segunda-feira, 11 de junho de 2012

Meditação de Junho: Décimo primeiro dia


Décimo primeiro dia

Dores do Coração de Jesus

Não foi o ferro da lança quem primeiro feriu o Coração de Jesus; o amor o havia ferido desde o primeiro instante de sua vida. Foi esta a primeira e a maior de suas chagas, que Ele mesmo não pôde dissimular: "Feriste-me o Coração, minha irmã, minha esposa, feriste-me o Coração" (Cant. 4,7) (Nouet). O Coração de Jesus também foi ferido pela compaixão de nossas misérias, que tantas chagas lhes fez, quantos males via em nós.

Foi ferido pela dor de nossos pecados, sofrendo sozinho o arrependimento e contrição de todos os crimes do mundo, como seu corpo depois sofreu a pena que mereciam. Foi esta cruz mais pesada do que a do Calvário onde morreu, pois começou-lhe com a vida e só com a morte acabou.

"Estas palavras que lhe estavam reservadas - nos diz a Beata Ângela de Foligno - manifestar-se-ão ao espírito e contristar-lhe-ão o Coração, desde o primeiro momento de Sua existência; não confusamente, porém do modo mais claro e distinto.

Ele previa que depois de triste e penosa vida de 33 anos, cujas circunstâncias todas tinha diante dos olhos, seria vendido e traído por um dos seus discípulos, negado por outro, abandonado por todos, preso, espancado, esbofeteado, acusado, blasfemado, caluniado, flagelado, coroado de espinhos, conduzido ao Calvário, carregado com a Cruz, crucificado, aniquilado pela morte, e traspassado pelo golpe de uma lança: eis o que Ele viu e não cessou de ver e meditar durante a sua vida. Semelhante previsão não podia existir sem amarga tristeza, e sem incomensurável dor de coração e de espírito".

Avalie, pois, quão vivas e contínuas foram as dores do Coração de Jesus.

Escutemos ainda sobre este assunto a Santa Margarida Maria, ou antes, a Nosso Senhor: "Estando eu um dia, diante do Santíssimo Sacramento exposto, apareceu-me o Divino Mestre todo radiante de glória com as suas cinco chagas resplandecentes quais cinco sóis. De sua sagrada Humanidade saíam chamas de todos os lados, porém principalmente do seu adorável peito, que parecia uma fornalha: no meio destas chamas, mostrou-me seu suavíssimo Coração, que era o foco das chamas. Revelou-me então as maravilhas inexplicáveis do seu amor, a que excesso havia chegado, amando os homens, de quem só recebia ingratidões. «Eis aqui, me disse Ele, o que Me é mais sensível do que tudo o que sofri em Minha Paixão, tanto que, se correspondessem ao Meu amor, pouco contaria tudo quanto por eles fiz e quisera, se fosse possível, fazer ainda mais; eles, porém, só têm tibieza e repulsa para todos os meus ardentes desejos de fazer-lhes bem»".

O Coração de Jesus não sofreu somente em todas as horas, mas todos os instantes de sua vida mortal; pois, como disse Santa Margarida Maria, toda a sua vida derivou-se no amor e na privação, assim como consumou-se no sacrifício.

Prática

Tomai a resolução de fazer nas primeiras sextas-feiras do mês uma comunhão oferecida ao Coração de Jesus, em reparação de todas as negligências que se tiverem insinuado nas que fizestes entre elas.

Oração jaculatória

Coração de Jesus, saturado de opróbrios, ensinai-me a su-portar com paciência as contradições e o desprezo.

3 vezes: 
Divino Coração de Jesus, tende piedade de nós. Coração Imaculado de Maria, rogai por nós.


Fonte: Arquivo em PDF enviado por e-mail pelo Grupo São Domingos de Gusmão
Mês de Junho – Meditações (Mês dedicado ao Sagrado Coração de Jesus)
Fotografia:
A Catholic Life

domingo, 10 de junho de 2012

Meditação de Junho: Décimo dia


Décimo dia
Riquezas do Coração de Jesus

"Nosso Senhor me deu a conhecer - diz Santa Margarida Maria - que o veemente desejo que nutre de ser perfeita-mente amado pelos homens o determinou a dar-lhes seu Coração e a fazê-lo nestes últimos tempos como derradeira fineza de seu Amor; que assim lhes franqueou todos os seus tesouros de afeto, de graça e misericórdia, de santificação e resgate que em si encerra este dulcíssimo Coração, a fim de que todos quantos quiserem tributar-lhe o amor e honra, que lhe for possível, sejam enriquecidos com profusão de tesouros, cuja fonte fecunda e inexaurível é seu divino Coração.

«Eis meu Coração, e tão elevado está de amor pelos homens, que, não podendo conter em si as chamas da caridade, urge-lhe espalhá-las por qualquer meio. Quer se lhes manifestar para cumulá-los com estes preciosos tesouros que te revelei, e que encerram gra-ças santificantes capazes de livrá-los da perdição.»

"O Santíssimo Coração de Jesus - diz um grande servo de Deus - é a sede de todas as virtudes, a fonte das bênçãos, o retiro de todas as almas santas; este adorável Coração está sempre incendido de amor pelos homens, sempre aberto para entornar sobre eles toda a espécie de graças, sempre enternecido pelos seus males, sempre disposto a acolhê-los e a servir-lhes de asilo, de morada, de paraíso já nesta vida. Especificamente a vós, que gemeis sob o peso de cruzes, tentações e misérias, o Sagrado Coração de Jesus vos con-vida, instiga, espera, deseja consolar-vos, e diz: 'Vinde a mim vós todos que trabalhais e estais carregados, que eu vos confortarei'."


"É neste Coração adorável - diz o Cardeal S. Pedro Damião - que acharemos todas as armas para nossa defesa, todos os remédios para curar de nossos males, os mais poderosos so-corros contra os assaltos de nossos inimigos, as mais doces consolações para alívio de nossos padecimentos, as mais pu-ras delícias para inundar de alegria a nossa alma.

Acaso estais aflitos, inimigos vos perseguem, vos perturba a recordação das culpas, está o vosso coração agitado com te-mores e paixões? Ah, vinde prostrar-vos ao pé dos altares; lançai-vos nos braços de Jesus Cristo, entrai dentro de seu Coração, que é um verdadiro asilo, o retiro das almas san-tas, o lugar da perfeita segurança, o tesouro do Céu.

Diz São Tomás que em seu tempo pintavam junto do Crucifi-cado uma virgem que recebia em um cálice o sangue da Chaga do Lado, e outra que o derramava; uma trazia na ca-beça uma vela coroa, a outra deixava cair a sua; uma tinha o semblante risonho e radiante de luz, a outra carregado e sombrio. A primeira representava a alma fiel, que pela medi-tação recebe do divino Coração de Jesus a alegria, a luz e a coroa de glória; a outra representava a alma infiel que pelo pecado perde estes três incomparáveis bens: a luz da graça, a alegria da boa consciência e a coroa da glória".

Ouvindo Santa Gertrudes, um dia, na missa, estas pa-lavras: «Dar-te-ei e à tua posteridade estas regiões», Nosso Senhor, designando-lhe seu Coração, fez-lhe compre-ender de que regiões sua liberalidade sem limites com as criaturas queria falar. Penetrando a Santa este mistério de amor, exclameu: "Oh! venturosa e beatífica região, campo de delívias, tal afluência de bem-aventurança encerras, que o menos grão poderia saciar a sede de todos os escolhidos e superar quanto o humano coração pudera imaginar de amável, deleitável e suave".

Prática
Velai a fim de que tudo que se aproxima do Santíssimo Sacramento conserve-se com limpeza e decência conveniente; nos dias festivos, trabalhai com vossas mãos para ornar Seu altar.

Oração jaculatória
Ó Coração de Jesus, quanto tardei em amar-vos! Sero te amavi! (Santo Agostinho).

3 vezes: 
Divino Coração de Jesus, tende piedade de nós. Coração Imaculado de Maria, rogai por nós.


Fonte: Arquivo em PDF enviado por e-mail pelo Grupo São Domingos de Gusmão
Mês de Junho – Meditações (Mês dedicado ao Sagrado Coração de Jesus)
Fotografia: Comunidade Filhos de Maria

sábado, 9 de junho de 2012

Beato José de Anchieta


Beato José de Anchieta, Confessor
(+ Espírito Santo, 1597)

Grande Apóstolo do Brasil, nasceu no Arquipélago das Canárias, em 1534, e foi estudar em Coimbra, onde ingressou na Companhia de Jesus. Mandado ao Brasil em 1553, tornou-se o braço direito do Padre Manuel da Nóbrega, que já estava no Brasil desde 1549. A vida do Padre Anchieta é um tecido de episódios milagrosos. Tal era o domínio que tinha sobre a natureza e sobre os animais que foi chamado ” _o Novo Adão_ “. Converteu e batizou muitos milhares de indígenas e assentou as bases da civilização cristã na América portuguesa. Ajudou o Padre Nóbrega na fundação e consolidação da cidade de São Paulo. Teve papel eminente na expulsão dos calvinistas franceses da Baía da Guanabara e na fundação da cidade do Rio de Janeiro. É autor de um famoso poema latino dedicado à Imaculada Virgem, além de muitas obras poéticas e teatrais. Faleceu na aldeia de Reritiba, Estado do Espírito Santo e foi beatificado em 1980.

Fonte: Lepanto

Meditação de Junho: Nono dia


Nono dia

Ternura do Coração de Jesus pelos homens

Tanta atividade o fogo não tem para consumir o com-bustível, nem a pedra tanta velocidade para chegar ao centro, nem os rios mais impetuosos tanta rapidez para se unirem ao mar, quanto ardor tem o Coração de Jesus para comunicar-se às almas, quando se preparam, prevendo o obstáculo do pecado, que de alguma forma paralisa com violência os efeitos de seu divino amor.

Nosso Senhor revelou a Santa Catarina de Gênova que por causa do seu grande amor aos homens nunca contra eles se irrita a ponto de deixar de amá-los totalmente; revelou-lhe como está sempre pronto para penetrar e inflamar os hu-manos corações com os mais ardentes raios de seu amor.

Eu ainda não existia, e já o Coração de Jesus por mim suspi-rava e pela minha salvação, anelava dar-se a mim, e de mim cuidava. Tão amante do meu é este adorável Coração que não hesita em bater-lhe à porta e pedir-lhe entrada: Sto ad ostium et pulso (Apoc 3).

Manifestando, um dia, Nosso Senhor a Santa Gertrudes duas pulsações de seu divino Coração, disse-lhe:

«Em cada um destes movimentos opera-se a salvação dos homens. O primeiro é pelos pecadores, o segundo pelos justos.

Pela primeira pulsação de meu Coração falo inces-santemente a meu Eterno Pai, apaziguo-o e inclino-o à misericórdia para com os pecadores; depois dirijo-me aos meus escolhidos, movendo-os a reparar pela cari-dade fraterna as faltas dos pecadores e a orar por eles; falo enfim aos próprios pecadores, chamando-os misericordiosamente à penitência, esperando sua con-versão com ânsia inefável.

Pela segunda pulsação dele, falo também a meu Eterno Pai, e o solicito a congratular-me pelo sangue que tão utilmente derramei pela redenção dos justos, em cujos corações acho as minhas delícias de muitos modos; em seguida, exorto toda a milícia celeste a louvar-me pela vida admirável de meus Santos, a fim de que graças me dê pelos benefícios com que os cu-mulei e hei de cumular. Dirijo-me, afinal, aos justos mesmos, afagando-os de diferentes maneiras, e incen-tivando-os a crescerem dia após dia, hora após hora, no meu amor. Da mesma forma que as atividades da vista, do ouvido, ou de outro qualquer sentido, nunca suspendem as pulsações do coração humano, assim também jamais o governo do céu, da terra, do uni-verso nem outra qualquer coisa do mundo, poderá suspender, neutralizar, ou moderar um só instante, até o fim dos séculos, estes dois impulsos do meu Coração pelos homens.»

Ah, Senhor, bem dissestes: "Onde estiver o vosso tesouro, estará vosso coração". É mister, pois, que sejamos vosso tesouro, já que vosso Coração continuamente tão ocupado está com o nosso. Ó amor incompreensível de um Deus con-hecido de tão pequeno número de almas! Por que não sois de todos? Por que não Vos anunciam pelo mundo, pelo uni-verso, aos sábios e aos ignorantes, aos justos e aos peca-dores, aos que Vos procuram e aos que de Vós fogem, porque todos são por Vós amados?

Prática
Dirigi-vos aos Santos Anjos, sobretudo ao Anjo Custódio que vela ao vosso lado orando incessantemente convosco e por vós; suplicai-lhes que supram com seu ardente amor e união contínua com o Coração de Jesus, a tibieza e insuficiência do vosso.

Oração jaculatória
Como o cervo que almeja as fontes de água viva, assim minha alma suspira por Vosso amor, ó Coração de Je-sus! Quemadmodum desiderat cervus ad fontes aquarum, ita desiderat anima mea ad ie (Sl 4,1).

3 vezes: 
Divino Coração de Jesus, tende piedade de nós. Coração Imaculado de Maria, rogai por nós. 

Fonte: Arquivo em PDF enviado por e-mail pelo Grupo São Domingos de Gusmão
Mês de Junho – Meditações (Mês dedicado ao Sagrado Coração de Jesus)
 

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Imprevisto: Temporariamente sem computador!


Meu notebook nunca tinha apresentado problemas, mas depois de 
3 anos ele me deixou na mão. Consequência da falta de assistência técnica. O computador liga normalmente, porém a tela do monitor fica escura, como se uma lâmpada do monitor estivesse queimada. Hoje mesmo eu levei o notebook em uma loja de informática que também oferece assistência técnica. Deixei para uma avaliação do problema e orçamento. Até terça-feira terei uma resposta. 

Enquanto o problema não é solucionado o blog ficará sem atualizações regulares. Ontem mesmo faltou a "Meditação de Junho: Sétimo dia" e hoje ainda não postei nada, nem mesmo sobre o santo do dia. 

Ontem foi um dia muito especial e com certeza merecia uma postagem bem distinta, mas infelizmente não foi possível. A Igreja no mundo inteiro celebrou Corpus Christi. Felizes somos nós que temos a Jesus no Sacramento da Eucaristia. 

À partir de amanhã eu vou tentar disponibilizar pelo menos as meditações diárias do mês de junho. Para isso terei que usar a internet em uma lan house, como estou fazendo nesse momento. 

Tenham uma boa noite e um ótimo final de semana.

Grande abraço! 

Em Cristo,
Pedro Henrique.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Santo Antônio Maria Gianelli


7 de Junho
Santo Antônio Maria Gianelli,
Bispo e Confessor (+ Itália, 1846)

Nasceu em  12 de abril de 1789, em Cerreto, Itália.

Filho de Maria e James Gianelli, Antônio, cresceu em uma pobre, mas piedosa família em uma pequena fazenda. Sua mãe ensinou o catecismo e seu pai era conhecido como um pacificador da cidade. Antonio era um estudante tão promissor que o proprietário da fazenda pagou sua educação no seminário. Ordenado em 24 de maio de 1812 era tão jovem que precisava de autorização especial para ser ordenado, mas era um candidato tão promissor que recebeu. Serviu com pároco em sua paróquia.

Arcebispo de Chiavariem 1826. Fundador  dos Missionários de Santo Alfonso em 1827 uma congregação de missionários que durou até 1856. Fundador dos Oblatos de Santo Alfonso em 1828 que durou até 1848. Fundador das Irmãs de Nossa Senhora do Jardim em 1829, que era uma Ordem de professoras  que trabalhavam com os doentes e que continua seus trabalhos na Europa, Estados Unidos e Ásia até hoje. Bispo de Bobbio em 1837.


Organizou a Sociedade de São Rafael e a Sociedade de Santa Dorothéa para instruir os devotos de sua Diocese. Restaurou a devoção a São Columbanus (padroeiro dos motociclistas). Conduziu dois sínodos e estava constantemente na estrada, de paróquia em paróquia, visitando seus  fieis.

Faleceu em 7 de junho de 1846 de causas  naturais.

Foi beatificado em 1925 e canonizado em 21 de outubro de 1951 pelo Papa Pio XII.

Sua festa é celebrada no dia 7 de junho.

Fotografias: Retiradas do site Santi e Beati

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Exemplos históricos de recurso à Universalidade e Antiguidade contra o erro.



Exemplos históricos de recurso à
Universalidade e Antiguidade contra o erro.

4. Para realçar melhor aquilo que digo, documentarei com exemplos minhas asserções, me detendo um pouco mais, para que não aconteça que o desejo de ser breve a todo custo me faça deixar passar coisas importantes. No tempo de Donato, de quem tomaram o nome os donatistas, uma parte considerável da África seguiu as delirantes aberrações deste homem. 

Esquecendo-se de seu nome, sua religião e sua profissão de fé, antepuseram à Igreja a sacrílega temeridade de um só indivíduo. Os que se opuseram então ao ímpio cisma permaneceram unidos às Igrejas do mundo inteiro e só eles entre todos os africanos puderam permanecer a salvo no santuário da Fé católica. Agindo assim, deixaram àqueles que viriam o exemplo egrégio de como se deve preferir sempre o equilíbrio de todos os demais à loucura de uns poucos. 

Um caso semelhante aconteceu quando o veneno da heresia ariana contaminou não apenas uma pequena região, mas o mundo inteiro, até o ponto de que quase todos os bispos latinos cederam ante a heresia, alguns obrigados com violência, outros sacerdotes diminuídos e enganados. Uma espécie de névoa ofuscou então suas mentes, e já não podiam distinguir, no meio de tanta confusão de idéias, qual era o caminho seguro que deviam seguir. Somente o verdadeiro e fiel discípulo de Cristo que preferiu a antiga Fé à nova perfídia não foi contaminado por aquela peste contagiosa. O que se sucedeu então mostra suficientemente os graves males a que podem dar lugar um dogma inventado. Tudo se revolucionou: não só relações, parentescos, amizades, famílias, mas também cidades, povos, regiões. Até mesmo o Império Romano foi sacudido até seus fundamentos e transtornado, de cima a baixo, quando a sacrílega inovação ariana, como nova Bellona ou Fúria, seduziu inclusive o Imperador, o primeiro de todos os homens. 

Depois de ter submetido as suas novas leis inclusive aos mais insignes dignitários da corte, a heresia começou a perturbar, transtornar, ultrajar todas as coisas, privada e pública, profana e religiosa. Sem fazer distinção entre o bom e o mau, entre o verdadeiro e o falso, atacava a mão livre todos que estivessem à sua frente. As esposas foram desonradas, as viúvas ultrajadas, as virgens profanadas.

Se demoliram mosteiros, se dispersaram os clérigos; os diáconos foram açoitados com varas e os sacerdotes foram mandados ao exílio. Cárceres e minas se encheram de santos. Muitos, expulsos das cidades, andavam errantes sem pousada até que nos desertos, nas covas, entre as rochas abruptas pereceram miseravelmente, vítimas das feras selvagens e da desnudez, fome e sede. E qual foi a causa de tudo isto? Uma só: a introdução de crenças humanas em lugar do dogma vindo do céu.

Isto ocorre quando, pela introdução de uma inovação vazia, a antiguidade fundamentada nos mais seguros embasamentos é demolida, velhas doutrinas são pisoteadas, os decretos dos Padres são desgarrados, as definições de nossos maiores são anuladas; e isto, sem que a desenfreada concupiscência de novidades profanas consiga manter-se nos nítidos limites de uma tradição sagrada e incontaminada.


Fonte: LÉRINS, São Vicente de. Commonitorium - Notas para conhecer a verdadeira Fé. Do original "COMMONITORIO - Apuntes para conocer La Fe verdadeira". Texto traduzido do espanhol por Jorge Luis - Tradição Viva; versão corrigida e editada, p.1-3.

Meditação de Junho: Sexto dia



Sexto dia
Nobreza e excelência do Coração de Jesus

"O Coração de Jesus é o Rei dos Corações, pela sua grandeza, poder e mérito"

É o maior de todos os corações, porque os encerra todos em si. É o mais poderoso, porque deles pode dispor à sua vontade. Conhece todos os segredos, todas as molas de todos eles, e pode dar-lhe o impulso que lhe aprouver. É o mais digno de mandar, porque é o mais obsequioso, amável e amoroso; visto como quis ser ferido por amor, para sarar todos os corações, e preparar-lhes um banho de seu próprio sangue.

Sua chaga é sua coroa; mais legítimo não pode ser o direito que sobre nós Ele tem. Não lhe podemos recusar obediência sem injustiça, pois tudo lhe devemos; nem sem loucura, pois que nada nos ordena que não seja para nosso bem, sendo o seu único fim, nos convites instantes que nos dirige para nos consagrarmos a Ele, tornar-nos tão felizes como santos. Honremos, por conseguinte, este Sagrado Coração, já que tanta nobreza e excelência têm; rendamos-lhe nossas adorações, pois é o Coração de um Deus; sigamos todos os seus impulsos, visto ser Ele regra infalível e origem de todo o bem que no mundo se opera; submetamos-lhe nossa vontade, pois que é o Rei dos corações. Consideremo-lo como selo real de divino e o imprimamos no nosso, a fim de copiar-lhe os traços.

«Ponde-me como um selo sobre vosso coração», diz Jesus. Isto é, segundo a explicação de Santo Anselmo: deixai-me governar vosso coração e pensamentos a fim de que seja eu o diretor de todos os atos de vossa vida.

Cumpre-nos pôr Jesus Cristo como um sinete em nossa fronte, em nosso coração e em nossos braços, diz Santo Ambrósio; em nossa fronte, para fazermos profissão pública de nossa fé; em nosso coração, para nele fazermos rimar o seu divino amor; em nossos braços, para trabalharmos incessantemente no aumento de sua glória, pela prática das boas obras.

Façamos, pois, resplandecer a imagem de sua grandeza em nossas palavras, afeições e obras e, se possível for, esforcemo-nos por exprimir em nós suas virtudes; pois é Ele o cunho da santidade incriada que o Pai Eterno gravou com a ponta dos cravos, dos espinhos e da lança, para marcar nossas almas com o selo da sua humildade, doçura, paciência, amor e outras perfeições suas.

Alma devota, apenas sentires que a ambição do século com fascinador atrativo lisonjeia-te o coração, ou que o mundo com vão esplendor ofusca-te os olhos, levanta o espírito para o Céu, e, seguindo o conselho de São Jerônimo, escuta estas palavras do Esposo: "Põe-me como um sinete sobre teu coração e sobre teus braços".

Se este é o desejo de Jesus Cristo, peçamos-lhe que converta nossos corações e os de todos os homens para o seu, torne-os dóceis ao instante convite que nos faz de nos ligarmos a seu Coração divino, dizendo-nos: "Ó vós todos que viveis sequiosos em meio dos falaciosos prazeres do século, vindo ao meu Coração, foco das verdadeiras alegrias, fonte de águas vivas; míseros indigentes dos dons da graça, aproximai-vos, bebei e saciai-vos; vinde, hauri sem dinheiro; para quê vos cansais na procura de bens temporais que não podem contentar vosso insaciável coração? Das verdadeiras riquezas, meu Coração é a fonte. quanto mais haurirdes, mais satisfeito ficará Ele."

Prática
Oferecei todos os dias a Deus vossas orações pelo Coração de Jesus; é este o meio de fazê-las tão meritórias como eficazes.

Oração jaculatória
Coração de Jesus, Vítima de amor! Sede propício a este pobre pecador! O Cor, amoris victima... propitius esto mihi peccatori!

3 vezes: Divino Coração de Jesus, tende piedade de nós. Coração Imaculado de Maria, rogai por nós.

Fonte: Arquivo em PDF enviado por e-mail pelo Grupo São Domingos de Gusmão
Mês de Junho – Meditações (Mês dedicado ao Sagrado Coração de Jesus)

São Norberto



São Norberto, Fundador dos Premonstratenses
Sua conversão deu-se de modo semelhante à de São Paulo. De muito nobre estirpe, tornou-se grande pregador popular, flagelo das heresias, reformador de costumes e fundador de mosteiros

§         Plinio Maria Solimeo

Norberto nasceu em Santen, na margem esquerda do Reno, próximo de Colônia, no ano 1080. Seu pai, Heriberto, era conde de Gennep e aparentado com a família imperial; e sua mãe, Hadwige, pertencia à Casa de Lorena.

            Seus pais o destinavam à carreira eclesiástica, e ele recebeu as ordens sacras até o subdiaconato. Porém, rico, belo, inteligente, não queria senão  levar boa vida, primeiro entre os pajens do Arcebispo de Colônia, depois na corte do Imperador alemão, Henrique IV.

            Assim passou alegre e superficialmente sua juventude até os 33 anos. “Eu era então um ínclito cidadão de Babilônia — declarará ele depois de convertido – escravo do prazer e prisioneiro dos meus caprichos. Os terrores do inferno, a beleza da virtude e a promessa da felicidade eterna me pareciam contos de velhas, ou fábulas como as das mitologias antigas. Só ouvia os aplausos dos que me rodeavam e que me lançavam por caminhos laboriosos e difíceis, andando sempre sem tornar atrás, vago e fugitivo, despencando-me de cimo em cimo com uma inconsciência que hoje me cumula de terror”.

            Queda do cavalo e conversão,  como São Paulo


 Isso até soar a hora da Providência. E esta chegou da maneira mais inesperada. Viajava ele um dia a cavalo, acompanhado de um pajem, para uma vila chamada Freten, na Westfália, atravessando bela pradaria. O céu, límpido e sereno, de repente cobriu-se de espessas nuvens negras e começou a cair uma tempestade com raios e trovões pavorosos. O pajem, talvez inspirado por uma graça divina, gritou: “Senhor, aonde vais? Retornai, senhor, retornai, pois a mão de Deus está seguramente contra vós”. Mas Norberto seguia em frente, quando ouviu uma voz poderosa que lhe gritou do alto: “Norberto, Norberto, por que me persegues? Eu te destinei a edificar minha Igreja, e tu escandalizas os fiéis!”.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Carta Encíclica Ecclesiae Fastos - Papa Pio XII



5 de Junho
São Bonifácio, Bispo e Mártir
(+ Frísia, 754)



Pintura de Karl Rempp, 1705: São Bonifácio, fundação das quatro dioceses antigas da Baviera. À partir da esquerda: O abade de Kremsmünster; Ermbert (bispo de Freising); Gaubald (bispo de Regensburg); São Bonifácio; Vivilo (bispo de Passau); Johannes (bispo de Salzburg); atrás à esquerda está Willibald, Walburga e Wunibald. 


CARTA ENCÍCLICA DO PAPA PIO XII

ECCLESIAE FASTOS

XII CENTENÁRIO
DA MORTE DE SÃO BONIFÁCIO
BISPO E MÁRTIR



Aos veneráveis irmãos Arcebispos, Bispos e outros
Ordinários locais da Inglaterra, Alemanha,
Áustria, França, Bélgica e Holanda,
em paz e união com a Sé Apostólica



INTRODUÇÃO

1. É muito conveniente e oportuno não só recordar mas também comemorar com cerimônias públicas os fastos da Igreja, que mostram bem como na sociedade fundada por Jesus Cristo não houve nenhum século estéril em santidade; além disso, se os belos exemplos de virtude que brilham nesses fastos são devidamente propostos aos fiéis, os espíritos entusiasmam-se naturalmente e dispõem-se a imitá-los segundo as próprias forças.

2. Por isso, com grande prazer soubemos que o décimo-segundo centenário do martírio de s. Bonifácio e da sua passagem à celeste pátria será, este ano, comemorado com alegres manifestações e públicas ações de graças, especialmente nos países que têm razão especial de se mostrar agradecidos ao membro tão glorioso da ordem beneditina.

3. Mas se os vossos países têm razões para venerar esse varão insigne em santidade e para recordar nesta feliz ocorrência os seus brilhantes feitos, muito mais razão tem ainda esta Sé Apostólica, que o viu, ao término de viagens longas e difíceis, entrar três vezes em Roma como peregrino, ajoelhar devotamente diante do túmulo do príncipe dos apóstolos e, como filho obedientíssimo, solicitar dos nossos predecessores o mandato apostólico para levar a nações longínquas e bárbaras o nome do divino Redentor e os princípios da cultura e da civilização cristã.

4. De origem anglo-saxônica, sentiu desde a juventude forte chamamento do alto para deixar o patrimônio e os prazeres do mundo e se recolher à segura defesa dos muros dum claustro, a fim de se entregar mais facilmente à contemplação e viver em plena conformidade com os preceitos evangélicos. Fez então tais progressos não só nas letras humanas e nas ciências sagradas, mas também nas virtudes cristãs, que veio a ser eleito abade do mosteiro. Mas, dotado de ânimo para mais altas empresas, há muito desejava partir para terras estrangeiras, entre povos bárbaros para iluminá-los com a luz do evangelho e ensinar-lhes a lei cristã. Nada o deteve, nada o conseguiu impedir: nem o abandono da pátria amada, nem viagens longas e difíceis, nem mesmo os perigos de toda a espécie a que se expunha entre povos desconhecidos. Havia na sua alma de apóstolo tal veemência, ardor e tenacidade que não podia deixar-se prender por vistas ou laços humanos.



I
A VIDA DE SÃO BONIFÁCIO

5. A Grã-Bretanha, após árduas dificuldades, tinha sido trazida à religião cristã uns cem anos antes pelo nosso predecessor de imortal memória são Gregório Magno, que para lá mandara um valoroso grupo da família beneditina, chefiado por santo Agostinho. De admirar é que já nesse tempo estivesse tão firme na fé e tão abrasada na caridade como o rio saído do leito rega as terras vizinhas e as fertiliza. Assim esse país pôde mandar generosamente muitos dos seus melhores filhos a outras terras para as conduzir a Jesus Cristo e as unir estreitamente ao seu vigário na terra. Procedendo, assim, agradecia a Deus, os benefícios da religião católica, da civilização e da cultura cristã.

6. Entre esses missionários sobressai por ardor apostólico, fortaleza de alma e doçura de caráter, Winfrido, que depois foi chamado Bonifácio pelo papa são Gregório II. Com os companheiros, poucos por certo em número mas muito virtuosos, tomou sobre si o cargo de evangelizar, por que há muito ansiava; e embarcando na Grã Bretanha, chegou às costas da Frísia. Encontrando porém forte resistência no tirano da região, os esforços que fizeram mostraram-se vãos, depois de tentativas sem resultado, tiveram de voltar à pátria.

O Apóstolo da Frísia e da Germânia

7. Não desanimou ainda assim Bonifácio e pouco depois quis vir a Roma, à Sé Apostólica, pedir humildemente ao vigário de Cristo um mandato, para com ele e com a ajuda da divina graça poder mais facilmente realizar o ideal de há muito sonhado. E, depois "de chegar felizmente ao limiar da Sé de Pedro"(1) e de venerar com suma piedade o sepulcro do príncipe dos apóstolos, pediu audiência ao nosso predecessor de feliz memória, Gregório II.

8. Com muita alegria o recebeu o papa, a quem ele "manifestou pormenorizadamente a razão da sua viagem e explicou o desejo em que mais se tinha empenhado. O santo padre, olhando para ele alegre e carinhosamente",(2) animou-o, incitou-o a empreender confiante a louvável empresa, e muniu-o para ela de cartas suas e de autoridade apostólica.

9. Pareceu-lhe que o mandato do vigário de Jesus Cristo lhe conciliava as graças de Deus, que não devia por isso temer dificuldades que lhe viessem dos homens ou das circunstâncias, e que poderia realizar com fruto o seu velho plano. Com tais pensamentos, percorreu como operário apostólico várias regiões da Germânia e da Frísia: onde não havia vestígio de vida cristã, mas tudo eram costumes selvagens e bárbaros, semeou ele com mão generosa a semente do evangelho, e fecundou-a com incríveis trabalhos e com o suor próprio e dos seus. Onde, pelo contrário, as comunidades cristãs ou não tinham legítimo pastor e jaziam em miserável abandono e decadência, ou se conservavam longe da genuína fé e dos bons costumes por causa de sacerdotes corruptos e ignorantes, trabalhou ele como reformador prudente e tenaz da vida privada e pública, como operário hábil e incansável, como diligentíssimo impulsionador e restaurador de todas as virtudes.

10. Os bons êxitos de Bonifácio chegaram aos ouvidos do nosso predecessor Gregório II, que o chamou a Roma e, ainda que ele por humildade resistisse, "fez-lhe saber... que lhe queria conferir a dignidade episcopal, para poder assim corrigir os extraviados e reconduzi-los ao verdadeiro caminho com tanto mais constância, quanto maior autoridade tivesse, vinda da dignidade apostólica; e seria tanto mais aceito a todos no ofício de pregar, quanto mais vissem que tinha sido sagrado bispo para esse fim pelo próprio papa".(3)