sexta-feira, 27 de maio de 2022

Cardeal Zen fala em martírio e reza pelos católicos perseguidos na China


Por Barcelos de Aguiar - 26 de maio de 2022

As declarações do Cardeal Joseph Zen, preso pela polícia de Hong Kong (a serviço da China comunista) ,trouxe novamente à memória dos católicos a cruel perseguição movida pelo PCCh — liderado por Xi Jinping — contra nossos irmãos na Fé.

O Cardeal fala em martírio e lembra o valor do sofrimento para a purificação das almas.

Tudo isso nos faz lembrar os políticos míopes do Ocidente que tratam Xi Jinping como um “líder” e a China como segunda potência … No Brasil temos o PT, o PSDB e outros que se dizem de direita cortejando a ditadura chinesa.

São gravíssimas as denúncias de espionagem, clonagem de tecnologia de ponta, suborno de cientistas e jornalistas … obras do PCCh no Ocidente.

Vejamos agora a perseguição religiosa.

Perseguição na China continental

HONG KONG (LifeSiteNews) – O cardeal Joseph Zen disse aos católicos em sua homilia durante uma missa após sua recente prisão que “o martírio é normal em nossa Igreja”.

Na terça-feira, em uma missa que ele ofereceu em Hong Kong, o cardeal Zen rezou pelos católicos chineses na China continental que enfrentam perseguição, informou a Catholic News Agency.

“O martírio é normal em nossa Igreja”, disse o Zen de 90 anos. “Podemos não ter que fazer isso, mas podemos ter que suportar um pouco de dor e nos fortalecer por nossa lealdade à nossa fé.”

Zen celebrou a missa para cerca de 300 pessoas e também transmitiu a missa ao vivo em sua página no Facebook. A transmissão ao vivo recebeu milhares de visualizações em menos de 24 horas.

A celebração da missa seguiu de perto a prisão de Zen pela polícia de Hong Kong em 11 de maio, antes de ser libertado sob fiança algumas horas depois. Ele foi acusado de “suposta conspiração com forças estrangeiras” devido ao seu papel como administrador do Fundo de Auxílio Humanitário 612.

Rezando pelos perseguidos na China comunista

Ele orou especialmente por “irmãos e irmãs que não podem participar da missa de nenhuma forma esta noite – pois eles não têm liberdade agora”, informou a Reuters.

Os cidadãos estão passando pelo bloqueio mais rigoroso do mundo, já que as autoridades de Xangai e Pequim os estão confinando em seus apartamentos. Eles não estão autorizados a sair por qualquer motivo, incluindo a missa.

As restrições aos católicos continuam, pois os menores não podem participar de missas públicas na China continental. Após a prisão do cardeal Zen, políticos e líderes católicos condenaram o ato e pediram ao Vaticano que rejeitasse seu acordo secreto com a China.

O Acordo Secreto Vaticano-China

A Igreja Católica tem contratos diplomáticos com a maioria dos países do mundo. Estes delineiam a relação entre a Igreja e os governos seculares. No entanto, o acordo da Igreja com a China é secreto, enquanto os acordos com outros países são públicos.

O acordo foi assinado pela primeira vez em 2018 e depois renovado em 2020, mas os detalhes específicos permanecem não revelados, embora supostamente reconheça a igreja aprovada pelo Estado e permita que o governo comunista chinês nomeie bispos.

Muito semelhante à Questão das Investiduras contra a qual levantou-se vitorioso São Gregório VII excomungando o imperador do Sacro Imperio Henrique IV.
Também semelhante à Questão Religiosa no Brasil, quando Dom Frei Vital Maria Gonçalves de Oliveira (1844 - 1878) e Dom Antônio de Macedo Costa (1830 - 1891) foram encarcerados.

Continua a notícia: É uma “traição da verdadeira Igreja”, diz o Cardeal Zen antes de revelar um detalhe surpreendente: “Não é um episódio isolado. Já é uma política de longa data do Vaticano não ofender o governo chinês”.

Infelizmente, essa é a realidade. Vão longe os dias de São Gregório VII que afirmou os direitos da Santa Igreja face à intromissão do Poder Temporal. No caso da China é perseguição mesmo.

Fonte: LifeSiteNews


Santo Agostinho de Cantuária, um monge que conquistou a Inglaterra

 


Santo Agostinho de Cantuária, um monge que conquistou a Inglaterra

Por Plinio Maria Solimeo 

Antiga tradição inglesa reconhece como introdutor do cristianismo no país nada menos que José de Arimatéia, o rico discípulo do Redentor que depôs seu santíssimo corpo no sepulcro.

Tertuliano (c. 155- c. 222) afirma que a Religião cristã já havia penetrado “na Caledônia” — nome que os romanos davam à Grã-Bretanha — no século II, isto é, no território para além dos limites da província romana.

Essa cristandade já teria seus mártires na perseguição de Diocleciano, e o nome de seus bispos aparecido nos primeiros concílios do Ocidente, como o de Arles (314), no qual três prelados da região haviam participado.

No ano 429, bispos da Grã-Bretanha enviaram um apelo ao continente pedindo reforços para combater os hereges pelagianos. O Papa São Celestino enviou então São Germano de Auxerre e São Lobo de Troyes.

Após combater vitoriosamente os asseclas de Pelágio, São Germano permaneceu algum tempo na Grã-Bretanha, pregando e estabelecendo escolas para a formação do clero.(1)

Quando as legiões romanas deixaram o país, no início do século V, este foi invadido pelos saxões, que se estabeleceram no sul e no leste, e pelos anglos, que fundaram a East-Anglia.

Os invasores destruíram a maior parte do que sobrara da civilização romana, inclusive as estruturas econômica e religiosa.

Embora os remanescentes celtas fossem já cristãos, eram pouco numerosos para converter os invasores.

Ademais, odiavam seus conquistadores — que formavam a maior parte da população — e não empreenderam a sua conversão.

A Igreja dos celtas desenvolveu-se então isolada de Roma, sob a influência dos monges irlandeses, e desse modo centrada mais nos mosteiros do que nos bispados, sem espírito missionário.

São Gregório Magno: “Non sunt angli, sed angeli”

No final do século VI, quando ainda era abade do mosteiro de Santo André, que fundara em Roma, teve o futuro São Gregório Magno seu primeiro encontro com os anglos.

Passando ele um dia — relata São Beda, o Venerável — pelo Foro Romano, viu alguns jovens escravos loiros, de muito boa aparência.

Quando lhe informaram que eram anglos, ele proferiu a frase famosa: “Non sunt angli, sed angeli” — não são anglos, mas anjos.

Fracassada sua tentativa de ir como missionário evangelizar esse povo, no ano de 596, quando já era Papa, São Gregório enviou finalmente à Grã-Bretanha a missão apostólica que ele tanto desejara.

Para ela escolheu cerca de 40 monges de seu antigo mosteiro de Santo André sob a chefia de seu prior Agostinho, de cuja vida trata o presente artigo.

A respeito dessa iniciativa, o escritor inglês Edward Gibbon pôde afirmar: “César teve necessidade de seis legiões para conquistar a Grã-Bretanha. Gregório conseguiu isso com 40 monges”.

Foi por esse tempo que a Grã-Bretanha começou a ser denominada de Inglaterra, em memória do nome da tribo dos anglos que a povoavam, e foram notícias oriundas desse país que levaram o Papa santo a enviar a mencionada missão.

Com efeito, tendo Etelberto (ou Edilberto) se tornado rei de Kent em 559, conseguiu em menos de 20 anos estabelecer seu domínio em grande parte do país.

Casou-se com Berta, filha do rei de Paris, o qual condicionara a união ao direito de sua filha professar a verdadeira Religião. Um bispo acompanhou-a então à Inglaterra.

Papa impede desistência dos missionários

Praticamente nada se conhece da vida de Santo Agostinho antes de sua entrada no mosteiro de Santo André, antiga casa paterna de São Gregório.

Foi na qualidade de prior desse mosteiro que se deu sua escolha pelo Sumo Pontífice para chefiar os 40 monges enviados à Inglaterra.

De passagem pela Gália, o grupo de missionários deveria procurar em Arles — a primeira Sé das Gálias —, o bispo São Virgílio.

“Eu não duvido que recebereis Agostinho e seus companheiros com uma doce benevolência, que os encherá de consolação”, diz São Gregório em carta a São Virgílio.

Entretanto, sempre vigilante, acrescenta:

“Ao mesmo tempo, examinai esses missionários, e se notardes neles qualquer coisa de repreensível, adverti-os, corrigi-os, para que eles estejam aptos a operar a conversão dos povos. Que Deus vos tenha em sua guarda, meu reverendíssimo irmão”.(2)

Ora, tendo chegado à Gália, o grupo de missionários recebeu notícias muito desanimadoras da situação na Inglaterra.

O próprio Agostinho voltou, a fim de propor ao Papa de rever a questão. São Gregório enviou então aos monges enérgica carta incitando-os a seguir avante.

No Natal, a conversão de Santo Etelberto

São Beda, o Venerável, descreve a entrada de Santo Agostinho e de seus monges em Kent, carregando“a santa cruz junto com uma pintura do soberano Rei, Nosso Senhor Jesus Cristo”.(3)

O grande orador sacro francês Bossuet comenta: “A história da Igreja não tem nada de mais belo do que a entrada do santo monge Agostinho no reino de Kent, com 40 de seus companheiros”.(4)

Santo Agostinho, cuja estatura sobressaía à dos demais, era alvo de todos os olhares.

Os monges foram bem acolhidos em Kent por Etelberto, que lhes concedeu licença para pregar.

“A evidente sinceridade dos missionários, sua retidão, sua coragem nas provações e, sobretudo, o caráter desinteressado do próprio Agostinho e a nota não mundana de sua doutrina causaram profunda impressão na mente do rei. Ele pediu para ser instruído na fé católica, e seu batismo foi marcado para o dia de Pentecostes”.(5)

No dia de Natal de 597, mais dez mil saxões, a exemplo do rei, receberam o batismo.

Como prova da sinceridade de sua conversão, o rei Etelberto cedeu a Nosso Senhor seu palácio, que desde então se tornou a catedral de Cantuária e Sé principal da Inglaterra.

Elevado mais tarde à honra dos altares, dele diz o Martirológio Romano (em 24 ou 25 de fevereiro, conforme o ano):

“Na Grã-Bretanha, Santo Edilberto, rei de Kent, que Santo Agostinho, bispo dos anglos, convertera à fé de Cristo”.

“Um historiador antigo diz que a rapidez das conquistas de Agostinho era efeito não só do zelo do santo missionário e do espetáculo de suas virtudes, mas também das maravilhas que Deus operava por seu ministério”.(6)

Exaltação papal pelo sucesso apostólico

Ao saber o que ocorria na Inglaterra, o Papa santo escreveu a Santo Agostinho:
“Glória a Deus, glória a Deus no mais alto dos Céus; glória a Deus, que não quis reinar somente nos Céus; […] cujo amor nos envia a buscar até nas ilhas da Britânia irmãos desconhecidos; cuja bondade nos faz encontrar o que buscávamos sem conhecê-lo. Quem poderá contar a exaltação de todos os corações fiéis pelo fato de a nação inglesa, pela graça de Deus e vosso trabalho fraternal, estar inundada da santa luz e se prosterna diante do Deus Todo Poderoso?”.(7)

Sabendo que muito desse sucesso era devido aos inúmeros milagres operados por Agostinho, São Gregório o exorta à humildade, eleva-o a arcebispo de Kent e lhe dá sábios conselhos sobre a organização da missão no país.

Santo Agostinho foi então receber a sagração episcopal das mãos de São Virgílio, retornando em seguida para seu campo de batalha, pois a messe era grande e poucos os operários.

Por isso pediu reforços a São Gregório, recebendo pouco depois um novo grupo de monges.

Entre eles se destacavam São Melito, um de seus sucessores na Sé de Cantuária; São Justo, mais tarde bispo de Rochester e arcebispo de Cantuária; e São Paulino, depois arcebispo de York.

São Gregório lhe envia em 601 o pálio arquiepiscopal, dando-lhe o poder de erigir quantos bispados julgasse conveniente.

Atitude anti-apostólica e castigo atingem o clero

Como a seara era muito abundante e poucos os missionários, Santo Agostinho apelou para o clero celta, do outro lado da Ilha.

Mas este se esquivou, chegando o abade de Bangor — sua principal autoridade, cujo mosteiro possuía três mil monges — a responder ao santo:

“Não, não pregaremos a fé a essa cruel raça de estrangeiros, que traiçoeiramente expulsaram nossos ancestrais de seu país e despojaram a posteridade deles de sua herança”.

Diante dessa recusa tão pouco cristã, Santo Agostinho respondeu-lhe: “Pois que não quereis ensinar aos ingleses o caminho da vida, recebereis deles o castigo da morte”.

Essa profecia realizou-se alguns anos mais tarde quando Etelfrido, rei dos anglos, ainda pagão, invadiu a região onde estava o mosteiro de Bangor, e vendo que os monges rezavam pela vitória de seu oponente, matou impiedosamente mais de mil deles.

Conservaram-se duas cartas de São Gregório a Santo Agostinho, a segunda das quais é resposta a um questionário que ele enviou sobre dúvidas a respeito de como agir na Inglaterra.(8)

O Papa aconselha o Apóstolo da Inglaterra a não destruir os templos pagãos, mas a purificá-los, consagrando-os ao verdadeiro Deus; a não extinguir com violência certos costumes dos gentios, mesmo quando não fossem muito louváveis — com tal de não serem absolutamente incompatíveis com a Religião; a dissimular e passar por cima, até que essa nova planta esteja forte e seja capaz de abraçar inteiramente todo o rigor da disciplina eclesiástica.(9)

Convertidos, forneceram grandes missionários Baldadas suas tentativas para persuadir os bispos celtas de se submeterem à autoridade de Santo Agostinho, viu-se São Gregório Magno obrigado a estabelecer bispos romanos em Londres e Rochester, em 604, pouco antes de morrer.

Ele também fundou uma escola para a formação de sacerdotes anglo-saxões. Santo Agostinho, por sua vez, consagrou bispo seu futuro sucessor, São Lourenço de Cantuária.

Também morreu em 604, dois meses após São Gregório Magno, seu grande benfeitor.

Em seu livro Morais, o Papa santo escreve a respeito da conversão dos ingleses:

“Os ingleses, que antes não sabiam senão uma língua bárbara, começaram a louvar a Deus em língua hebraica; e o oceano, que estava antes dilatado e furioso, está agora sujeito e vassalo dos servidores de Deus. Os povos orgulhosos, que os príncipes da Terra não podiam domar pelas armas, foram subjugados pelas palavras simples dos sacerdotes”.(10)

Toda essa epopeia viria a desmoronar-se no século XVI pela lubricidade de um rei adúltero — Henrique VIII — que para satisfazer suas paixões separou a Inglaterra da verdadeira Igreja, fundando uma igreja cismática e depois herética da qual se tornaria a cabeça.
 
Fonte: Revista Catolicismo

Notas:
1. Cfr. Andrew A. MacErlean, Saint Germain, bishop of Auxerre, The Catholic Encyclopedia, CD Rom edition.
2. Les Petits Bollandistes, Saint Virgile, Religieux de Lérins, Vies des Saints, Bloud et Barral, 1882, tomo III, p. 161.
3. Cornelius Clifford, Saint Augustine of Canterbury, The Catholic Encyclopedia, DC Rom edition.
4. Les Petits Bollandistes, Saint Augustin de Canterbury, tomo VI, p. 195.
5. Cornelius Clifford, op. cit.
6. Pe. Pedro de Ribadeneira, S.J., San Agustín, obispo e confesor, Flos Sanctorum, in Eduardo Maria Vilarrasa, La Leyenda de Oro, L.González Y Compañia – Editores, Barcelona, 1896, tomo II, p. 344.
7. Apud Fr. Justo Perez de Urbel, O.S.B., San Agustín de Canterbury, Año Cristiano, Ediciones Fax, Madri, 1945, tomo II, pp. 469-470.
8. Livro XI, Carta 64, in St. Gregory I, Letters, The Catholic Encyclopedia, CD Rom edition.
9. Cfr. Les Petits Bollandistes, Saint Grégoire le Grand, tomo III, p. 371.
10. Les Petits Bollandistes, id., p. 372.

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Disponível no site do IPCO

Ilustração: Santo Agostinho de Cantuária, Downside Abbey


Os piores inimigos da Igreja

 

"Os piores inimigos da Igreja tramam seus perniciosos desígnios, não já fora, mas dentro dela, - é por assim dizer nas suas próprias veias e entranhas que se acha o perigo". 

Papa São Pio X
Carta Encíclica "Pascendi Dominici Gregis"
8 de setembro de 1907

Recomecemos!

 


Recomecemos! 


— Bem diz S. Francisco de Sales que “a origem de todas as nossas mágoas está em nos esquecermos daquela máxima dos Santos, segundo a qual todos os dias devemos julgar que principiamos a nossa aprendizagem na perfeição”. Efetivamente, a perfeição em grande parte é uma questão de recomeçar. Definição sumária e ao mesmo tempo relativa. É lógico: recomeçar cada dia, humildemente, sem despeito, com confiança e ardor; recomeçar a tarefa tão interessante e tão ingrata, às vezes, do próprio aperfeiçoamento, tudo isto exige uma não pequena medida de boa vontade. Como, porém, no céu triste de um inverno que acabou, Deus faz surgir o sol radioso para recomeçar a florida estação da primavera, assim em nossa alma surge também o sol da graça, se nos voltamos para Deus. S. Francisco de Assis, às vésperas da morte, ele, o êmulo dos serafins, dizia ao seu irmãozinho Frei Leão: “Meu irmãozinho, quando, pois, amaremos verdadeiramente ao bom Deus?… Vamos!… comecemos a fazer alguma coisa para Ele!”

Recomecemos, pois, cada dia, nossa vida de fé, de luta, de confiança, de paciência, de devotamento, de amor divino… Recomecemos corajosa e confiantemente, pois que o recomeçar nos levará à perfeição! 

* * *

Há nos conselhos do nosso santo doutor uma suprema consolação para as almas que seriamente desejam agradar sem reserva a Deus e se dedicam ao seu serviço por íntimas comunicações. Julgam-se elas mais indesculpáveis que as outras nas infidelidades que involuntariamente cometem e parece-lhes que as suas quedas deverão causar-lhes maior admiração. E, todavia, não é assim que o entendem os mestres da vida espiritual. Frequentemente — nota o P. Grou — as nossas quedas resultam da rapidez da carreira: o ardor que nos impele não nos dá tempo de tomarmos certas precauções. As almas tímidas e precavidas, sempre desejosas de saber onde põem os pés, sempre a dar voltas para evitar um passo em falso, constantemente receosas de se mancharem, não avançam tão depressa quanto as outras, e surpreende-as quase sempre a morte no meio da sua carreira. Não são mais santos os que cometem menos faltas, mas sim os que têm mais coragem, mais generosidade, mais amor e fazem maiores esforços sobre si mesmos, não receando escorregar, cair até e se manchar um pouco, contanto que avancem.

S. João Crisóstomo dizia a mesma coisa por outros termos: “Se um soldado fica na refrega, deixa-se ferir e abater um pouco às vezes, não há quem, tão duro ou tão ignorante das coisas da guerra, disso lhe faça um grande crime. Só não são feridos os que nunca se lançam nos combates. Os que mais ardidos se atiram contra o inimigo são os que mais recebem os golpes do embate”.

7. Quedas graves — Dever-se-ão aplicar até mesmo ao pecado mortal as reflexões deste capítulo e recomendar às almas gravemente culpadas que não se admirem das quedas que as privam da amizade de Deus? Ousará S. Francisco de Sales ter para elas a mesma linguagem como para com os corações generosos, aos quais se dirigia até agora?

Escutemos: “Meu caro Teótimo, pasmam os céus, tremem de pavor as suas portas e os anjos da paz ficam tomados de espanto em face da estupenda miséria do coração humano que, para se prender a coisas tão deploráveis, abandona um bem tão amável. Mas já viste esta pequena maravilha, que todos sabem sem lhe conhecerem a razão? Quando se abre um tonel bem cheio, ele não deixará sair o vinho, se por cima se lhe não deixar entrar o ar.

Certamente, nesta vida mortal, ainda que as nossas almas abundem em amor do Céu, jamais dele estarão tão cheias que pelas nossas fragilidades esse amor não possa sair; lá em cima, porém, no Céu, quando as suavidades da beleza de Deus ocuparem todo o nosso entendimento e as delícias da sua bondade saciarem toda a nossa vontade, sem nada haver que a plenitude do seu amor não preencha, objeto nenhum, ainda que ele penetre até aos nossos corações, poderá jamais tirar nem fazer sair uma só gota do precioso licor do seu amor celeste, e não será jamais possível pensar em deixar entrar o vento por cima, quer dizer, iludir ou surpreender o entendimento, porque ficará imóvel na apreensão da verdade soberana”.

Fiquemos bem avisados: uma queda em pecado, grave que seja, não poderia provocar espanto senão no Céu, onde não pode haver quedas. Cá na terra, não há motivo para disto alguém se admirar mais do que vendo um líquido sair dum vaso aberto. 

8. Tornar a levantar-se imediatamente. — Oh, como seríamos indulgentes para com os nossos irmãos, digamo-lo de passagem, se bem meditássemos estes pensamentos! Como nos identificaríamos com a paciência inefável d’Aquele que, antes de investir os seus Apóstolos do poder de remitir os pecados, lhes recomendava que perdoassem não sete vezes, mas setenta vezes sete!

Sem dúvida, esta indulgência, com relação às faltas, próprias assim como às alheias, não deve ir ao ponto de as olhar com indiferença. Mas uma coisa é não se admirar delas, outra é não as detestar e reparar. O lavrador não se espanta ao ver as ervas daninhas destruírem a sementeira; mas por isso terá ele menos cuidado de arrancá-las?

Assim também, depois de haver dito em sentido absoluto e sem excetuar os pecados mortais: “quando incorrerdes em alguma falta, não vos admireis”; e “se bem soubéssemos quais somos, em vez de nos admirarmos de nos ver em terra, pasmaríamos ao pensar como podemos permanecer em pé”, objurga-nos S. Francisco de Sales a “que não nos deitemos na terra nem nos retoucemos na lama”, em que caímos; e acrescenta: “Se a violência da tempestade, às vezes nos perturba um pouco o estômago e à cabeça nos traz algumas vertigens, não seja isso motivo de espanto; antes, tão depressa como pudermos, retomemos a respiração e ânimo para proceder melhor”.

“Quando caíres, levanta-te com uma grande placidez, humilhando-te profundamente diante de Deus e confessando-Lhe a tua miséria, mas sem te admirares da queda que deste. Pois que há de extraordinário em que a enfermidade seja enferma, a fraqueza, fraca, e a miséria, miserável? Detesta, sim, com todas as forças, a afronta feita à divina Majestade e depois, com uma confiança inteira e animosa em sua Misericórdia, volta ao caminho da virtude, que havias abandonado”.

Este último texto deixa ver bem quais as disposições, supremamente salutares, que, em lugar do espanto, devemos excitar em nós após as quedas: conhecer a nossa abjeção que é o primeiro grau de humildade. Dela falaremos na segunda parte desta obra. Por agora, tendo estabelecido que a consciência das faltas próprias não deve causar-nos admiração, demonstraremos que muito menos ainda nos deverá perturbar.

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Autor: Pe. José Tissot, Missionário de S. Francisco de Sales
Livro: Arte de Aproveitar-se das Próprias Faltas, Segundo S. Francisco de Sales

PDF: https://docero.com.br/doc/1cnc1ve

segunda-feira, 18 de abril de 2022

O dia grande do Senhor está próximo

 


ESTÁ PRÓXIMO 


O dia grande do Senhor está próximo; está próximo, e vai chegando com velocidade; amargo é o ruído do dia do Senhor; o forte se verá nele em grande aperto. Esse dia será um dia de ira, um dia de tribulação e angústia, um dia de calamidade e miséria, um dia de nuvens e tempestades, um dia de trombeta e de gritos guerreiros contra as cidades fortificadas e contra as torres elevadas. Eu atribularei os homens, e eles andarão como cegos, porque pecaram contra o Senhor; e o seu sangue será derramado como a poeira, e os seus corpos serão (tratados) como o esterco. Mas nem a sua prata, nem o seu ouro os poderá livrar no dia da ira do Senhor; no fogo do seu zelo será devorada toda a terra, porque ele se apressará a exterminar todos os habitantes da mesma terra.


Juxta est dies Domini magnus: juxta est, et velox nimis. Vox diei Domini amara: tribulabitur ibi fortis. Dies irae dies illa, dies tribulationis et angustiae, dies calamitatis et miseriae, dies tenebrarum et caliginis, dies nebulae et turbinis, dies tubae et clangoris super civitates munitas, et super angulos excelsos. Et tribulabo homines, et ambulabunt ut caeci, quia Domino peccaverunt; et effundetur sanguis eorum sicut humus, et corpora eorum sicut stercora. Sed et argentum eorum et aurum eorum non poterit liberare eos in die irae Domini: in igne zeli ejus devorabitur omnis terra, quia consummationem cum festinatione faciet cunctis habitantibus terram.


(Sofonias, I, 14-18)


domingo, 26 de setembro de 2021

São Cosme e São Damião, Mártires



São Cosme e São Damião, Mártires 
(+ Cilícia, Ásia Menor, sécs. III-IV) 

Sofreram o martírio durante a perseguição de Diocleciano (284-305). Eram irmãos gêmeos e médicos, exercendo sua profissão gratuitamente, por caridade cristã, e nela obtendo curas espantosas. Durante a perseguição de Diocleciano (284-305) foram açoitados e em seguida decapitados, porque se negaram oferecer sacrifícios aos ídolos. Tiveram seus nomes incluídos no Cânon da Missa e são invocados como protetores contra as doenças do corpo e da alma. 

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Sobre a ilustração: 
Cristo Eucarístico com os Santos Cosme e Damião 
Autor: Alessandro Bonvicino (Il Moretto da Brescia) 
Data: Cerca de 1540 
Técnica: Óleo sobre tela 
Dimensões: 261 × 160 cm 
Localização: Chiesa arcipretale dei Santi Cosma e Damiano, Marmentino, Brescia, Itália.

sábado, 4 de setembro de 2021

En defensa de la tradición - Parte 1

La Iglesia no comenzó en el concilio vaticano II, combatir su pasado es un tremendo error. En defensa de la tradición nos dedicamos a demostrar el terrible daño que ha producido el abandono de la tradición de la Iglesia. Más aún, comprobamos que la tradición de la Santa Iglesia Católica es la verdad que Cristo confió a los hombres.



segunda-feira, 19 de julho de 2021

Bravura Católica

 

A quase 30km de Paris está a igreja de Saint-Louis, localizada em Port-Marly, na França. A igreja é dedicada a São Luís, Rei da França. 

Esta pequena comunidade católica permaneceu fiel à Doutrina e à Liturgia tradicional da Igreja, apascentadas pelo Rev. Cônego Gaston Roussel. 

O Cônego Roussel faleceu em 1985 e no ano seguinte, o Bispo de Versailles, Louis-Paul-Armand Simonneaux, nomeou um novo sacerdote, com ordens de rezar Missa Nova.

A chegada do novo padre imediatamente dividiu a paróquia, com a maioria de seus membros rejeitando a escolha do Bispo e insistindo que a Missa antiga fosse mantida.

Em novembro, os tradicionalistas, que haviam convidado o monge beneditino, Pe. Bruno de Blignieres, para ser seu pastor, ocuparam a igreja e barraram o novo padre. 

Em 30 de março de 1987 a igreja foi invadida por 50 policiais, a pedido da diocese, empunhando bastões de choque. O Padre Bruno estava rezando a missa quando foi tirado do altar pelas forças policiais. Homens, mulheres, idosos e crianças foram arrastados para fora da igreja pelos policiais. Em seguida, a pedido do bispo, colocaram barricadas de blocos de concreto nos lugares que davam acesso ao interior da igreja, para impedir que os fieis ocupassem o local novamente.

No Domingo de Ramos de 1987, os fiéis assistiram a Santa Missa, rezada em frente da Igreja e em seguida, de modo solene, abriram novamente a Casa de Deus, com bravura, derrubando o bloco de concreto que havia diante da porta.

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Algumas Considerações Sobre a Cidade do Demônio

 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A CIDADE DO DEMÔNIO


por Cunha Alvarenga
Catolicismo n° 17, maio de 1952


Nos ambientes paganizados de nossos dias, quando a crença em Deus ainda costuma ser encarada como um elemento indispensável da religião, outro tanto normalmente não se dá com a crença na existência do demônio, ou na ação pessoal do príncipe das trevas, que é tida como uma superstição medieval, já completamente ultrapassada. O dogma do inferno, ligado à manifestação dos espíritos maus, quando não é diretamente combatido, costuma simplesmente ser deixado em silencio.


Eis-nos diante de uma espiritualidade incompleta, deformada, que nos apresenta uma autêntica caricatura da realidade não somente sobrenatural, mas até mesmo natural. Com efeito, se fizermos abstração do demônio, não acharemos explicação nem para a Queda, nem para a Redenção, nem para a existência da Igreja, nem, portanto, para toda a História da humanidade.


Velha manha do pai da mentira


“Sim, hei de esconder-me e em lugar onde não me encontrem". Eis uma das revelações que o demônio, na noite de 7 para 8 de fevereiro de 1923, fez à Irmã Josefa Menendez, Religiosa da Sociedade do Sagrado Coração de Jesus, falecida em odor de santidade. Continua, portanto, de pé a observação de Baudelaire, tão explorada para efeitos literários, mas tão desprezada na realidade prática, segundo a qual "a pior manha do diabo é fazer acreditar que não mais existe". É muito de se louvar, por conseguinte, nesta hora do poder das trevas, mas em que o demônio toma as feições caricatas de um Mefistófeles de ópera bufa, o aparecimento de estudos sobre a ação diabólica no mundo, como estes que nos acaba de chegar às mãos:


"Satan dans la Cité", de autoria de Marcel de la Bigne de Villeneuve, Les Editions du Cèdre, 13, rue Mazarine, Paris.


Introduzindo o mal na Criação pelo seu orgulho e pela sua rebeldia, Lúcifer é o espírito fundamentalmente, enraizadamente negador, por oposição ao Bem, ao Existente, à Ordem impressa por Deus em todo o criado. Anjo das trevas, é o negador da luz que o Plano Divino encerra. De modo que não pode ter uma ideia clara e precisa dos caminhos de Deus, quem não leva em conta esse elemento perturbador, que é o que dá a característica de luta e de heroísmo à vida do homem sobre a terra.


A ação diabólica em nossos dias


Aí está porque nos interessa, no mais alto grau, conhecer o modo de agir do pai da mentira. E o aspeto capital deste pequeno livro é justamente o estudo da ação do príncipe deste mundo enquanto ela se dissimula sob a figura de pessoas morais, ou de instituições. Agindo sobre as inteligências e sobre as vontades, e assumindo as mais variadas formas em sua atividade infernal, porque o demônio haveria de desprezar esses tremendos instrumentos para a sua obra maléfica que são as instituições políticas, as sociedades secretas, os vários agrupamentos humanos que ditam as leis, o teor de vida e os costumes, que manipulam os processos modernos de propaganda, através dos quais pode inocular seu espírito perverso na sociedade humana em proporções nunca vistas? "É uma atitude que convém muito bem à sua alta inteligência, a utilização do gregarismo moderno para seus fins, e eis o diabolismo bem ao nível desse famoso progresso da ciência pelo qual se pretendia assegurar sua desaparição. Em lugar de proceder como um pequeno artesão, Lúcifer age presentemente como um grande industrial e prossegue em sua tarefa infernal em série, através dos mais aperfeiçoados instrumentos" (pag. 68).


Eis o que parece distinguir a época atual, que apresenta caracteres próprios de satanismo, que a diferenciam de outras quadras da historia da humanidade.


Com efeito, indaga o autor, que foi que mudou para provocar semelhante transbordamento do inferno sobre a terra? "O que mudou, é que em lugar de serem concebidas, como eram, apesar de suas imperfeições, ao tempo em que a filosofia do Evangelho governava os Estados, para refrear a malicia eterna dos homens, as instituições são atualmente concebidas para a excitar, para a exaltar; é que em lugar de remediar tanto quanto possam as faltas e os pecados das sociedades, elas os multiplicam e lhes agravam as consequências. E isto porque Satã nelas encontrou acesso, porque nelas se insinuou, incorporado em seu espírito ou mesmo em sua letra, porque ele colocou, sob as mais variadas formas, o Mal na raiz das instituições, apresentando-o como o Bem, fazendo acreditar ser ele o Bem, fantasiando a Desordem com as cores da Ordem e o Falso com os aspetos do Verdadeiro" (pag. 76).


A arma do igualitarismo


Ora, da Ordem existente na Criação, decorre uma hierarquia de valores também desejada por Deus, não somente no Céu, mas também na terra. De fato, os "homens e os anjos formam juntamente uma sociedade; de sorte que adequadamente se diga que as cidades, isto é, as companhias, não são quatro, a saber: duas de anjos e outras duas de homens, senão somente duas, fundadas uma nos bons e outra nos maus, não somente entre os anjos, mas também entre os homens" (Cidade de Deus, livro 12, cap. 1.o).


Pai do naturalismo e do liberalismo, por querer prescindir de Deus, em sua revolta contra a obra hierárquica da Criação, o demônio haveria de usar de modo predileto a terrível arma do igualitarismo, com que dentro da Cristandade alimentou gradativamente a restauração do paganismo religioso, do paganismo filosófico, do paganismo político. E, como coroamento de seu plano sinistro, se acha o mundo na véspera da última dessas restaurações, que é a restauração do paganismo socialista, que será o ponto de convergência de todas as conquistas revolucionarias destes últimos séculos.


Não será, assim, muito difícil entrever o aspecto unitário dessa trama daquele "que seduz todo o mundo" (Apoc. 12, 9) no sentido de colocar sob suas cadeias toda a sociedade humana, se conseguirmos vislumbrar o ciclópico funil em que se vão concentrar as variadas obras das diferentes instituições políticas e sociais que se espalham pelos quatro pontos cardeais. Isto se nota não somente pela evocação dos horrores dos campos de concentração da Alemanha nazista e da Rússia soviética, mas também nos demais processos não menos diabólicos porque o mundo caminha para o totalitarismo por vias "legais" e pacíficas. Eis um dos pontos em que não acompanhamos o autor, que deixa de perceber toda a malícia demoníaca do fascismo mesmo na fase em que o Duce ainda não se decidira a "se tornar um macaco de Hitler". O fascismo não passou de um dos disfarces do socialismo, de que também temos exemplo nos processos do trabalhismo fabiano, e no maquiavelismo que encobre a política social e econômica dos chamados países democráticos


A hora do príncipe das trevas


Estamos diante de um cerco sem precedentes na história do Ocidente cristão


"A luta entre os bons e os maus, diz o Santo Padre Pio XII, cujos costumes e ações em contínuos embates formam o entrechoque da história do gênero humano, raramente, e quem sabe se nunca, foi mais violenta do que em nossos dias" (Exortação aos Bispos de todo o mundo). Eis a tremenda realidade que os próprio católicos procuram afastar de suas cogitações e de que o autor de "Satan dans la Cité" nos dá o seguinte e impressionante quadro:


"Ah ! Se nós pudéssemos romper o invólucro das coisas! Se tivéssemos a clarividência sobrenatural da Serva de Deus Catarina Emmerich que, em suas visões da Paixão, discernia, sob formas palpáveis, os espíritos infernais que saiam dos corpos dos atores e das testemunhas do sombrio drama e que excitavam os verdugos em sua feroz tarefa! — Que pavor sentiríamos vendo enxames de demônios a saírem dos textos das Declarações dos Direitos do Homem e das Constituições heréticas ou ateias que nos regem e que nós de modo imbecil julgamos capazes de salvaguardar nossos direitos, de artigos de leis infames, de propósitos mentirosos de políticos, de cartazes e urnas eleitorais, a infestarem em massa as assembleias parlamentares, as Conferências Internacionais, a formigarem entre nossos próprios companheiros de armas, nossos supostos defensores e seus chefes, a perverterem, a aviltarem, a embrutecerem de mil modos os espíritos e as almas de nossos contemporâneos e os levarem, estimulando sua miserável vaidade, para os caminhos da perdição que terminam nas discórdias civis, nas dissensões, nas guerras e nos massacres! Que terror justificado nos avassalaria ao ouvirmos a legião infernal repetir sobre todos os pontos do globo e quase até a cada um de nós o "Si cadens adoraveris me...", e obter de fato a homenagem desta era de castigo e de furor de que a vidente de Dulmen colocava o início "cinquenta ou sessenta anos antes do ano dois mil", data na qual o selo do abismo deveria ser rompido e Satanás em pessoa haveria de quebrar as cadeias e se lançar sobre o universo! (pag. 180).


Diante deste quadro de uma hecatombe social de imprevisíveis consequências, que nos resta fazer? Confiar em Deus e combater, pois "não será coroado, senão aquele que tiver sabido combater heroicamente" (2 Tim 2,5).

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Fonte: Revista Catolicismo

https://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0017/P06-07.html


sábado, 27 de março de 2021

27 de Março – São Ruperto Bispo, Confessor



Primeiro bispo de Salzburg, contemporâneo de Childeberto III, rei dos Francos (695-711), a data de seu nascimento é desconhecida. De acordo com antiga tradição, ele descendia da família real Merovíngia franca, e dos rupertinos, uma importante família que dominava com o título de conde a região do médio e do alto Reno. Desta família nasceu também outro santo, São Roberto (ou Ruperto) de Bingen, cuja vida foi escrita por Santa Hildegarda. Os rupertinos eram parentes dos carolíngios, e o centro de suas atividades era Worms. Foi aí que São Ruperto recebeu sua formação de cunho monástico irlandês.

De acordo com a sua mais antiga biografia, ele era notado por sua simplicidade, prudência e temor de Deus, amava a verdade em seus discursos, tinha reta opinião, era cauto em seu conselho, enérgico em sua ação, liberal em sua caridade e, em toda sua conduta um glorioso modelo de retidão.

Quando Ruperto era bispo de Worms, a fama de seu saber e piedade atraíram-lhe pessoas de todos os quadrantes. Assim, notícia de suas qualidades chegou ao Duque Theodo II, da Baviera (625-716). É com esse duque que começa a história documentada desse país.

Theodo foi o primeiro a fazer projetos de desenvolvimento da Igreja bávara que, apesar do labor dos primeiros missionários, era apenas superficialmente católica, sendo o resto da população ainda pagã ou herética ariana.

Para essa empresa, o duque recorreu a quatro grandes missionários: São Ruperto de Salzburg, Santo Eraldo de Ratisbona, Esmerano de Ratisbona e provavelmente também São Corbiniano de Frisinga, para animar a evangelização do território, em aliança com a política papal. Era preciso fazer reviver, confirmar, e propagar de novo o espírito do Cristianismo. Isso porque muitos cristão tinha sido contaminados pelos costumes e modos de ser dos pagãos.

São Ruperto atendeu ao pedido de Theodo após ter-se familiarizado com a terra e o povo da Baviera. Foi recebido na antiga cidade de Ratisbona no ano de 696, com grande honra e cerimônia pelo Duque.

O santo pôs imediatamente mãos à massa, evangelizando com seus auxiliares, desde o território do Danúbio, até os limites da Panônia. Atingiu depois Lorch, para de lá se encaminhar para as isoladas margens do Wallersee, onde construiu uma igreja em louvor de São Pedro.

São Ruperto pediu a Theodo o território da antiga cidade romana de Juvavum, para a erigir nele um mosteiro e sua sede episcopal. Esse se tornou no mais antigo mosteiro da Áustria, e veio a ser justamente o núcleo de formação da nova cidade de Salzburgo.

Para essa obra São Ruperto teve o apoio de doze concidadãos, dois dos quais também se tornaram santos: Cunialdo e Gislero. Ao lado desse mosteiro, o santo fundou um outro feminino, que entregou à direção  de sua sobrinha, a abadessa Erentrudes. Desse modo o santo foi o responsável pela conversão da Baviera e da Áustria.

Depois de uma vida de extraordinária e bem sucedida atividade, o Santo morreu em Salzburgo – cidade que seria imortalizada pelo seu ilustre filho, Wolfgang Amadeus Mozart – auxiliado pelas preces de seus irmãos, no Domingo de Páscoa, 27 de março de 718.

Seu corpo repousou na igreja de São Pedro até 24 de setembro de 774, quando seu discípulo e sucessor, o abade-bispo São Virgílio, cedeu parte de seus restos mortais à catedral de Salzburgo.

São Ruperto é reconhecido como o fundador da bela cidade de Salzburgo, cujo significado é “cidade do sal”, sendo que ele aparece retratado com um saleiro na mão, por sua ligação com a própria origem e desenvolvimento da cidade. Foi seu primeiro bispo, e sua influência alastrou-se tanto, que é festejado não só nas regiões de língua alemã, como também na Irlanda, onde estudou, porque ali foi tomado como modelo pelos monges irlandeses.

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Fonte: IPCO

Ilustração: Vitral dedicado a São Ruperto, em 1529, de autor anônimo | Domínio Público