quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

O cigarro é mau em si?




Prof. Carlos Ramalhete
Esta visão puritana, muito comum no meio protestante, é uma heresia de base gnóstica, muito comum no protestantismo.

Explico: a gnose, heresia surgida ainda no primeiro século, considera que a matéria é má em si, e que o objetivo do homem seria libertar-se da matéria para tornar-se puro espírito. Foi como resposta à Gnose que São João Evangelista escreveu por inspiração divina, logo no princípio de seu Evangelho, que “o Verbo se fez Carne”. Carne, logo matéria, matéria julgada intrinsecamente má pelos gnósticos. Para um gnóstico, esta frase é uma aberração, uma contradição. Para um gnóstico, se Deus é bom Ele não pode tornar-se matéria, que seria má.

O protestantismo tem uma grande parte de gnose. É por isso que a imensa maioria dos protestantes, por exemplo, recusa-se a admitir que a Santíssima Virgem Maria seja Mãe de Deus; apesar de considerarem que Jesus é Deus e ela é mãe de Jesus, eles não conseguem aceitar a conseqüência lógica disto (o fato de que ela é Mãe de Deus), por puro terror à matéria. Do mesmo modo, os protestantes em geral têm enormes dificuldades em aceitar a ação eficaz dos Sacramentos, pois isto significaria que Deus faz uso de matéria para o bem. Ora, se a matéria fosse má, como eles crêem, realmente o uso de uma coisa má deveria contaminar a coisa boa…

É por isso que é comum no meio protestante o chamado puritanismo. O puritano considera que algumas coisas são más, são más intrinsecamente. As coisas que mais comumente são encontradas nas listas de “coisas ruins” dos protestantes puritano-gnósticos são o álcool, as drogas ilícitas em geral (maconha, cocaína, etc.) e o tabaco. Alguns, mais afinados com os tempos modernos, adicionam a esta lista as armas de fogo.

Este artigo, que trata especialmente do caso do tabaco, pode ser também aplicado às outras coisas que os protestantes consideram “más em si”.

O cigarro, portanto, não é bom nem mau; como qualquer outra criatura, ele em si é moralmente neutro, e bom ou mau (ou ainda neutro) pode ser o seu uso.

O sujeito que fuma (e cheira cocaína, bebe tresloucadamente e dirige como um maníaco) por puro desejo de auto-destruição está fazendo um mau uso do cigarro (e da cocaína, e do álcool e do carro).

O sujeito que fuma porque deu vontade de fumar e o cigarro está ali está fazendo um uso moralmente neutro do cigarro.

O sujeito que fuma para se acalmar e poder ajudar melhor outra pessoa está fazendo um uso moralmente bom do cigarro.

Fumar seria pecaminoso por fazer mal ao corpo?

Um dos problemas graves da união da visão atual de culto ao corpo (em que, contrariamente à Sã Doutrina, as pessoas consideram que o corpo é o que há de mais importante, a saúde é o maior bem, etc, passando horas em academias e fazendo dietas, sem ver problema algum na fornicação) e da visão gnóstico-protestante de “coisas que são más em si” é o que ocorre no caso do cigarro.

Já vi, por incrível que pareça, gente defendendo que fumar é pecaminoso, porque (pasmem!) o corpo é Templo do Espírito Santo! Ora, o corpo ser Templo do Espírito Santo significa que o corpo não pode ser usado (ou melhor, não devemos deixar livres rédeas ao corpo) para atividades que são pecaminosas (fornicação, por exemplo). Uma coisa fazer mal fisicamente ao corpo não significa em absoluto, nem jamais poderia significar, que o Templo do Espírito Santo esteja sendo conspurcado, ou qualquer bobagem do gênero. Se fosse assim, a mortificação física seria pecaminosa, e não virtuosa. É confundir causa e efeito, devido à união de uma visão que vê o corpo como o Sumo Bem e substâncias como intrinsecamente boas ou más. Junta-se um com o outro e tem-se isso: substâncias que são consideradas intrinsecamente más porque “pecam contra” (ou, em outras palavras, fazem mal a) o corpo, considerado o Sumo Bem

Afinal, o que é pecaminoso não deve entrar no (ou sair do) corpo; não é porque algo entra e faz bem ou mal ao corpo que esta coisa é virtuosa ou pecaminosa…

Mas é isso que acontece quando se junta Paulo Cintura e Edir Macedo!

A pessoa não fumar como penitência (assim como não beber algo que gosta de beber, não comer carne, não fazer, em suma qualquer outra coisa agradável e moralmente boa ou neutra) é uma boa forma de penitência; a pessoa não fumar, ou deixar de fumar, por preocupação com a saúde pode ser bom ou mau (dependendo de para quê ela quer a saúde; se é para “ganhar mais mulher”, é péssimo); a pessoa deixar de fumar por achar que fumar é pecado, porém, é um erro grave de compreensão da Sã Doutrina.

É sim pecaminoso querer destruir o corpo, ou seja, em ter como objetivo do ato a destruição do corpo (a morte). Mais ainda, isto ocorre não por ser o corpo Templo do Espírito Santo – o que é outra coisa, que não tem absolutamente nada a ver com a saúde física ou sequer a sobrevivência da pessoa; o roqueiro que tentou salvar a moça que estava sendo assaltada e tomou um tiro não pecou (pelo contrário, fez um ato nobre) ao arriscar a sua vida -, sim por ser uma violação do Quinto Mandamento.

Do mesmo modo como comer uma comida que não faz bem para a saúde (sei lá, batatas fritas com muita gordura) não é pecaminoso, a não ser que a pessoa a coma como forma de suicídio (ou seja: o sujeito sabe que a maionese estragou, mas come para ter uma infecção intestinal e morrer), não é pecaminoso fumar, a não ser que haja a intenção de se matar fumando.

Provavelmente seria pecaminoso se um antitabagista convicto fumasse, porque na sua visão a única função do cigarro é matar. Assim, ao botar um cigarro na boca, ele estaria conscientemente e deliberadamente tentando o suicídio (forma besta de suicídio, aliás, posto que ele não iria morrer, e depois de algum tempo até continuaria a fumar sem ser mais por vontade de morrer, o que faria com que não estivesse mais pecando).

O problema, portanto, não é fazer mal ao corpo, mas sim matar deliberadamente. A medicina não pode matar alguém para devolver-lhe (ou a outrem) a saúde; é o caso dos transplantes cardíacos, que só podem ser feitos se o coração é tirado de uma pessoa ainda viva, e por isso são proibidos pela Igreja.

Já fazer mal ao próprio corpo é algo moralmente neutro, a não ser que seja por uma boa causa (por exemplo, a mortificação física), quando se torna um ato virtuoso, ou por razões más (por exemplo, vasectomia ou uso de pílulas anticoncepcionais para evitar filhos), caso em que se torna moralmente errado.


Fumar seria pecaminoso por ser um vício?!

É muito habitual entre falantes de português a confusão entre a noção médico-psicológica de vício (ato habitual e não necessário para a sobrevivência cuja descontinuidade provoca desconforto) e a noção teológica de vício (hábito de fazer algo desordenado, que tende a crescer). Um vício (no sentido médico-psicológico) não é necessariamente pecaminoso, a não ser que induza ao pecado.

Devemos lembrar que o pecado é um ato desordenado, ou seja, que não tem como fim último Aquele que é o princípio primeiro de todas as coisas. Ora, vícios (mais uma vez, no sentido médico-psicológico), sejam de cigarros, morfina, cocaína, o que quer que seja, não têm necessariamente atuação desordenada.

Um exemplo mais claro disso pode ser, por exemplo, o de um soldado que injeta morfina para poder continuar a lutar em uma guerra justa. Neste caso, o uso da morfina é virtuoso. Seria deixar de lado o seu dever não fazer uso da morfina por medo de viciar-se. Se este soldado ficar viciado, ele não estará pecando em absoluto devido ao seu vício. Encerrada a guerra, se ele continuar viciado, se não for necessário cometer nenhum pecado (roubo, por exemplo) para continuar a obter sua morfina, ele não estará pecando se continuar a usá-la.

O mesmo ocorre com o cigarro; se o fumante começou a fumar para impressionar as menininhas, por exemplo, ele pecou. Se começou a fumar porque todos fumavam no ambiente em que estava, foi um ato moralmente neutro. Se começou a fumar porque, digamos, era a única maneira de manter-se acordado em seus turnos de sentinela como soldado, foi um ato virtuoso. Se para continuar fumando ele não tiver que cometer algum pecado, não haverá pecado algum em continuar fumando após o fim da necessidade.

Fumar é vício apenas no sentido médico-psicológico. Ora, vícios (neste sentido, não no teológico) não são necessariamente desordenados. Se é por aí, eu sou viciado em ler e em usar ar-condicionado no verão…

Outra diferença é no tipo de “crescimento” que ocorre no “vício” (no sentido médico-psicológico) e no vício (no sentido teológico). O uso da droga ou o comportamento compulsivo do viciado cresce quantitativamente por aumentar a sua tolerância (ou seja: para atingir o mesmo efeito ele precisa de dose quantitativamente maior). Já crescimento no vício (no sentido teológico) não é em quantidade, mas em intensidade, ou seja: a luxúria, se não é controlada, tende a ficar cada vez mais depravada. A pessoa que cede a este vício não se contenta mais com as relações conjugais habituais. Ela procura coisas cada vez mais estranhas, até acabar precisando de anões besuntados, bodes e carrinhos de mão para saciar sua luxúria.

Do mesmo modo, quem cede à gula não se contenta com feijão com arroz e batatas fritas. Ele pode comer só três vezes por dia, mas vai querer escargots amanteigados com folhinhas tenras de alface crespa da Polinésia Ocidental.

A analogia, que é fácil de fazer – e que por falta de uma precisão maior no que eu escrevi vc já fez – entre os hábitos causadores de dependência psicológica ou física e os vícios (no sentido teológico) é o que levou a língua portuguesa a chamar de “vício” estes hábitos. Este mal-entendido todo, por exemplo, não teria ocorrido se esta conversa fosse em inglês, pois nesta língua os vícios, no sentido teológico, chamam-se “vice”e os “vícios” no sentido médico-psicológico são chamados “addiction”. É por isso que a Polícia de Costumes (que trata de prostituição, jogatina, etc.), em inglês é chamada de “Vice Squad” (lembram-se do seriado “Miami Vice”? Nunca vi, mas o nome diz tudo). Eles não tratam de “addiction”, mas de “vice”.

É por isso que muitos fazem esta confusão, abrindo o Catecismo e lendo as passagens que tratam de vícios (que evidentemente, no Catecismo, são vícios no sentido teológico do termo) como se tratassem de hábitos causadores de dependência (ou seja, de “vícios” no sentido médico-psicológico, como o do cigarro, da cocaína, do álcool, etc.).

Os vícios de que trata o Catecismo são Soberba, Avareza, Luxúria, Ira, Gula, Inveja e Preguiça, não cigarro, cachaça, etc.

Fumar seria contrário à natureza, logo pecaminoso?

Muitos anti-tabagistas afirmam que fumar seria “contrário à natureza”, por não ser um impulso natural do homem tragar fumaça. Isto, segundo eles, faria do ato de fumar um pecado, posto que são considerados pecados os atos contrários à natureza (como a masturbação, a sodomia, etc.).

Há porém uma diferença básica e elementar entre estes dois sentidos da expressão “contrário à natureza”: a masturbação é um ato intrinsecamente desordenado, pois é (no sentido teológico) contrário à natureza. Assim, a pessoa que se masturba estará sempre pecando (a não ser que seja um doente mental que não percebe o que faz), pois estará cometendo um ato que é sempre desordenado. Fumar é um ato moralmente neutro, e pode ser pecaminoso, neutro ou virtuoso de acordo com a intenção. Não é, porém, um ato contrário à natureza, teologicamente falando.

Devemos ter cuidado com a expressão “contrário à natureza”. Em termos teológicos (ou seja, se usarmos a palavra “natureza” no sentido teológico, de natureza humana marcada pelo Pecado Original), nem fumar, nem beber até cair duro, nem cheirar cocaína, etc., contrariam a natureza. Já a masturbação contraria. Por outro lado, em termos médico-psicológicos, masturbação não contraria a natureza mas beber álcool contraria.

Não devemos confundir o termo em seu sentido teológico e em seu sentido médico-psicológico. Teologicamente falando, não há absolutamente nada de contrário à natureza nas drogas (qualquer droga, da aspirina ao cigarro, passando pelo álcool e pelo AZT), pois faz parte das capacidades naturais do homem modificar a natureza e usá-la para atingir seus objetivos. Em termos médico-psicológicos, nenhuma droga é natural (é por isso que dizem os médicos que uma cura causada por mecanismos psicológicos ou físicos próprios do indivíduo, sem drogas, é uma “cura natural”).

Assim, teologicamente falando, se alguém deseja ficar com o peito ardendo, os olhos cheios d’água e tossindo (por exemplo, para não fazer uma coisa errada que seria forçada a fazer caso estivesse em boa saúde), é perfeitamente natural ir cheirar o lixo sendo queimado; afinal, a pessoa estaria usando a sua capacidade natural de transformar a natureza e usá-la para o objetivo que deseja. Em termos médicos, isto não seria natural; o que seria considerado natural seria a pessoa, por exemplo, ter uma diarréia ou outro psicossomatismo.

Fumar seria um ato intrinsecamente desordenado, logo pecaminoso?!

Alguns antitabagistas consideram que fumar seria um ato desordenado, logo pecaminoso, porque o fumante não tem hora para fumar.

Devemos lembrar que desordenado (termo teológico, mais uma vez), não tem nada a ver com bagunçado. Tem a ver com o objetivo do ato, que deve levar a Deus, de Quem tudo vem. É por isso que, ainda que o adúltero cometa adultério sempre na mesma hora do mesmo dia, com as mesmas roupas, a mesma amante, no mesmo lugar e com os mesmos movimentos, o ato é desordenado. Não tem a ver com o sentido comum de “desordem”, sim com o sentido teológico.

“Vícios” no sentido médico-psicológico, não, ou ao menos não por serem chamados vícios. Hoje, por exemplo, já há médicos que consideram que a masturbação compulsiva pode ser chamada vício. Ela é vício no sentido teológico por ser masturbação, e no sentido médico-psicológico por ser compulsiva.

Deveríamos nos abster de fumar para evitar escandalizar os irmãos?

Outros afirmam que se o ato de fumar escandaliza aqueles que acham que isso é pecaminoso, devemos evitar fumar para não escandalizá-los.

Há porém uma diferença enorme em questão: não se trata de simplesmente algo que possa tornar-se motivo de escândalo (como o comer carnes oferecidas aos ídolos, que não fazem mal mas podem levar alguém a considerar que a pessoa está partilhando do sacrifício aos ídolos, e não só comendo carne), mas de uma heresia (o puritanismo protestante, de origem gnóstica) que está tentando forçar a sua entrada na Igreja. Não se trata de opinião; quem quiser fumar, fume, quem não quiser não fume. Se Fulano não quer que fumem na casa dele, é um direito. Eu também não quero que ouçam música eletrônica na minha casa, e uma pessoa que não gosta de flores tem todo o direito de proibir a entrada delas em sua casa.

O problema é quando a razão da atitude é herética. Fulano pode perfeitamente defender a sua proibição de fumar em sua casa com os argumentos da propriedade (a casa é dele, e dentro da casa dele faz-se o que ele aceita que seja feito, desde que não seja contrário à Lei de Deus) e até da saúde (ele teme danos à saúde causados pelo cigarro). Ele não pode, entretanto, proibir fumar em sua casa pela mesma razão que ele proibiria, digamos, que sua casa fosse usada para cometer adultério (ou seja, por considerar pecaminoso fumar e não querer ser cúmplice no pecado). Isto estaria errado.

Defendo o direito de quem quer que seja de proibir fumar, usar roupa de uma cor ou outra que não lhe agrada, usar sapatos, etc. É a vontade do dono da casa, que deve ser respeitada em sua casa. Se a pessoa começasse, porém, a defender sua proibição afirmando que fumar é pecado, roupa preta traz maus fluidos e sapatos impedem o contato com a energia telúrica, estaria comprando uma briga comigo.


Resumindo…

Fumar não é pecaminoso. Não se pode acusar um fumante de estar pecando ao fumar.

Fumar pode perfeitamente fazer mal à saúde, e uma pessoa que tenha razões para querer ter boa saúde tem todo o direito de não fumar. Do mesmo modo, uma argumentação contra o fumo que seja baseada em seus danos à saúde é perfeitamente aceitável.

Do mesmo modo, o direito dos proprietários de residências e outras áreas particulares de exigir que não se fume em suas propriedades é lícito.

O que não é lícito e não é aceitável é acusar o fumante de pecar por fumar. Fuma quem quer, não fuma quem não quer. Nenhum dos dois, por esta razão, está pecando

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Documentos da Igreja Contra a Maçonaria

Aqui estão alguns documentos da Igreja, contra a Maçonaria.
Boa leitura!


In Eminenti Apostolatus Specula
do Papa Clemente XII, em 1738.
Em Português


Provida Romanorum Pontificum
do Papa Beto XIV, em 18 de Maio de 1751.
Em Português


Ecclesiam a Jesu Christo
do Papa Pio VII, 13 de Setembro de 1821.
Em Inglês
Em Francês


Quo Graviora
Constituição Apostólica do Papa Leão XII, em 13 de Março de 1826.
Em Inglês


Traditi Humilitati
do Papa Pio VIII, em 24 de Maio de 1829.
Em Inglês


Qui Pluribus
do Papa Pio IX, em 9 de Novembro de 1846.


Humanum Genus 
do Papa Leão XIII, em 20 de Abril de 1884.


Declaração Sobre a Maçonaria - Congregação Para a Doutrina da Fé
Assinada pelo Cardeal Joseph Ratzinger, em 26 de Novembro de 1983.
No pontificado do Papa João Paulo II.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Uso do véu e modéstia no vestir



(Excertos) Circular sobre a Reverência aos Santos Sacramentos

Por  Dom Antônio de Castro Mayer
21 de novembro de 1970

As senhoras comunguem de cabeça coberta

Ainda sobre a recepção da Sagrada Comunhão mantenha-se o costume tradicional que manda às senhoras e moças que se apresentem com a cabeça coberta. Outro hábito imemorial, fundado na Sagrada Escritura (cf. 1 Cor. 11, 5 e SS.), que não deve ser modificado. São Paulo recorda a veneração e o respeito aos Anjos presentes na igreja, que as senhoras significam com o uso do véu. Nada mais belo, mais ordenado, mais encantador do que a mulher cristã que reconhece a hierarquia estabelecida por Deus, e manifesta externamente sua adesão amorosa a semelhante disposição da Providência.

A imodéstia no trajar e a nossa responsabilidade

Na mesma ordem de idéias, lembramos aos nossos caríssimos Sacerdotes que devem empenhar-se, a fundo, por conservar nos fiéis o amor à modéstia e ao recato, que os tornam menos indignos de receber os Santos Sacramentos.

Não nos esqueçamos de que, se a sociedade se paganiza, se ela foge da mentalidade cristã, como esta se define nas máximas evangélicas, não o faz sem a conivência e a cooperação das famílias católicas, e, portanto, em grande parte, por nossa culpa, de nós Sacerdotes.

Ou por comodismo, que em nós cria aversão ao exercício de nossa função de orientadores do povo fiel, ou quiçá – PROH DOLOR! – por condescendência com a sensualidade reinante, somos remissos em declarar, sem rebuços, que as modas de hoje destoam gravemente da virtude cristã, e, mais ainda remissos somos, em usar da firmeza apostólica, ainda que suavemente exercida, para afastar dos Sacramentos a atmosfera sensual atualmente introduzida na sociedade pelas vestes femininas.

É com tristeza que sabemos de Sacerdotes na Diocese, e de outras pessoas com responsabilidade de orientação de almas que não tomam a menor medida no sentido de manter em torno dos Sacramentos, especialmente da Santíssima Eucaristia, o ambiente de pureza que Jesus Cristo exige de seus fiéis servidores.

Por que todas as igrejas da Diocese não ostentam, em lugar bem visível, as disposições eclesiásticas no sentido de que as senhoras e moças não se apresentem no templo de Deus com vestes ajustadas, decotadas, de saias que não desçam abaixo dos joelhos, ou de calças compridas, estas últimas mais próprias do outro sexo?

E por que não tomam todos os Sacerdotes medidas a fim de que com semelhantes trajes, não se apresentem aos Sacramentos as senhoras e moças, ou para recebê-los ou como madrinhas ou testemunhas? Seria o mínimo que se poderia pedir a quem está realmente interessado por que a adaptação de que tanto se fala, não seja uma profanação do Sagrado, com prejuízo pessoal, para o povo fiel e para a sociedade em geral.

Caríssimos Sacerdotes. O zelo pela Casa de Deus, bem como a caridade com o próximo, pedem, nos tempos atuais, maior atenção à maneira de vestir dos fiéis que o são e querem viver cristãmente. A Sagrada Escritura lembra que “as vestes do corpo, o riso dos dentes e o modo de andar de um homem fazem-no conhecer” (Ecli. 19, 27).

E Pio XII comenta: “A sociedade, por assim dizer, fala com a roupa que veste; com a roupa revela suas secretas aspirações, e dela se serve, ao menos em parte, para construir o seu próprio futuro” (“Disc. e Radiomes.” Vol. 19, p. 578). Ninguém negará o valor objetivo desta observação do Papa Pacelli.

(Excertos da Circular sobre a Reverência aos Santos Sacramentos – Dom Antônio de Castro Mayer – retirado do site: FSSPX do Brasil)
Fonte: A grande guerra

Credit of the photo: —desconhecido

sábado, 1 de agosto de 2015

Papa Pio VI sobre a execução de Luís XVI, Rei da França



Trecho de um discurso do Papa Pio VI, proferido no consistório secreto de 17 de junho de 1793, por ocasião da execução de Luís XVI, Rei da França.


"¡Ah Francia! ¡Francia! Tu á quien nuestros Predecesores llamaban el espejo de la cristiandad, y el inmutable apoyo de la Fé ; tu que por tu zelo en la creencia cristiana, y por tu piedad filial hacia la Silla Apostólica, no marchas á la par de las otras Naciones, sino que las precedes á todas " ¡ Que contraria nos eres hoy día! iDe que espíritu de hostilidad te presentas animada contra la verdadera Religión ! ¡Quanto sobrepuja ya el furor, que tu le manifiestas á los excesos de todos aquellos, que se han mostrado hasta ahora sus perseguidores los mas implacables! Y sin embargo tu no puedes ignorar, aun quando lo quisieras, que la Religión es la guardia mas segura, y el mas sólido fundamento de los Imperios; pues que reprime igualmente los abusos de la autoridad en los Príncipes, que gobiernan, y los defectos de la licencia en los subditos, que obedecen. ¡ Ah ! Por esto mismo es que todos los facciosos antagonistas de las prerogativas reales buscan el modo de anonadarlas, esforzándose para volcar luego la Fé Católica.

¡Ah Francia! vuelvo á repetir. Tu misma pedias antes un Rey Católico. Tu decías que las leyes fundamentales del Rey no no permitían reconocer un Rey, que no fuese católico. Y ved ahora que teniendo ese Rey católico lo acabas de asesinar presisamente por que lo era. Tu rabia contra este Monarca ha sido tal, que ni su mismo suplicio ha podido saciarla, ni apaciguarla. Tu la has querido singularizar todavia después de su muerte sobre sus tristes despojos; por que mandásteis que su cadáver fuese llevado, y enterrado sin disposición alguna de una honrosa sepultura. ¡Ah! A lo menos se respetó la Magestad Real en Maria Stuart después de su muerte. Su cuerpo fué embalsamado, llevado á la cindadela, y depositado en un lugar preparado al efecto. Se dio órden á sus oficiales, y á sus domésticos de mantenerse cerca del féretro, con todas las insignias de sus dignidades, hasta que se le destinase á esta Princesa una sepultura conveniente. ¿ Que has ganado tu, entregándote así á un movimiento de odio, y furor, que no has podido satisfacer, sino atraerte mas ignominia, é infamia, y provocar el resentimiento y la indignación general de los Soberanos, mucho mas irritados contra tí, que no lo fueron jamás contra Isabel de Inglaterra.

¡O dia de triunfo para LUIS XVI á quien Dios ha dado la paciencia en las tribulaciones, y la victoria en medio del suplicio ! Nosotros tenemos la firme confianza, de que ha cambiado dichosamente una Corona Real siempre frá-gil, y las iises que en breve se marchitarían, por la diadema eterna, que los Angeles han texido, de lises inmortales." 



Tradução para o Português


"Ah França, França, tu a quem os nossos predecessores chamavam o espelho do cristianismo, e com o apoio imutável da Fé! Tu que pelo teu zelo na crença cristã, e a tua piedade filial à Sé Apostólica, não te encontras a par das outras nações, mas as precedes a todas. Como nos é contrária hoje em dia! De que espírito de hostilidade te apresentas animada contra a verdadeira religião! Quanto já supera a fúria, que manifestas aos excessos de todos aqueles que têm mostrado até agora os seus perseguidores mais implacáveis! 

E, no entanto, não podes ignorar, mesmo se o quiseres, que a religião é a guarda mais segura e a base mais sólida dos Impérios; pois também reprime os abusos de autoridade dos Príncipes, que governam, e os defeitos da licença dos súbditos, que obedecem. Oh! É por isso que todos os facciosos antagonistas das prerrogativas reais buscam o modo de aniquilá-las, esforçando-se por derrubar a Fé Católica.

Ah França, repito novamente! Tu mesmo pedias um Rei Católico. Disseste que as leis fundamentais do Rei não permitiam reconhecer um Rei que não fosse católico. E vê agora que, tendo aquele Rei Católico, acabaste de o assassinar, presumivelmente porque ele o era. A tua raiva contra este Monarca foi tal que nem mesmo a sua própria tortura foi capaz de a satisfazer ou apaziguá-la. Mesmo depois da sua morte nos seus despojos tristes ordenaste que o seu cadáver fosse levado e enterrado sem qualquer provisão de um enterro honroso. Oh! Pelo menos a Majestade Real foi respeitado em Maria Stuart depois da sua morte. O seu corpo foi embalsamado, levado para a cidadela e depositado num lugar preparado para esse fim. Foi ordenado aos seus oficiais que ficassem, juntamente com a família, perto do caixão, com todas as insígnias de suas dignidades, até que ele destinase a esta Princesa um enterro conveniente. 

O que ganhaste tu entregando-te a um movimento de ódio e raiva, não te conseguiste satisfazer mas apenas atrair mais ignomínia e infâmia, e causar ressentimento e indignação geral dos Soberanos, muito irritados contra ti, que eles nunca o foram contra Isabel de Inglaterra.

Ó dia de triunfo de Luís XVI, a quem Deus deu paciência nas tribulações e vitória no meio da tortura! Temos a firme confiança de que ditosamente foi substituída uma Coroa Real, cujas as cores em breve iriam desaparecer, por um diadema eterno, que os Anjos teceram com lírios imortais." 




Clique Aqui e faça o download do discurso, em espanhol, do Papa Pio VI sobre a execução de Luís XVI, Rei da França, proferido no Consistório Secreto de 17 de junho de 1793.

--


Obs: Hoje, 11 de março de 2021, eu atualizei a presente publicação com o discurso de Pio VI em português. Agradeço ao Senza Pagare pela tradução feita e pela menção ao Linhas Piedosas.




Discurso do Papa Pio VI sobre a execução de Luís XVI, Rei da França



Clique Aqui e faça o download do discurso, em espanhol, do Papa Pio VI sobre a execução de Luís XVI, Rei da França, proferido no Consistório Secreto de 17 de junho de 1793.

--
Fonte: UNED e-spacio

Napoleão e a Revolução Francesa



A Revolução Francesa

Orlando Fedeli

Introdução
Quando se estuda a Revolução Francesa, é impossível não ficar impressionado com a flagrante contradição entre suas trilogias mágica - Liberdade, Igualdade, Fraternidade - em nome da qual se fez a Revolução, e os fatos que dela resultaram.

Até mesmo o leitor mais hipnotizado pelos slogans revolucionários se perturba ao ver o paladino da igualdade, Robespierre, praticamente fazer-se adorar na festa do Ser Supremo, em 1794. O mais cego liberal tem que fazer restrições aos crimes de terror, e fica estupefato ante a intolerância absoluta gerada pelo triunfo da Tolerância e da Liberdade. Como não ver que a Fraternidade romântica e sonhadora de Rousseau e de seus adeptos, a sociedade perfeita, pacífica e amorosa, finalmente realizada em 89, produziu o ódio e a guerra?

Liberdade... Em seu nome se combateu a pretensa tirania de Luiz XVI, se levantou o povo contra a disciplina inquisitória da Igreja Católica, se destruiu a Bastilha e a prepotência dos nobres .

Esta, a lenda.

Liberdade... que criou a lei dos suspeitos, que suprimiu a defesa dos réus nos tribunais, e que estabeleceu a escravidão da Lei, e a tirania de Robespierre e de Napoleão. São bem filhos dessa liberdade e dessa tirania as ditaduras de Lenin, de Hitler, de Mussolini e de Fidel Castro...

São realmente filhos legítimos da liberdade de 89 a anarquia de Bakunin e a anarquia dos hippies, o hippie esse “bom” selvagem de Rousseau, que finalmente aparece na Historia. Esta é a verdade histórica.

Igualdade... O preconceito histórico diz que, em 1789, o povo se rebelou contra a desigualdade e contra o privilégio para estabelecer, finalmente, a sociedade em que todos seriam iguais perante a lei, em que todos teriam as mesmas oportunidades. De novo, esta é a lenda.

A História mostra entretanto que a sociedade da igualdade estabeleceu o mais injusto dos privilégios. Que sátrapa antigo teve mais poder do que Carrier, nas prisões de Nantes, escolhendo moços e moças para suas orgias, antes de enviá-las à morte, sem julgamento, ? 
Quem teve um governo mais arbitrário do que Robespierre? A igualdade guilhotinou a nobreza para fazer reinar o “mauvais plaisir” dos jacobinos, e sua grosseria.

Augustin Cochin bem demonstrou que a igualdade leva ao mais injusto dos privilégios, pois que, se os homens são iguais, porque um deles teria o poder?

Antes de 1789, dizia-se que, sendo os homens diferentes, os que são superiores devem Ter a autoridade. O ser determina oTer. Assim como Deus é o Ser por excelência, assim quem é mais em alguma virtude ou qualidade, deve Ter mais poder.

Mas se estabelecermos o dogma da igualdade, e se dissermos que todos são iguais, aquele que tem o poder, o possuirá injustamente sobre os outros. Exigir que se lhe obedeça é exigir a pior obediências, é criar o mais injusto dos privilégios, aquele que não se baseia no ser.

A Igualdade de 89, além do mais, é contraditória porque estabeleceu como único critério de classificação social, o dinheiro.

Os homens passaram a ser iguais, exceto na fortuna. É claro que a crença no dogma da igualdade levaria a desejar destruir esta última desigualdade. E foi o que fizeram os comunistas de 1793.
A igualdade política de 89, devia levar -- e levou -- à igualdade econômica, e dela é que nasceu o comunista atual.

Fraternidade... Sem admitir que todos tem um Pai comum, Deus, a Fraternidade é uma grande mentira. Iguais e livres os homens seriam todos irmãos, viveriam pacificamente em Concórdia, Justiça, Paz, Amor.

Os homens, bons por natureza, isto é, sem inclinação para o mal criariam uma sociedade feliz onde não haveria mais opressão, nem guerra, pela ciência e a educação, extirpariam a pobreza e o crime, e nessa sociedade não haveria mais prisões, nem quartéis. Nessa sociedade fraterna, todas as religiões seriam livres e todas adorariam - obrigatoriamente - a natureza, seu único deus, e cultuariam a Rousseau, seu pseudo profeta...

Humanidade, Beneficência, Paz, Concórdia, Razão, Fraternidade, foi tudo isto que produziu o Terror, que destruiu as igrejas e pretendeu destruir a Religião, fazendo adorar a Razão representada por uma meretriz- no altar de Notre Dame, em Paris. Fraternidade... Foi ela que ergueu a guilhotina na praça da Concórdia.

Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Palavras mágicas que enfeitiçaram os franceses do século XVIII. Palavras mentirosas que continuam até hoje a iludir os homens. Palavras criminosas que fizeram correr injustamente tanto sangue... Esta é a História.

Liberdade, Igualdade, Fraternidade...

Escravidão, Tirania, Ódio, Mentiras

Sermão do Bem-aventurado Papa Urbano II convocando à I Cruzada em Clermont-Ferrand (França, 27 de novembro de 1095)



Bem-aventurado Papa Urbano II: a versão mais completa do Sermão da Cruzada
Do famoso sermão do Bem-aventurado Papa Urbano II convocando à I Cruzada em Clermont-Ferrand (França, 27 de novembro de 1095) existem diversos registros feitos por diversas testemunhas. Eis um outro, o mais completo, traduzido do italiano e disponível no site Documenta Catholica:

Povo dos Francos, povo de além Alpes, povo – como reluz em muitas de vossas ações ‒ eleito e amado por Deus, distinguido entre todas as nações pela posição de vosso país, pela observância da fé católica e pela honra que presta à Santa Igreja, a vós se dirige nosso discurso e nossa exortação.
Queremos que vós saibais do lúgubre motivo que nos conduziu até vossas terras; da necessidade ‒ para vós e para todos os fiéis ‒ de conhecerem o motivo que nos impeliu até aqui.

Desde Jerusalém e desde Constantinopla chegou até nós, mais de uma vez, uma dolorosa notícia: os turcos, povo muito diverso do nosso, povo de fato afastado de Deus, estirpe de coração inconstante e cujo espírito não foi fiel ao Senhor, invadiu as terras daqueles cristãos, as devastou com o ferro, a rapina e o fogo.

Levou parte dos habitantes como prisioneiros até seu país, outra parte matou com infames estragos, e as igrejas de Deus ou as destruiu até os fundamentos ou as entregou ao culto da religião deles.

Derrubam os altares após profaná-los imundamente, circuncidam os cristãos e espalham o sangue da circuncisão sobre os altares ou jogam-no nas pias batismais; e àqueles que querem condenar a uma morte vergonhosa perfuram o umbigo, arrancam os genitais, os amarram a um pau e, chicoteando-os, levam-nos pelas ruas, para que com as vísceras de fora, acabem caindo mortos prostrados por terra.
Outros se servem deles como alvo de flechas após amarrá-los a um pelourinho; a outros, após obrigá-los a dobrar a cabeça, os atacam com espadas e tentam decapitá-los de um só golpe.

O que dizer da violência nefanda praticada com as mulheres, sobre a qual é pior falar do que calar?
O reino dos gregos já foi atingido tão gravemente por eles e tão perturbado na sua vida diária que não pode ser atravessado sequer numa viagem de dois meses.

A quem, pois, cabe o ônus de vingá-lo e de reconquistá-lo se não a vós a quem Deus, mais de que aos outros povos, concedeu a insigne glória das armas, grandeza de alma, agilidade de corpo, força para humilhar a fundo aqueles que a vós resistem?

Que a gesta de vossos antepassados vos mova, que excite vossas almas a atos dignos dela, a probidade e a grandeza de vosso rei Carlos Magno e de Luis seu filho e de outros soberanos vossos que destruíram o reino dos pagãos e até eles estenderam os confines da Igreja.

Sobretudo que vos incite o Santo Sepulcro do Senhor, nosso Salvador, que está nas mãos de gentes imundas, e os lugares santos, que agora estão por eles vergonhosamente possuídos e irreverentemente profanados com sua imundícia.

Ó soldados fortíssimos, filhos de pais invictos, não vos mostreis decadentes, mas lembrai-vos da coragem de vossos predecessores; e se vos segura o doce afeto dos filhos, dos pais e das consortes, atentai para o que diz o Senhor no Evangelho: “quem ama o pai ou a mãe mais que a Mim, não é digno de Mim. Todo aquele que deixar seu pai ou sua mãe, ou a mulher ou os filhos ou as terras por amor de meu nome receberá o cêntuplo nesta terra e terá a vida eterna”.

Não vos detenha o pensamento de alguma propriedade, nenhuma preocupação pelas coisas domésticas, pois esta terra que vós habitais, circundada por todo lado pelo mar ou pelas montanhas, ficou estreita para vossa multidão, não é exuberante de riqueza e apenas fornece do que viver a quem a cultiva.

Por isso vós vos ofendeis e vos hostilizais reciprocamente, vós vos fazeis guerra e com freqüência vos matais entre vós mesmos.

Cessem, pois os ódios intestinos, apaguem-se os contenciosos, aplaquem-se as guerras e sossegue toda discórdia e inimizade.

Empreendei o caminho do Santo Sepulcro, arrancai aquela terra àquele povo celerado e submetei-la a vós: ela foi dada por Deus em propriedade aos filhos de Israel; como diz a Escritura, nela correm rios de leite e mel.

Jerusalém é o centro do mundo, terra feraz por cima de qualquer outra quase como um paraíso de delícias; o Redentor do gênero humano a tornou ilustre com sua vinda, a honrou com sua passagem, a consagrou com sua Paixão, a redimiu com sua morte, e a tornou insigne com sua sepultura.

Exatamente esta cidade real posta no centro do mundo agora é tida em sujeição pelos próprios inimigos e pelos infiéis, feita serva do rito pagão. Ela eleva sua lamentação e anela ser liberada e não cessa de implorar que vós andeis no seu socorro.

De vós mais do que qualquer outro povo ela exige ajuda, pois vos tem sido concedida por Deus, por sobre todas as estirpes, a glória das armas.

Empreendei, pois este caminho em remissão de vossos pecados, certos da imarcescível glória do reino dos Céus.

Ó irmãos amadíssimos, hoje em nós manifestou-se o que o Senhor diz no Evangelho: “Onde dois ou três estarão reunidos em meu nome, Eu estarei no meio deles”.

Se o Senhor Deus não tivesse inspirado vossos pensamentos, vossa voz não teria sido unânime; e ainda que tenha ressoado com timbres diversos, foi única, entretanto a sua origem: foi Deus que a suscitou, foi Deus que a inspirou em vossos corações.

Seja, pois, esta vossa voz, o vosso grito de guerra, posto que ele vem de Deus. Quando fores ao ataque dos belicosos inimigos, seja este o grito unânime de todos os soldados de Deus: “Deus o quer! Deus o quer!”

Nós não convidamos a empreender este caminho aos velhos ou àqueles que não são aptos para portar armas, nem as mulheres; que as mulheres não partam sem seus maridos ou sem irmãos ou sem representantes legítimos: todos estes são mais um impedimento do que uma ajuda, mais um peso do que uma vantagem.

Que os ricos sustentem os pobres e levem a seu custo homens prestes para combater.

Aos sacerdotes e clérigos de qualquer ordem não seja lícito partir sem licença de seu bispo, porque esta viagem lhes seria inútil sem esse assentimento; e nem sequer aos leigos seja permitido partir sem a bênção de seu sacerdote.

Todo aquele que queira cumprir esta santa peregrinação e que faça promessa a Deus e a Ele se tenha consagrado como vítima viva, santa e aceitável, leve sobre seu peito o sinal da Cruz do Senhor. Aquele que, após ter cumprido seu voto queira retornar, dê meia-volta.

Cumprirão assim o preceito que o Senhor dá no Evangelho: “Quem não carrega sua cruz e não vem detrás de Mim não é digno de Mim”.

Clermont, 27 de novembro de 1095.

(Fonte: Documenta Catholica, “Popolo Dei Franchi” (Discorso sulla crociata) [27-11-1095])

Retirado do site As Cruzadas

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Oração a Maria Santíssima Para Guardar a Santa Pureza


1. Coração Puríssimo de Maria, por vosso amor e com vosso auxílio, estou resolvido a não consentir, neste dia, em nenhum pensamento impuro. Ajudai-me, Senhora, a afastá-los logo. Ave Maria.
2. Coração Puríssimo de Maria por vosso amor e com vosso auxílio, estou resolvido a não proferir, neste dia, palavra alguma indecente. Purificai, Senhora, a minha língua. Ave Maria.
3. Coração Puríssimo de Maria por vosso amor e com vosso auxílio, estou resolvido a guardar, neste dia, especial modéstia em todas as minhas ações. Ó Senhora minha! Ó minha Mãe! Impetrai-me a graça de sempre e em tudo dar gosto ao vosso Puríssimo Coração. Ave Maria.
Meu Jesus,
Fazei-me puro. Puro nos olhos, pensamentos e nas ações.
Fazei-me humilde, que eu sempre desconfie de mim mesmo e não me exponha ao perigo do pecado.
Fazei-me penitente, dai-me amor ao sofrimento; tanto sofrestes por mim, que quero sofrer por vós.
Fazei-me generoso, para que eu nada vos recuse e toda a minha seja vossa.
Fazei-me zeloso pela Glória de Deus e pela Salvação das almas
Meu Jesus, fazei-me obediente aos meus pais e superiores.
______________________________
Do Livro de Orações da Adm. Apostólica S. J. Maria Vianney, de Campos-RJ

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Oração para fins diversos

Oração de São Tomás de Aquino

Que eu chegue a ti, Senhor, por um caminho seguro e reto; caminho que não se desvie nem na prosperidade nem na adversidade, de tal forma que eu te dê graças nas horas prósperas e nas adversas conserve a paciência, não me deixando exaltar pelas primeiras nem abater pelas outras.
Que nada me alegre ou entristeça, exceto o que me conduza a ti ou que de ti me separe.
Que eu não deseje agradar nem receie desagradar senão a ti.
Tudo o que passa torne-se desprezível a meus olhos por tua causa, Senhor, e tudo o que te diz respeito me seja caro, mas tu, meu Deus, mais do que o resto.
Qualquer alegria sem ti me seja fastidiosa, e nada eu deseje fora de ti.
Qualquer trabalho, Senhor, feito por ti me seja agradável e insuportável aquele de que estiveres ausente.
Concede-me a graça de erguer continuamente o coração a ti e que, quando eu caia, me arrependa.
Torna-me, Senhor meu Deus, obediente, pobre e casto; paciente, sem reclamação; humilde, sem fingimento; alegre, sem dissipação; triste, sem abatimento; reservado, sem rigidez; ativo, sem leviandade; animado pelo temor, sem desânimo; sincero, sem duplicidade; fazendo o bem sem presunção; corrigindo o próximo sem altivez; edificando-o com palavras e exemplos, sem falsidade.
Dá-me, Senhor Deus, um coração vigilante, que nenhum pensamento curioso arraste para longe de ti; um coração nobre que nenhuma afeição indigna debilite; um coração reto que nenhuma intenção equívoca desvie; um coração firme, que nenhuma adversidade abale; um coração livre, que nenhuma paixão subjugue.
Concede-me, Senhor meu Deus, uma inteligência que te conheça, uma vontade que te busque, uma sabedoria que te encontre, uma vida que te agrade, uma perseverança que te espere com confiança e uma confiança que te possua, enfim.
Amém.