste artigo.

Lírio em meio ao lodo da heresia

Gundioch, rei da Borgonha, morrera numa batalha contra os bárbaros, em defesa da Fé e de seus Estados. Seus quatro filhos, desejando governar, dividiram o pequeno reino. Entretanto, pouco tempo depois, dois deles, mais gananciosos e belicosos, uniram-se aos ferozes alamanos para invadir os reinos dos outros dois irmãos. Um destes, Chilperico, com seus dois filhos, teve a cabeça decepada, e a mulher foi atirada a um rio com uma pedra ao pescoço. Impossibilitadas de governar pela lei de sucessão, as duas filhas de Chilperico foram poupadas. Gondebaldo – um dos irmãos invasores — levou-as para sua corte e apesar de ariano (1), permitiu às duas sobrinhas que continuassem a professar a verdadeira religião.

A mais velha das irmãs, Fredegária, tomou o véu religioso num mosteiro, onde terminou seus dias em odor de santidade. Clotilde, a mais nova, por “sua doçura, piedade e amor pelos pobres, fazia-se bendizer por todos aqueles que viviam a seu redor” (2).  “Essa jovem princesa demonstrou uma constância admirável em meio a seus infortúnios, e começou a brilhar, como um milagre de honra e de virtude, pela santidade de suas ações... Seu porte era belo, suas maneiras agradáveis, seu rosto bem feito e de uma beleza tão regular, que não se podia ver nada de mais bem acabado” (3).

A gravidade do pecado venial



 A gravidade do pecado venial

(Padre Alexandrino Monteiro, S. J.)

Entre os hebreus usavam-se duas sortes de pesos e de balanças. Havia o chamado peso do Santuário, que era verdadeiro e justo; e o chamado peso público, que era falso e injusto.

Ora, com duas sortes de balanças se pesam também os pecados dos homens. Se se pesam na balança pública do mundo, que é mentirosa e falaz (Prov 11, 1), dir-se-á que o pecado mortal não é coisa de valor, e que o venial, como leve que é, não tem nenhuma importância. Mas esse modo de pensar já o lamentava Santo Antônio de Pádua em seu tempo (Dom. 4 post Trin.).

Os Santos, porém, e as almas iluminadas pela fé, pesam o pecado venial com a balança do Santuário, e por isso, o choravam e detestavam de morte. Santa Catarina de Gênova quase morria ao considerar a gravidade do pecado venial; e São Luís Gonzaga [em sua primeira confissão] caiu desfalecido aos pés do confessor, depois de confessar suas levíssimas culpas. São João Crisóstomo chegou a dizer que lhe parecia que se deviam evitar com mais cuidado os pecados veniais que os mortais. E dá a razão: os pecados mortais por sua natureza repelem [a alma justa]; porém, os veniais, por isso mesmo que são leves, não amedrontam, e se cometem facilmente.

Meditemos, pois, sobre o pecado venial, para nos enchermos de um grande temor de o cometer. Dividiremos a meditação em três pontos: I. O que é o pecado venial; II. Os danos que causa à alma; III. Como Deus o castiga. (...)

Ah! Meu Deus, meu divino Samaritano, eu, pelos meus pecados veniais, me encontro ferido e despojado dos bens sobrenaturais, e só me encontro com a vida da graça. Tende compaixão de mim, curai a minha alma de tantos pecados veniais. Curai-me com o óleo das Vossas divinas inspirações, e com o vinho do Vosso amor fortificai a minha vontade para me levantar, e começar a viver uma vida mais fervorosa.

I. O que é o pecado venial

Verdadeiramente sábio é aquele que julga das coisas como elas são. Ora, vejamos à luz da fé e da teologia o que é o pecado venial. São Tomás diz que o pecado mortal é uma desordem da alma, pela qual volta as costas a Deus, seu último fim, para aderir à criatura. Para adquirir algum bem temporal, perde o princípio da vida espiritual, que é a caridade do amor de Deus e a graça. Pelo pecado venial, a alma adere a algum bem mundano, mas não de modo que renuncie ao seu último fim, e sem perder o princípio vital da graça. Está enferma, mas não está morta.

1. Suposto isto, discorramos. É certo que o pecado venial não despreza a Deus como o mortal; todavia não faz de Deus a devida estima. Não se opõe de todo à Vontade divina, mas opõe-se-lhe ao menos no modo, como diz S. Tomás (1-2, q. 88, a. I). Desgosta a Deus, não observando perfeitamente os Seus mandamentos.

E se é assim, como se pode chamar leve? Quem tal dissesse proferiria uma blasfêmia, segundo afirma São Bernardo.

No pecado venial não se há de considerar tanto a leve transgressão do divino preceito, quanto a infinita majestade de Deus, que só se contenta com a perfeita observância dos Seus mandamentos. São Jerônimo, escrevendo a Celância, diz: 'Não sei se podemos chamar leve algum pecado que se comete com desprezo de Deus. E só é prudentíssimo aquele que não considera só o que se manda, mas quem manda; nem quão grande é a ordem, mas a dignidade do que ordena'.

domingo, 3 de junho de 2012

São Carlos Lwanga e companheiros (mártires)


São Carlos Lwanga e companheiros (mártires)

3 do junho

São Carlos Lwanga e seus 21 companheiros sofreram o martirio durante o reinado de Mwanga. Por volta do ano 1885. O rei reuniu a corte numa manhã dando uma ordem estranha: "Todos entre vocês que não têm intenção de rezar podem ficar aqui ao lado do trono; aqueles, porém, que querem, rezar reúnam-se contra aquele muro". O chefe dos pagens, Carlos Lwanga, foi o primeiro a seguir até o muro, sendo seguido por outros quinze. O rei perguntou então, mas vocês rezam de verdade? Sim meu senhor, nos rezamos, respondeu Carlos em nomes dos companheiros que ficara a noite toda rezando. Querem continuar rezando? Sim meu senhor, até a morte. Então, matem-nos, decidiu bruscamente o rei, dirigindo-se aos algozes. Rezar, tinha-se tornado sinônimo de ser cristão, e era absolutamente proibido no reino de Mwanga, rei de Buganda, região que atualmente faz parte da Uganda.

Carlos Lwanga foi o primeiro a ser assassinado, foi queimado lentamente a começar pelos pés. Kalemba Murumba foi abandonado numa colina com as mãos e os pés amputados, morrendo de hemorragia. André Kagua, foi decapitado e o último João Maria, f02 de Junho - São Marcelino e São Pedro.

São Marcelino era sacerdote e São Pedro cumpria o ministério de exorcista. Foi relatado por São Damasco que quando menino ouviu do próprio carrasco dos Santos o relato da morte deles. O algoz referiu que havia disposto a decapitação dos dois no centro de um bosque justamente para não ficar nenhuma lembrança: ambos tiveram de limpar com as próprias mãos a pequena superfície que ia banhar-se de sangue.

Os corpos desses mártires ficaram escondidos por algum tempo, numa límpida gruta, até que, impulsionada pela devoção, Lucila, piedosa matrona, deu-lhe digna sepultura. Desde 1751 a basílica dos santos Marcelino e Pedro, edificada sobre alicerces que parecem remontar à segunda metade do século IV e onde se encontra talvez a morada de um dos dois santos titulares, esta localizada onde avia Labicana cruza com a via Merulana, nas proximidades de São João de Latrão e Santa Maria Maior. Foi lançado em um pântano.

São Carlos Lwanga e os 21 mártires ugandenses foram beatificados por Bento XV e canonizados por Paulo VI no dia 18 de outubro de 1964, na presença dos padres do Concílio Vaticano II, e o próprio Paulo VI consagrou em 1969 o altar do grandioso santuário que surgiu em Namugongo, onde os três pajens guiados por Carlos Lwanga quiseram rezar até a morte.


Fonte: ACIDigital
Fotografia: Retirada do Daily Roman Missal, Editado pelo Rev. James Socías, Midwest Theological Forum, Chicago, Illinois ©2003 - Disponibilizado no site Women for Faith & Family


Didaqué: Capítulo I



Didaqué:
A Instrução dos Doze Apóstolos
(Ano 145-150 DC)

"Didaqué, ou Ensinos dos Doze Apóstolos, foi escrito entre o ano 65 e 80 da era Cristã e foi impresso em 1883, dez anos depois de ter sido encontrado em Macedônia, perto de Constantinopla. É considerado como o documento Cristão mais antigo. Ele dá os pontos de vista dos começos da Igreja e era altamente apreciado pelos Primeiros Padres. Possui um grande ensinamento para todos nós e por eles parece que nós estamos escutando os Apóstolos falando-nos e ensinando-nos "."

O CAMINHO DA VIDA E O CAMINHO DA MORTE

CAPÍTULO I

1Existem dois caminhos: o caminho da vida e o caminho da morte. Há uma grande diferença entre os dois. 2Este é o caminho da vida: primeiro, ame a Deus que o criou; segundo, ame a seu próximo como a si mesmo. Não faça ao outro aquilo que você não quer que façam a você.

3Este é o ensinamento derivado dessas palavras: bendiga aqueles que o amaldiçoam, reze por seus inimigos e jejue por aqueles que o perseguem. Ora, se você ama aqueles que o amam, que graça você merece? Os pagãos também não fazem o mesmo? Quanto a você, ame aqueles que o odeiam e assim você não terá nenhum inimigo.

4Não se deixe levar pelo instinto. Se alguém lhe bofeteia na face direita, ofereça-lhe também a outra face e assim você será perfeito. Se alguém o obriga a acompanhá-lo por um quilometro, acompanhe-o por dois. Se alguém lhe tira o manto, ofereça-lhe também a túnica. Se alguém toma alguma coisa que lhe pertence, não a peça de volta porque não é direito.

5Dê a quem lhe pede e não peças de volta pois o Pai quer que os seus bens sejam dados a todos. Bem-aventurado aquele que dá conforme o mandamento pois será considerado inocente. Ai daquele que recebe: se pede por estar necessitado, será considerado inocente; mas se recebeu sem necessidade, prestará contas do motivo e da finalidade. Será posto na prisão e será interrogado sobre o que fez... e daí não sairá até que devolva o último centavo.

6Sobre isso também foi dito: que a sua esmola fique suando nas suas mãos até que você saiba para quem a está dando.


Fonte: Monergismo
Fotografia: Retirada do site Vocacionados Menores

sábado, 2 de junho de 2012

São Marcelino, São Pedro e Santo Erasmo

São Pedro, Mártir (+ Roma)

2 de Junho
São Marcelino, São Pedro e Santo Erasmo
Mártires

O papa Dâmaso, que na época era um adolescente e testemunhou os acontecimentos. Foi assim que tudo relatou.

Na Roma dos tempos terríveis e sangrentos do imperador Diocleciano, padre Marcelino era um dos sacerdotes mais respeitados entre o clero romano. Por meio dele e de Pedro, outro sacerdote, exorcista, muitas conversões ocorreram na capital do império. Como os dois se tornaram conhecidos por todos daquela comunidade, inclusive pelos pagãos, não demorou a serem denunciados como cristãos. Isso porque os mais visados eram os líderes da nova religião e os que se destacavam como exemplo entre a população.

Intimados, Marcelino e Pedro foram presos para julgamento. No cárcere, conheceram Artêmio, o diretor da prisão.

Alguns dias depois notaram que Artêmio andava triste. Conversaram com ele e o miliciano contou que sua filha Paulinha estava à beira da morte, atacada por convulsões e contorções espantosas, motivadas por um mal misterioso que os médicos não descobriam a causa. Para os dois, aquilo indicava uma possessão demoníaca. Falaram sobre o cristianismo, Deus e o demônio e sobre a libertação dos males pela fé em Jesus Cristo. Mas Artêmino não lhes deu crédito. Até que naquela noite presenciou um milagre que mudou seu destino.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

São Justino, Mártir (+ Roma, 167)



 1 de Junho
São Justino, Mártir (+ Roma, 167)

Justino nasceu na cidade de Flávia Neápolis, na Samaria, Palestina, no ano 103, início do século II, quando o cristianismo ainda se estruturava como religião católica. Tinha origem latina e seu pai se chamava Prisco. Ele foi educado e se formou nas melhores escolas do seu tempo, cursando filosofia e especializando-se nas teorias de Platão. Tinha alma de eremita e abandonou a civilização para viver na solidão. Diz a tradição que foi nessa fase de isolamento que recebeu a visita de um misterioso ancião, que lhe falou sobre o Evangelho, as profecias e seu cumprimento com a Paixão de Jesus, abalando suas convicções e depois desaparecendo misteriosamente. Anos mais tarde, acompanhou uma sangrenta perseguição aos cristãos, conversou com outros deles e acabou convertendo-se, mesmo tendo conhecimento das penas e execuções impostas aos seguidores da religião cristã. Foi batizado no ano 130 na cidade de Efeso, instante em que substituiu a filosofia de Platão pela verdade de Cristo, tornando-se, historicamente, o primeiro dos Padres da Igreja que sucederam os Padres apostólicos dos primeiros tempos.

No ano seguinte estava em Roma, onde passou a travar discussões filosóficas, encaminhando-as para a visão do Evangelho. Muito culto, era assim que evangelizava entre os letrados, pois esse era o mundo onde melhor transitava. Era um missionário filósofo, que, além de falar, escrevia.

Deixou muitos livros importantes, cujos ensinamentos influenciaram e ainda estão presentes na catequese e na doutrina dogmática da Igreja. Embora tenham alcançado nossos tempos apenas três de suas apologias, a mais célebre delas é o Diálogo com Trifão. Seus registros abriram caminhos à polêmica anti-judaica na literatura cristã, além de fornecerem-nos importantes informações sobre ritos e administração dos sacramentos na Igreja primitiva.

Bem-sucedido em todas as discussões filosóficas, conseguiu converter muitas pessoas influentes, ganhando com isso muitos inimigos também. Principalmente a ira dos filósofos pagãos Trifão e Crescêncio. Este último, após ter sido humilhado pelos argumentos de Justino, prometeu vingança e o denunciou como cristão ao imperador Marco Aurélio. Justino foi levado a julgamento e, como não se dobrou às ameaças, acabou flagelado e decapitado com outros companheiros, que como ele testemunharam sua fé em Cristo no ano 164, em Roma, Itália.

Texto: Paulinas

Photo: St Justin Martyr
Credit of the photo: --by Cristóbal Almanza

Sermão de Santo Antônio, do Padre Antônio Vieira.


LITERATURA BRASILEIRA 
Textos literários em meio eletrônico  
Sermão de Santo Antônio, do Padre Antônio Vieira.

 


Edição de Referência:
Sermões.Vol. XI Erechim: EDELBRA, 1998.




SERMÃO DE SANTO ANTÔNIO

Panegírico e Apologético, contra o nome que vulgarmente em Roma, na Igreja dos Portugueses, se lhe dá de Santo Antonino.

Qui fecerit et docuerit, hic Magnus vocabitur. [1]


§ I


Assunto do sermão: Os agravos do nome de Santo Antônio em Roma. O nome de Antônio Magno, a quem o deu Roma? Se o Evangelho tão conhecidamente promete o nome de Magno ao nosso Antônio, por que lho nega aquela cidade, que contém em si a regra do mesmo Evangelho? Se Roma dá o nome de Máximo a Fábio e a Valério, por que o não daria a Antônio?

Desgraça é minha e nossa, e não sei se diga do mesmo santo que celebramos, que quando havíamos de levantar troféus, seja necessário tomar as armas, e defender dentro em Roma a quem tanto merecia triunfar nela. Eu, que hoje havia de fazer panegíricos, sou obrigado a desfazer agravos. E que agravos? Os agravos do nome de Santo Antônio em Roma. Em Roma, cabeça e adoração do mundo; em Roma, mãe universal de todos os peregrinos, os agravos daquele peregrino português, que a pés descalços a visitou com tanta devoção, a edificou com tantos exemplos, a ilustrou com sua doutrina, e a admirou e fez admirável com o prodígio estupendo de seus milagres! Celebra hoje Portugal a Santo Antônio de Lisboa, Itália a Santo Antônio de Pádua, e já este não era pequeno agravo, mas é força dissimular os menos grandes, para acudir aos maiores. Não determino disputar com Pádua de tão longe: com Roma é o meu pleito, de Roma é a minha queixa, e não menos bem-fundada que no mesmo texto do Evangelho que propus.

Qui fecerit et docuerit, hic Magnus vocabitur (Mt. 5, 19): Aquele que fizer e ensinar - diz Cristo - esse terá o nome de Magno. - Não pode ser a lei mais clara. Agora, diga-me Roma, o nome de Antônio Magno, a quem o deu. Não o deu ao Antônio de Portugal, senão ao Antônio do Egito. Ele é o que se nomeia e venera com a antonomásia de Magnus Antonius. Pois, se o Evangelho tão conhecidamente promete o nome de Magno aos merecimentos do nosso Antônio, por que lho nega aquela cidade, que contém em si a regra do mesmo Evangelho? Por que lho nega, e o dá a outro? Dir-me-á porventura Roma que o outro Antônio foi muitos anos primeiro, e que quando o nosso veio ao mundo, já o nome estava dado. Mas lembra-me a este propósito o que já disse Tertuliano à mesma Roma: - Não fostes vós, meu santo, o que tardastes, senão ela a que se apressou. - Argúi Tertuliano aos primeiros que canonizaram os deuses gentílicos, e diz que ficaram sem altares e sem nome os que melhor o mereciam, não porque a antigüidade os quisesse excluir, senão porque se apressou: Properavit opinor: - Fez deus da guerra a Marte? Properavit, porque, se não se apressara tanto, fora deus da guerra Cipião. Fez deus das musas a Apolo? Properavit, porque, se esperara mais, fora deus das musas Homero. Fez deus da medicina a Esculápio? Properavit - porque, se aguardara mais tempo, fora deus da Medicina Hipócrates. Fez deus das ciências a Mercúrio? Properavit, porque, se não se adiantara tanto, fora deus das ciências Aristóteles. Eu não nego, antes venero e adoro as excelências do grande Antônio africano; só tenho para mim que, se o mundo, e a cabeça do mundo, se não antecipara, pode ser a grandeza daquele nome não a consagrara ao da África, senão ao da Europa; ao português, e não ao egípcio.

Mas, porque o meu intento não é tirar o direito adquirido, senão defender o tirado, já que o nome de Magno se deu àquele Antônio, por que se não havia de dar também ao nosso: Hic Magnus vocabitur? - Se entre os capitães houve um nome de Magno para Alexandre, e outro para Pompeu; se entre os pontífices houve um nome de Magno para Leão, e outro para Gregório; se, onde não havia nem podia haver comparação, houve um nome de Magno para Cristo: Hic erit Magnus (Le. 1, 32) - e outro para o Batista: Erit coram Domino (ibid. 15) - por que se não daria o nome de Magno ao nosso Antônio, assim como se tinha dado ao outro? Vejo que me pode responder Roma que os nomes se fizeram para distinção das pessoas, e que, havendo dois Antônios, ambos Magnos, não se distinguiam. Venho nisso; mas distinguirá Roma aos Antônios, como distinguiu aos Fábios e aos Valérios. Já que ao primeiro Antônio tinha chamado Magno, ao segundo chamara-lhe Máximo. E vede se o merecia. A dois heróis - como notou Plutarco - deu Roma o nome de Máximos: a Fábio, porque restituiu as perdas do Império; a Valério, porque reconciliou o povo com o Senado. Pois, se Roma dá o nome de Máximo a Fábio, por restituidor das perdas, por que o não daria a Antônio, que tem por graça e por ofício restituir todas as coisas perdidas? Tanto o tem por ofício e por obrigação, que na nossa terra o prendemos como devedor, para que as restitua. E se Roma deu o nome de Máximo a Valério, por reconciliador da plebe com o Senado, por que o não daria a Antônio, que não só reconciliou com Deus tanta infinidade de almas, que andavam fora de sua graça, mas reconciliou com a mesma Igreja romana tantos hereges, tantas seitas, tantos heresiarcas, que por isso lhe chamaram Martelo das Heresias: Perpetuas haereticorum malleus?